segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

MUDANÇA EM MARCHA



Hoje, na bica da manhã, a esperança sente-se, respira-se, confirmando as expectativas que brilham nos olhos de cada um.

Há mais de 11 anos que António José Seguro se havia afastado dos bastidores do poder e da militância activa no Partido Socialista.

O próximo presidente da República veio da sociedade civil, tendo obtido uma votação histórica.

As suas primeiras palavras, como presidente eleito, foram de exigência em relação ao Estado, a garantia de que as vítimas das últimas tempestades não estão sozinhas.

Por sua vez, André Ventura, o derrotado, com mais de 1,7 milhões de votos, lança mais um aviso de que está ainda mais perto do poder.

Um e outro, cada um à sua maneira, obtiveram o prémio de terem combatido de frente o que continua mal há décadas no país.

Os resultados das eleições presidenciais constituem o último aviso dos portugueses a uma casta que continua a exibir impunemente a indiferença em relação aos estrangulamentos do país e ao dia-a-dia de sofrimento dos cidadãos.

É a derrota de quem tem dominado nos últimos 50 anos, antecipando que a mudança está cada vez mais perto, restando apenas saber se será levada a cabo pelos moderados ou pelos radicais.

O regime democrático pode ser mais, muito mais, do que o sistema caduco, corrupto e em colapso que continua a pactuar com o caos no SNS, a balbúrdia na escola, a falta de habitação e a justiça pomposa digna do terceiro mundo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

NÃO HÁ BOA E MÁ DESINFORMAÇÃO


Cinco dias depois da passagem da depressão “Kristin”, e de muitas críticas, Luís Montenegro prometeu um pacote de apoios no valor de 2,5 mil milhões de euros para famílias, empresas e recuperação de infra-estruturas.

André Ventura reagiu: «Estes apoios do Governo são constrangedores. Para as estruturas políticas dão-se milhões, para as pessoas e para as famílias dão-se tostões. €537 de apoio por pessoa? Por amor de Deus, ganhem vergonha!».

Por sua vez, António José Seguro também clamou: «As medidas vão na direcção certa. O que é importante é que cheguem o mais rapidamente. Nós conhecemos a tradicional burocracia do Estado».

As reacções dos candidatos presidenciais vincam diferenças, mas indiciam a certeza pavorosa: os apoios registam em média atrasos nos pagamentos que variam entre 12 e 18 meses, com base nos casos “Leslie” (2018), “Elsa” (2019) e “Martinho” (2025).

As declarações em pose de Estado caracterizam uma parte da farsa bem à portuguesa que perdura há muitos anos, com a cumplicidade dos Media, sempre focados no “boneco” e indiferentes ao dia-a-dia dos cidadãos.

Resta a pedrada no charco lançada por Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP, em entrevista à SIC Notícias, a 28 de Janeiro: «Muitos prejuízos causados pela tempestade “Martinho”, no ano passado, continuam por compensar».

A dissonância entre a “bolha” mediática e a realidade vivida pelos portugueses não se cinge aos apoios depois das tempestades, basta atentar ao caos no SNS, tribunais, escolas, habitação, etc.

A ausência de escrutínio também é outra tragédia, a qual explica a falta de confiança no regime democrático e a devastadora crise nos órgãos de comunicação social tradicionais.

Não há boa e má desinformação, venha ela de onde vier.







segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PRESIDENCIAIS: DIGNIDADE E HUMANISMO

 

O governo inicia e gere o dia-a-dia da política externa (negociações, acordos, implementação), enquanto o presidente da República aprova, representa e supervisiona, garantindo os princípios constitucionais.

Os dois candidatos presidenciais não podem ficar escondidos, tal como o têm feito Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, com a cumplicidade generalizada dos Media.

António José Seguro e André Ventura têm de dizer ao que vêm: é para manter a política externa que tem envergonhado Portugal?

Face à duplicidade de critérios em relação à tensão que está a assolar as relações internacionais – Irão, Gronelândia, Palestina e Ucrânia, entre outros –, ambos os candidatos devem ser claros.

