À medida que se aproxima a negociação do Orçamento do Estado para 2027, Luís Montenegro provoca a oposição com arrogâncias, medidas precipitadas e omissões inexplicáveis.
A sucessão de erros, atropelos e trapalhadas,
mesmo dos ministros com melhor performance, tem sido temperada por outras decisões
infantis.
O exemplo mais flagrante é a Educação,
com uma reforma, mais uma, a esbarrar na incúria do ministro da tutela,
lançando centenas de milhares de alunos e famílias na incerteza.
Nas Infraestruturas, é o
faz-de-conta na habitação, comprometendo a imagem conquistada de acção e competência.
Por último, e para espanto geral,
o incensado ministro da Administração Interna surge agora envolvido em ameaças
politicamente alarves ao Chega e num caso de favorecimento de um amigo
empreiteiro.
Fernando Alexandre, Miguel Pinto
Luz e Luís Neves são o espelho de ministros em queda, acentuando ainda mais a
parte do Executivo que se tem destacado pela ausência ou pela criminosa
geometria variável.
Um ano e dois meses depois das
últimas legislativas, o XXV governo constitucional surge desgastado, sem vislumbre
de mobilização, nem mesmo da sua base de apoio.
Objectivamente, o critério
errático de António José Seguro agrava ainda mais a tensão social e política.
Não passa pela cabeça de nenhum
português a realização de eleições antecipadas, mas a corrida em direcção ao
abismo, o desnorte da Comissão Europeia e a guerra à vista podem gerar uma
instabilidade imprevisível.
Afinal, o alinhamento dos espaços
informativos televisivos em prime time, com base em milhões alegadamente
desinteressados, já não é há muito tempo o factor determinante para avaliar a
governação.

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