segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PRESIDENCIAIS: DIGNIDADE E HUMANISMO

 

O governo inicia e gere o dia-a-dia da política externa (negociações, acordos, implementação), enquanto o presidente da República aprova, representa e supervisiona, garantindo os princípios constitucionais.

Os dois candidatos presidenciais não podem ficar escondidos, tal como o têm feito Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, com a cumplicidade generalizada dos Media.

António José Seguro e André Ventura têm de dizer ao que vêm: é para manter a política externa que tem envergonhado Portugal?

Face à duplicidade de critérios em relação à tensão que está a assolar as relações internacionais – Irão, Gronelândia, Palestina e Ucrânia, entre outros –, ambos os candidatos devem ser claros.

António José Seguro não pode arriscar qualquer confusão com as posições bárbaras e belicistas já assumidas por André Ventura, pois seria um trágico convite a abstenção da esquerda e da direita que se identificam com os valores universais.

O escrutínio de cada candidato, antes de 8 de Fevereiro, é também fundamental para afastar qualquer possibilidade de ocorrer em Portugal o que se está a passar do outro lado do Atlântico.

É preciso recordar que o posicionamento musculado anunciado por Donald Trump, por exemplo na imigração, derrapou na matança levada a cabo pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) nos Estados Unidos da América.

No tempo das armas e do dinheiro, o exemplo de Espanha, mesmo aqui ao lado, pode ser inspirador para renovar o posicionamento de Portugal no Mundo.

Para miséria já chega o que se passa cá dentro – caos no SNS, alunos sem professores, justiça de terceiro mundo, etc. – não havendo interesse nacional a nível externo que justifique a perda do que ainda resta aos portugueses: dignidade e humanismo.

O próximo presidente da República não pode arriscar o mesmo vexame infligido à presidente da Comissão Europeia, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, a 17/04/2024: “You are a criminal Ms. Von der Leyen. You should be at The Hague”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MASCARADOS


Os resultados da primeira volta das presidenciais são uma enorme vitória pessoal de António José Seguro.

No dia 8 de Fevereiro, os portugueses escolhem entre duas sociedades: a do humanista que combateu o aparelho do PS, laboriosamente erguido por António Costa, e a do adepto de os mascarados de Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Polícias e civis armados que escondem a cara, em Mineápolis, em Gaza e na Cisjordânia, entre outros lugares, é a pior publicidade para o líder do Chega.

Afinal, as democracias da violência policial contra cidadãos desarmados e jornalistas, por exemplo em Londres e em Berlim, são tão abjectas quanto a repressão brutal em Moscovo, em Teerão e noutras latitudes fustigadas pela ditadura.

Desculpar uns e diabolizar outros ao mesmo tempo revela apenas uma atitude politicamente doentia.

Resta aos senhores do poder, do Bloco Central, do partidário e dos negócios e interesses, compreenderem que Portugal não pode mergulhar em tanta bestialidade, tanto desrespeito pela lei e tanta desumanidade.

Manter o país no pântano da corrupção larvar e do mais evidente desprezo pelos cidadãos tem um custo gigantesco: basta olhar para o que se passa de um lado e do outro do Atlântico.

Com a passagem à segunda volta, André Ventura também sai vitorioso?

O líder do Chega, ao avançar para a corrida presidencial, caiu na ratoeira do seu último sucesso eleitoral, pois a sua alternativa está cada vez mais colada aos momentos mais terríveis do primeiro quarto do século XXI.

António José Seguro comprovou que não basta um bárbaro e belicista, um gestor com verniz liberal, um militar de dedo esticadinho e uma estrela de televisão para enfiar uma máscara pela cabeça abaixo dos portugueses.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

COVEIROS DA CULTURA EUROPEIA



A brutal repressão da ditadura iraniana ocupa as manchetes e a informação televisiva.

Muitas condenações, mas continuam os negócios de Estado e dos oligarcas, das cores dos líderes no poder, com mais ou menos corrupção e comissões milionárias.

Donald Trump é só a face visível deste novo modo de governação, porque assume a boçalidade de uma atitude que serve friamente os seus interesses pessoais e os dos Estados Unidos da América.

Afinal, qual é a diferença entre polícias armados e mascarados (ICE) que matam norte-americanos e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que esmaga os iranianos?

O novo clamor internacional contra os ditadores iranianos contrasta com o silêncio e o abandono dos palestinianos, mais uma vez invadidos, bombardeados, ocupados, assassinados e novamente massacrados.

Os arautos da diplomacia da geometria variável, sem lei nem valores, tradicionalmente escondidos no multilateralismo, abriram a porta à ultrajante lei do mais forte.

Chegou o momento de começar a pagar a factura pesada do vazio nas relações internacionais, alimentado até à exaustão pelos burocratas da União Europeia.

Mesmo com a evidência dos cadáveres amontoados à porta dos necrotérios em Teerão, não é de admirar que a contabilização do número de mortos e feridos iranianos seja recebida pelos cidadãos com cepticismo.

A ameaça sobre a Gronelândia é o expoente deste buraco gigantesco que se está a transformar na sepultura das instituições ocidentais.

Só faltava o último desplante dos coveiros da cultura europeia: Ursula von der Leyen afirma que a «lei é mais forte do que o confronto»; António Costa adverte que «a terra pertence a quem lá vive».

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

FALA DA PAZ E FAZ A GUERRA


A invasão da Venezuela e o rapto de Nicolás Maduro não foram ilegalidades para repor a legalidade, pois os corruptos e cabecilhas do tráfico de droga que estiveram ao lado do sucessor de Hugo Chávez continuam no poder na Venezuela.

Consumado o golpe, à boa maneira do faroeste norte-americano, e materializada a decapitação pela força do regime venezuelano, afinal tudo está na mesma.

Nem uma réstia de cultura democrática foi cumprida, pois Edmundo González Urrutia e María Corina Machado já foram afastados.

O que resta?

A resposta feroz da China e da Rússia, reacções que marcam o início de 2026, um ano de todos os perigos.

A tensão crescente na base de apoio de Donald Trump, com os Republicanos e o movimento MAGA cada vez mais divididos.

Finalmente, a encolhida reacção da União Europeia e o vergonhoso branqueamento de Paulo Rangel, aliás acompanhado por Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa.

As declarações críticas da esmagadora maioria dos candidatos presidenciais, incluindo Luís Marques Mendes, são esclarecedoras, e dizem tudo sobre a actual política externa rasteira de Portugal.

A cartilha do marketing político toma as rédeas da situação: se a economia está mal, então fala dos sucessos das finanças; se há um problema incontornável, fala da paz e faz a guerra.

Não admira que os analistas políticos norte-americanos estejam a denunciar mais uma manobra de diversão para abafar o escândalo Epstein.

O que se segue nos Estados Unidos da América: um atentado à bomba, mais um gigantesco incêndio, agora nas sedes do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e do FBI?