António José Seguro não pode arriscar qualquer confusão com as posições bárbaras e belicistas já assumidas por André Ventura, pois seria um trágico convite a abstenção da esquerda e da direita que se identificam com os valores universais.

O escrutínio de cada candidato, antes de 8 de Fevereiro, é também fundamental para afastar qualquer possibilidade de ocorrer em Portugal o que se está a passar do outro lado do Atlântico.

É preciso recordar que o posicionamento musculado anunciado por Donald Trump, por exemplo na imigração, derrapou na matança levada a cabo pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) nos Estados Unidos da América.

No tempo das armas e do dinheiro, o exemplo de Espanha, mesmo aqui ao lado, pode ser inspirador para renovar o posicionamento de Portugal no Mundo.

Para miséria já chega o que se passa cá dentro – caos no SNS, alunos sem professores, justiça de terceiro mundo, etc. – não havendo interesse nacional a nível externo que justifique a perda do que ainda resta aos portugueses: dignidade e humanismo.

O próximo presidente da República não pode arriscar o mesmo vexame infligido à presidente da Comissão Europeia, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, a 17/04/2024: “You are a criminal Ms. Von der Leyen. You should be at The Hague”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MASCARADOS


Os resultados da primeira volta das presidenciais são uma enorme vitória pessoal de António José Seguro.

No dia 8 de Fevereiro, os portugueses escolhem entre duas sociedades: a do humanista que combateu o aparelho do PS, laboriosamente erguido por António Costa, e a do adepto de os mascarados de Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Polícias e civis armados que escondem a cara, em Mineápolis, em Gaza e na Cisjordânia, entre outros lugares, é a pior publicidade para o líder do Chega.

Afinal, as democracias da violência policial contra cidadãos desarmados e jornalistas, por exemplo em Londres e em Berlim, são tão abjectas quanto a repressão brutal em Moscovo, em Teerão e noutras latitudes fustigadas pela ditadura.

Desculpar uns e diabolizar outros ao mesmo tempo revela apenas uma atitude politicamente doentia.

Resta aos senhores do poder, do Bloco Central, do partidário e dos negócios e interesses, compreenderem que Portugal não pode mergulhar em tanta bestialidade, tanto desrespeito pela lei e tanta desumanidade.

Manter o país no pântano da corrupção larvar e do mais evidente desprezo pelos cidadãos tem um custo gigantesco: basta olhar para o que se passa de um lado e do outro do Atlântico.

Com a passagem à segunda volta, André Ventura também sai vitorioso?

O líder do Chega, ao avançar para a corrida presidencial, caiu na ratoeira do seu último sucesso eleitoral, pois a sua alternativa está cada vez mais colada aos momentos mais terríveis do primeiro quarto do século XXI.

António José Seguro comprovou que não basta um bárbaro e belicista, um gestor com verniz liberal, um militar de dedo esticadinho e uma estrela de televisão para enfiar uma máscara pela cabeça abaixo dos portugueses.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

COVEIROS DA CULTURA EUROPEIA



A brutal repressão da ditadura iraniana ocupa as manchetes e a informação televisiva.

Muitas condenações, mas continuam os negócios de Estado e dos oligarcas, das cores dos líderes no poder, com mais ou menos corrupção e comissões milionárias.

Donald Trump é só a face visível deste novo modo de governação, porque assume a boçalidade de uma atitude que serve friamente os seus interesses pessoais e os dos Estados Unidos da América.

Afinal, qual é a diferença entre polícias armados e mascarados (ICE) que matam norte-americanos e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que esmaga os iranianos?

O novo clamor internacional contra os ditadores iranianos contrasta com o silêncio e o abandono dos palestinianos, mais uma vez invadidos, bombardeados, ocupados, assassinados e novamente massacrados.

Os arautos da diplomacia da geometria variável, sem lei nem valores, tradicionalmente escondidos no multilateralismo, abriram a porta à ultrajante lei do mais forte.

Chegou o momento de começar a pagar a factura pesada do vazio nas relações internacionais, alimentado até à exaustão pelos burocratas da União Europeia.

