segunda-feira, 8 de junho de 2026

BANHO DE SANGUE PERPÉTUO


Passados 70 anos de ocupação israelita – Jordânia, Líbano (Fazendas de Shebaa), Palestina (Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Gaza) e Síria (Colinas de Golã) –, os ataques entre Irão e Israel regressaram.

Os desmandos sanguinários e genocidas dos governos de Israel, desde 1948, provocaram outra tantas reacções dos países árabes.

Actualmente, face ao iminente acordo entre os Estados Unidos da América e o Irão, Israel volta a atacar em força, minando novamente qualquer hipótese de paz.

Seja qual for o móbil, desde a sobrevivência política de Benjamin Netanyahu ou qualquer outra tropelia de Donald Trump, impõe-se a questão: até quando a loucura instalada no Médio Oriente?

A resposta é muito mais simples do que a complexidade invocada por governantes, políticos e demais comentadores politicamente cobardes.

É a tolerância com a ganância das indústrias de armamento, a impunidade dos prevaricadores que violam o direito internacional e a corrupção de Estado instalada que permitem o banho de sangue perpétuo.

As atitudes cúmplices de Friedrich Merz e de Ursula von der Leyen ficam para a história com uma das maiores monstruosidades, mais uma, depois do holocausto às mãos dos nazis.

Pelas boas razões, lado a lado com o Papa Leão XV, também será lembrada a coragem de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, que enfrenta os fanáticos instalados no poder em Israel.

E Portugal?

Não é certamente por acaso ou acidente que a política externa pequenina acabou de ser compensada pela comunidade internacional.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

PARA QUE SERVE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA?


A justiça internacional está sob os holofotes mundiais por causa das investigações aos crimes na Palestina, no Líbano, na Ucrânia e demais países africanos.

Fatou Bensouda, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), não aguentou mais, tal como já o fizera Francesca Albanese, sujeita ao alarve boicote de Donald Trump.

Em entrevista à Al Jazeera, a magistrada gambiana revelou ameaças, pressões e sanções durante as investigações aos crimes de guerra e contra a humanidade nos territórios palestinos ocupados.

A jornalista Step Vaessen não disfarçou o choque com o relato da ameaça directa de Yossi Cohen, chefe da Mossad, nem com o desabafo: «Senti-me abandonada. Senti-me sem apoio».

Os magistrados dos tribunais internacionais estão sob fortíssima pressão, desde ameaças até sanções ad hominem, apesar das declarações piedosas de governantes e líderes políticos mundiais.

O que se passa nos corredores da justiça internacional também se passa na justiça portuguesa, com a diferença de monta que ainda há magistrados que não se calam nem são cúmplices.

O acordo entre a União Europeia e Israel e o silêncio face aos norte-americanos têm legitimado a selvajaria reinante que tem permitido o uso e o abuso da brutalidade militar e o genocídio em curso.

O presidente da República não pode ficar em silêncio face ao grotesco anúncio de Israel em cortar relações com António Guterres, secretário-geral da ONU.

António José Seguro não pode continuar refém do faz-de-conta da política externa pequenina e da política de justiça falida do governo liderado por Luís Montenegro.

Sem poder Executivo, afinal para que serve o presidente da República de Portugal?