segunda-feira, 25 de maio de 2026

REALIDADE DE MONTENEGRO E PRIORIDADE DE VENTURA

 

As responsabilidades sociais e de soberania do Estado são atiradas repetidamente para as calendas, porque a despesa é muito elevada.

Com Luís Montenegro não há direito à reforma digna, a habitação acessível, a assistência e cuidados de saúde, a escola equitativa, a justiça célere e a segurança no dia-a-dia.

A realidade de o primeiro-ministro implica que médicos e enfermeiros, professores, magistrados, policias, etc., paguem o preço da governação falhada e do Estado ineficaz.

Por outro lado, a prioridade de André Ventura aponta para outro país: antecipação da idade de uma reforma digna para aceitar a flexibilização laboral.

Os dados estão em cima da mesa.

Pela primeira vez, um líder partidário inverte a prioridade, ciente da impossibilidade de eternizar a injustiça gritante, em que o cidadão é esmagado com impostos sem a contrapartida dos serviços do Estado.

A factura das clientelas, da corrupção e do desperdício não podem continuar a ser pagas pelos mais pobres.

Todos aqueles que morrem à porta das urgências, que não podem comprar e arrendar uma casa, educar os filhos com qualidade e viver em paz têm de ser escutados e honrados.

A questão é simples: não pode haver verbas para projectos faraónicos, enquanto não houver dinheiro para o básico.

O debate é decisivo para o futuro: PSD, CDS/PP e PS (Bloco Central) não se podem continuar a esconder atrás do papão da sustentabilidade da segurança social para manter o status quo da iniquidade.

António José Seguro não pode ficar à margem, nem deste nem da discussão sobre o respeito do direito internacional e da dignidade humana.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

PASSE DE MÁGICA

 

A visita de Donald Trump à China confirmou o gigantesco equívoco das actuais lideranças mundiais, o qual explica em parte as guerras ilegais em curso.

Na 14ª visita de um presidente norte-americano, nem palavra sobre a violação dos direitos humanos, nem referência a Tiananmen ou aos esmagamentos em Hong Kong e no Tibete.

Os ditadores e os regimes autocráticos já não são a linha vermelha de outros tempos, tudo se joga na vertigem da promiscuidade às claras e da corrupção com rostos, sem crítica nem contraditório.

Num passe de mágica, o poder financeiro e económico de Xi Jinping abafa os campeões do humanismo no Ocidente.

A análise e o comentário políticos ficaram pela espuma dos dias, pelos trocos comerciais e demais salamaleques protocolares, confirmando tempos perigosos que ninguém sabe como vão acabar.

Ninguém esquece o passado português nos últimos 23 anos, quando se trata de cumprimento do direito internacional e de respeito pela dignidade humana.

A actual humilhação global de Portugal não começou com Luís Montenegro, já vem do tempo de Durão Barroso e José Sócrates.

A realidade internacional dantesca não foi iniciada com Donald Trump, basta recordar as façanhas dos seus antecessores, apenas está a ser acelerada por causa de políticos pequeninos e cúmplices.

A mais actual sabujice na base das Lajes já tem inquérito parlamentar, mas nada mudará, porque os órgãos de soberania estão escudados no alegre chafurdar dos 27 na falta de valores civilizacionais.

Dia 10 de Junho de 2026: mais um contorcionismo folclórico, à custa da soberania de Portugal, na Vila das Lajes, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores?


segunda-feira, 11 de maio de 2026

DEMOCRACIA DE ISRAEL COLAPSA



A análise do Haaretz, de 9 de Maio passado, levanta a questão: “Pode o próximo PM de Israel confrontar o 'deep state' de Netanyahu?“ (“Can Israel's Next Prime Minister Confront Netanyahu's 'Deep State'?”.

O jornal diário israelita faz uma súmula de 3 principais atropelos, entre outros, do único regime democrático do Médio Oriente, transformado numa máquina de propaganda e de guerra.

Shin Bet (serviço de segurança interna): O chefe David Zini está promovendo uma “ben-gvirização” da agência.

Polícia: O comissário Danny Levy deixou Itamar Ben-Gvir tratar a polícia como “sua”;

Supremo Tribunal: Evita decisões polémicas, tendo adiado petição para remover Ben-Gvir e a comissão de inquérito ao 7 de Outubro de 2023.

O artigo conclui que, ao contrário dos governos anteriores, o actual governo nem respeita a continuidade, nem permite a conclusão dos mandatos dos líderes das instituições.

O “deep state” (Estado oculto ou Estado dentro do Estado) é real, porque as instituições estão capturadas em benefício e favor de Benjamin Netanyahu.

A grande dúvida deixada pelos jornalistas do Haaretz é sombria, pois questionam se o sucessor do actual PM terá coragem para reverter e normalizar o funcionamento do regime democrático israelita.

Todavia, a publicação do artigo de opinião é desde logo um sinal de esperança, pois representa uma minoria de israelitas críticos que não se deixam intimidar e silenciar pelo estafado rótulo de antissemitismo.

A adesão da maioria dos israelitas à actual governação fundamentalista, selvática e pária, afinal é o reflexo ao espelho do estilo autoritário dos inimigos que elegeram e perseguem há mais de 70 anos.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

TEMPOS ESDRÚXULOS E PERIGOSOS


O abuso de confiança do poder Executivo está a atravessar os regimes democráticos.

A prisão de manifestantes por delito de opinião, a brutalidade policial, a carnificina de civis, o rapto pelas armas e a violação dos princípios civilizacionais passaram a regras travestidas de legalidade.

É assim em Israel, nos Estados Unidos da América, no Reino Unido e na República Federal da Alemanha, entre outros de igual exemplaridade grotesca.

A lei do mais forte, que continua a vergar o poder judicial, tudo se permite, desde a guerra ilegal à corrupção com rostos, sem que a voz dos cidadãos seja escutada e respeitada.

É a vitória do cheque em branco após eleições, é a impunidade de quem é suspeito e continua no poder até o trânsito em julgado, é a via verde para as negociatas de Estado.

Os mecanismos de checks and balances e de regulação estão a ser devorados por facínoras e oportunistas, pelo que não é de espantar o esforço para liquidar a liberdade nas redes sociais e a matança impune de jornalistas.

Como invoca a mais recente obra de Banksy, em Londres, o cidadão comum está à beira de ser obrigado a marchar para fazer a guerra que não é dele, nem dos seus.

Continuar a engordar à frente da televisão, fazer a passeata de carro ao Domingo e viver do subsídio estão em alto risco, mas nem assim há vislumbre de sobressalto cívico.

A tentativa de impor uma revisão da legislação laboral em Portugal, sem que os seus termos tenham sido amplamente escrutinados em campanha eleitoral, é apenas mais um exemplo dos tempos esdrúxulos e perigosos.