Mesmo com a evidência dos cadáveres amontoados à porta dos necrotérios em Teerão, não é de admirar que a contabilização do número de mortos e feridos iranianos seja recebida pelos cidadãos com cepticismo.

A ameaça sobre a Gronelândia é o expoente deste buraco gigantesco que se está a transformar na sepultura das instituições ocidentais.

Só faltava o último desplante dos coveiros da cultura europeia: Ursula von der Leyen afirma que a «lei é mais forte do que o confronto»; António Costa adverte que «a terra pertence a quem lá vive».

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

FALA DA PAZ E FAZ A GUERRA


A invasão da Venezuela e o rapto de Nicolás Maduro não foram ilegalidades para repor a legalidade, pois os corruptos e cabecilhas do tráfico de droga que estiveram ao lado do sucessor de Hugo Chávez continuam no poder na Venezuela.

Consumado o golpe, à boa maneira do faroeste norte-americano, e materializada a decapitação pela força do regime venezuelano, afinal tudo está na mesma.

Nem uma réstia de cultura democrática foi cumprida, pois Edmundo González Urrutia e María Corina Machado já foram afastados.

O que resta?

A resposta feroz da China e da Rússia, reacções que marcam o início de 2026, um ano de todos os perigos.

A tensão crescente na base de apoio de Donald Trump, com os Republicanos e o movimento MAGA cada vez mais divididos.

Finalmente, a encolhida reacção da União Europeia e o vergonhoso branqueamento de Paulo Rangel, aliás acompanhado por Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa.

As declarações críticas da esmagadora maioria dos candidatos presidenciais, incluindo Luís Marques Mendes, são esclarecedoras, e dizem tudo sobre a actual política externa rasteira de Portugal.

A cartilha do marketing político toma as rédeas da situação: se a economia está mal, então fala dos sucessos das finanças; se há um problema incontornável, fala da paz e faz a guerra.

Não admira que os analistas políticos norte-americanos estejam a denunciar mais uma manobra de diversão para abafar o escândalo Epstein.

O que se segue nos Estados Unidos da América: um atentado à bomba, mais um gigantesco incêndio, agora nas sedes do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e do FBI?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

PORTUGAL MERECE MAIS E MELHOR


O final do ano de 2025 não é de boa memória.

A tensão internacional continua a subir.

Os esforços de Donald Trump para acabar com a invasão russa na Ucrânia redundaram num fracasso.

Não surpreende a derrota do presidente dos Estados Unidos da América que mostra preocupação com o número de mortes de ucranianos e russos, enquanto faz-de-conta em relação à matança resultante da invasão israelita na Palestina.

Como se não fora suficientemente dantesco, as tropelias norte-americanas na Venezuela já mereceram igual resposta dos chineses em Taiwan.

A nível nacional também não há motivos para sorrir.

Está instalado o ambiente podre e corrupto, com mais ou menos casinos e artigo da revista “The Economist”.

Mais grave: os Media estão de rastos, dificultando o escrutínio do regime democrático.

É o regresso aos tempos do pesadelo deixado por António Costa.

O caos na saúde continua, com os demais estrangulamentos a persistirem apesar da eufórica propaganda de Luís Montenegro.

De facto, restam os exemplos do futebol, perdão, dos cúmplices com ditadores e assassinos, os quais acompanham bem a política externa rasteira de Paulo Rangel.

Mas nem tudo é mau.

A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa chega ao fim.

Resta a convicção e a esperança de que o próximo inquilino de Belém não pode fazer pior, porque já basta, Portugal merece mais e melhor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MUNDO LIDERADO POR ASSASSINOS E LADRÕES


Anda há quem fique chocado com a guerra, o genocídio, a fome, o abandono dos mais idosos e das crianças, a violência doméstica, a falta de socorro e cuidados de saúde e a desigualdade gritante.

É evidente que são uma minoria, à luz do que nos rodeia.

