O genocídio dos judeus, às mãos dos alemães, com a
cumplicidade dos italianos, entre outros, nos anos 40, contou com a oposição da
generalidade dos países europeus, ainda que tardia.
Actualmente, o genocídio dos palestinianos tem a União
Europeia do lado de Israel, com a Alemanha e a Itália na liderança.
A monstruosidade tem ainda mais uma agravante: o rearmamento
frenético dos alemães.
Na II Grande Guerra, António Oliveira Salazar afirmava uma
neutralidade que, na hora da verdade, sempre favoreceu o eixo dos assassinos e fascistas.
Hoje, as grandes e eloquentes declarações dos
representantes dos órgãos de soberania de Portugal têm resultado idêntico: a
cumplicidade objectiva com os párias, os Estados Unidos da América e Israel.
A liderança das Nações Unidas e a eleição para o Conselho de Segurança não têm sido suficientes para travar a deriva imprudente da actual governação, aliás como das anteriores.
Uma semana depois da ONU ter oficializado o genocídio em Gaza, Luís Montenegro e António José Seguro continuam calados e descarados, irremediavelmente desmascarados, quais algozes com sangue nas mãos.
Ser radical e extremista, hoje, é abafar a ignomínia do
genocídio, é fazer ouvidos de mercador em relação às palavras firmes e serenas
de Leão XIV.
Resta o exemplo do povo bósnio na defesa dos palestinianos: é
a empatia de quem sobreviveu a um genocídio, e se reconhece na posição de mais
uma vítima de uma força militar superior e insolentemente ocupante.
Depois da matança de 8 mil homens, mulheres e crianças
em Srebrenica (1995), os europeus também condenaram, enviaram
ajuda humanitária e tropas de paz, mas falharam estrondosamente em evitar a
limpeza étnica.
É o preço a pagar por quem está sempre disponível para virar
a cara, encolhendo os ombros, sabe lá Deus a que preço.
Amanhã, talvez já seja demasiado tarde para desviar a atenção
da bola, pois a matança continua.

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