Em plena época natalícia, a matança continua em Gaza e noutras latitudes, sustentada pela mais cruel indiferença e vil corrupção, uma porta sempre aberta para mais e mais negócios de armas.

Não é de admirar, portanto, a percepção do Mundo liderado por assassinos e ladrões, com as mãos cobertas de sangue, que tudo fazem, ou deixam fazer, por uns tostões, perdão, milhões, de um e do outro lado do Atlântico.

Em Portugal, o número dos sem-abrigo voltou a crescer.

A 31 de dezembro de 2024 havia 14.476 pessoas em situação de sem-abrigo, o que representa um aumento de 1.348 pessoas (cerca de 10%) em relação a 2023.

A evolução histórica desfaz quaisquer dúvidas: o número triplicou em menos de uma década nesta espécie de “economia de sucesso”.

Não é de admirar, portanto, a percepção de que Portugal continua a ser liderado por um governo falhado, por políticas no papel que não passam de marketing, por governantes que não têm um pingo de consciência social e humanitária.

Luís Montenegro e os seus ministros fazem de conta sobre a realidade portuguesa, tal e qual como em relação à da Palestina, enquanto compram armas a párias e a terroristas e mantêm o silêncio em relação à perseguição soez aos juízes internacionais.

Os governantes de Portugal fazem o melhor que podem e sabem, dirão os seus apoiantes, mas não se podem admirar de serem comparados, justa ou injustamente, aos assassinos e ladrões que lideram o Mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A CULPA É SEMPRE DOS OUTROS

 

A opinião pública israelita mantém o apoio aos militares (IDF), mesmo depois de iniciada a brutal invasão e destruição de Gaza e da contínua selvajaria na Cisjordânia.

O desejo de um acordo de paz não impede que Benjamin Netanyahu alcance 53% das opiniões favoráveis – sondagem de 12 de Dezembro de 2025 –, pois é considerado o político mais adequado para o cargo de primeiro-ministro de Israel.

O genocídio em curso dos palestinianos não altera a opinião de uma sociedade doente, fundamentalista e que abraça ferverosamente o estatuto de pária e o terrorismo de Estado.

Em Portugal, há um desinteresse relativo que se traduz pelo apoio à solução de dois Estados e pelo encolher de ombros em relação à matança generalizada de civis no que ainda resta da Palestina.

Aliás, André Ventura até justifica com entusiasmo a matança de criança, idosos e mulheres por causa da cultura palestiniana esmagar alguns direitos individuais, ou seja, quem não respeita a mulher merece um balázio ou morrer à fome e ao frio.

Mais extraordinário ainda: nem a alarvidade política do líder do Chega é capaz de fazer despertar a esquerda e a direita, retirando do bolso a questão da Palestina nos debates entre candidatos presidenciais.

Não admira a falta de escrutínio da comunicação social em relação ao financiamento dos candidatos.

O jornalismo de Estado, sempre sabujo e venerando, aproveita e consolida o pacto de silêncio em relação à carnificina que enche os jornais e as televisões de referência internacionais, chorando lagrimas de crocodilo por causa da Ucrânia.

A elite portuguesa fica chocada com o apoio dos cidadãos israelitas ao criminoso de guerra que os lidera, mas pouco ou nada diz e faz para combater a situação.

À boa moda portuguesa, a culpa é sempre dos outros.

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

PERIGOSO NÃO-RETORNO


A greve geral é um momento negativo.

É a confirmação do caos generalizado no SNS, bem como o descalabro noutros sectores, da Justiça à Educação, da Habitação à Segurança.

Nada mudou, muito piorou no dia-a-dia dos portugueses.

O regresso ao ambiente carregado da governação de António Costa é uma triste evidência.

O debate parlamentar e a campanha para as presidenciais de 2026 não auguram nada de diferente e melhor.

A falta de um discurso mobilizador da parte dos candidatos presidenciais da direita é abissal.

O mais grave é que nem os candidatos à esquerda conseguem inverter o discurso gasto e bolorento dos partidos políticos do sistema.

Tal como com Marcelo Rebelo de Sousa, um desastre à beira do fim, nem Belém permite vislumbrar um futuro mais auspicioso.

Num ambiente de incertezas, do genocídio dos palestinianos e de invasões em directo, só faltava mesmo comprar mísseis a um Estado pária e terrorista e participar ao lado de Israel no concurso da Eurovisão.

A arrogância indecente de propalar que os problemas estão para ficar, amanhã e depois, constituiu uma vertigem surpreendente que nem a época natalícia permite desculpar ou justificar.

Luís Montenegro entrou na fase do perigoso não-retorno, mesmo com a promessa de Amadeu Guerra de uma prenda antes do Natal.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

FIRME, SONSO OU DESUMANO?


As imagens de dois palestinianos, de mãos no ar, ajoelhados, desarmados, a serem executados por militares israelitas (IDF), foram divulgadas pela esmagadora maioria das TV's de todo Mundo.

Académicos, deputados, jornalistas, políticos e senadores de reputação internacional, bem como as organizações internacionais, replicaram o filme de mais uma matança, sem medo de denunciar o desvario impune de Israel.

Com Gaza e a Cisjordânia vedados aos jornalistas, os vídeos colocados nas redes sociais, designadamente no X (Twitter), são uma ínfima amostra do genocídio em curso.

É serviço público sublinhar os 12 países que já anunciaram que prenderiam o indiciado criminoso de guerra Benjamin Netanyahu: Bélgica, Canadá, Espanha, Eslovénia, França, Irlanda, Itália, Lituânia, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suíça.

Também é dever de consciência denunciar os ratos que continuam calados face à crueldade criminosa em curso.

A RTP escondeu deliberadamente as imagens das execuções em Jenin que correram Mundo.

É mais uma atitude editorial que alimenta duas alegações: o pacto de silêncio entre os Media e o poder; as notícias da estação pública serem alinhadas nos gabinetes do Executivo, certamente com conhecimento da Embaixada de Israel.

Mais uma vez, o problema não é de um qualquer algoritmo, mas da ordinária e habilidosa censura política, com a agravante de os contribuintes serem obrigados a pagá-la.

Na véspera da eleição presidencial, os portugueses continuam sem saber qual é o tipo de presidente da República que vão eleger: firme, sonso ou desumano com os crimes de guerra e de lesa-alma?


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A MONSTRUOSIDADE DAS SOCIEDADES


As intervenções do senador Claude Malhuret, desde 2023, sobre a invasão da Ucrânia e o genocídio em Gaza, são um brilhante repositório das contradições ocidentais.

As palavras do médico fundador dos “Médecins Sans Frontières”, político centrista à antiga, defensor implacável dos direitos humanos e da democracia liberal, são inspiradoras.

São mote para avaliar a falência norte-americana e europeia e até servir como ponto de partida para a discussão sobre a monstruosidade das sociedades que suportam a chacina de civis inocentes.

Afinal, as matanças na Ucrânia e na Palestina só são possíveis graças às cumplicidades globais que têm permitido alimentar as máquinas de guerra russa e israelita.

Da BBC à RTP, entre muitos outros, as máquinas de propaganda oficial lá continuam ao serviço (dos seus criminosos) de Estado, ora por acção, ora por omissão.

O que resta?

Assistir às imagens grotescas de morte, fome e destruição, sem um vislumbre de mobilização global que obrigue os Estados e os governos a agirem dentro da legalidade.

Os jornalistas do século XXI têm sido as próprias vítimas da guerra, documentando atrocidades que antigamente ficavam nas gavetas de governantes e chefias editoriais.

Ainda que correndo os riscos de manipulação, tal como os Media, as redes sociais têm servido para globalizar a verdade.

O impacte desta nova realidade tem permitido distinguir de uma forma vítrea os facínoras no poder que, seguramente, não estão apenas circunscritos à Rússia e a Israel.

Em época de debates entre os candidatos presidenciais, cujo escrutínio de fachada não tem acrescentado muito, não admira que, por ora, alguns temas sejam deliberadamente abafados, como por exemplo o genocídio em curso em Gaza.