Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

PESADELO DOS EUROPEUS


A visibilidade da explosão do fluxo migratório, cujo expoente foi atingido em Ceuta, deve ser um sinal de alarme, mais um, para Portugal.

Não é o único, pois o desnorte governamental levou à apresentação da justa moção de censura do Chega que, aliás, nunca obriga a priori a eleições antecipadas.

Luís Montenegro não pode continuar a ignorar as críticas de todo o lado, indiferente ao coma político de Luís Neves, pois o país está pior, desde a saúde à justiça, enquanto cresce a insegurança.

A instabilidade em Portugal não é alheia à governação dos 27, cada vez mais enredada na guerra da Ucrânia, enquanto ignora o genocídio na Palestina e o ataque ao Líbano às mãos de Israel.

Aliás, não pode haver nada mais trágico do que a monstruosa cumplicidade dos líderes europeus em relação ao Médio Oriente, afinal a origem do aumento do custo de vida que está a esmagar os europeus.

A vitória da AdF (Alternativa para a Alemanha) na Saxónia-Anhalt é apenas mais um efeito da liderança de Friedrich Merz, o “boss” de uma união que já tem uma dívida pública de 82,9% do PIB.

Afinal, a alternância ainda é ou já não é a democracia a funcionar?

A campanha do medo já não desmobiliza nem portugueses nem europeus, fartos de corrupção e do esmagamento de direitos individuais e sociais.

Há quem, em pânico, culpe a “gritaria”, outros mais independentes alcançam que é o repúdio veemente da política do “centrão” das negociatas, da geometria variável e da lei do faroeste.

Basta uma rápida passagem pelas redes sociais para compreender o início do pesadelo dos europeus, como lhe chamou Henrique Burnay, singela e liminarmente.

Atirar ao mensageiro é apenas e sempre a solução mágica dos tiranos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DEMOCRACIA DO LAMAÇAL


O ciclo da instabilidade regressa a Portugal, com a agravante da incerteza internacional.

O padrão é evidente pouco mais de dois anos após Luís Montenegro ter assumido a liderança do governo.

De facto, o primeiro-ministro não cessa de manter situações que podem descambar em conflitos institucionais e com a oposição parlamentar.

Mais do que a governação, a resolução de problemas estruturais e estrangulamentos com décadas, a multiplicação de incidentes já não pode ser assacada aos partidos políticos da oposição parlamentar.

Nova cabala à parte, Luís Neves não tem condições para continuar no Executivo, evidência que é transversal na sociedade e na classe política, da esquerda à direita.

Por sua vez, António José Seguro tem permitido todo o tipo de especulações no mesmo sentido nos mais diferentes Media.

O resultado está à vista: o Chega, consequentemente, apresenta na Assembleia da República uma moção de censura, deixando os outros partidos numa posição dúbia e contraditória.

O golpe da Spinumviva resultou em eleições antecipadas, mesmo que não tenha existido, nem exista um esclarecimento cabal, premiando Luís Montenegro com a reeleição.

Todos os caminhos vão dar à Justiça, lenta, politizada, burocrática e descredibilizada, um problema maior que continua a ser tratado como um pormenor periférico.

O apodrecimento em curso vai conduzir à reedição de mais uma crise a curto prazo?

Afinal, «podem dizer o que quiserem», afirma Luís Montenegro, mas um dia terá que ser esclarecido a quem serve esta democracia do lamaçal.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

CIVIS ASSASSINADOS: OS BONS E OS MAUS



A celebração do 35º aniversário da independência da Ucrânia marca mais uma romaria de governantes europeus a Kyiv, muitos abraços e beijinhos, migalhas, infinidade de atrasos e promessas incumpridas.

Os ucranianos indefesos, sem meios para travar os mísseis balísticos russos, tombam aos milhares (525.000 a 625.000 mortos, feridos e desaparecidos).

A coligação da boa vontade continua a apostar na chacina ucraniana como a melhor defesa possível da União Europeia.

As hediondas mortes de indefesos e inocentes ucranianos têm gerado coros de críticas à bestialidade de Vladimir Putin, uma atenção que os palestinianos não têm merecido.

De igual modo, os esforços de paz de António Costa, presidente do Conselho Europeu, ficam-se pela Rússia, não chegam até Israel, nem a Benjamin Netanyahu e demais facínoras indiciados por crimes de guerra e contra a humanidade.

É o tempo dos civis assassinados, os bons e os maus, apesar da procissão de horrores ainda não ter saído do adro, num cenário mundial que assume contornos pavorosos:

· Médio Oriente à beira implosão;

· Marginais e meliantes eleitos nos continentes americano e europeu;

· Taxa de pobreza mundial (10% da população global, 826 milhões de pessoas);

· Taxa de desemprego jovem (Portugal 18,9% e União Europeia média de 15,5%), indicador cuja relação com o início da Grande Guerra é uma evidência estatística.

As piores expectativas ganham força, desde o aviso do Papa Francisco: «Actualmente, a Terceira Guerra Mundial já foi declarada» (14/06/2022).

Não faltam alertas, nem destruição, nem sangue derramado, nem miséria e fome.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

BOA SORTE, PORTUGAL


Após a Revolução dos Cravos, a política externa passou por uma reorientação profunda: fim do império colonial, democratização e integração na comunidade internacional.

As propostas pacifistas, não-alinhadas ou ainda mais próximas dos blocos soviético e chinês inviabilizaram inicialmente um acordo maioritário que apenas chegou com a adesão à CEE, em 1985.

O consenso democrático – centrado na Europa, no Ocidente e na cooperação lusófona – foi uma construção de Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral.

Importa ainda nunca esquecer: a entrada na NATO (1949) e os acordos das Lajes (1951) vêm de António Oliveira Salazar, tendo sido abraçados pela democracia.

Passados 40 anos da adesão europeia, o que distingue as cumplicidades do governo de Luís Montenegro e dos maiores partidos políticos (PSD, Chega, PS e IL) com o genocídio‌ em Gaza e a ocupação ilegal na Cisjordânia?

A resposta é factual: nada!

As linhas fundamentais da política externa democrática foram engolidas pelo Bloco Central, agora paradoxalmente alargado aos partidos liderados por André Ventura e Mariana Leitão.

Na realidade, o “centrão” instalou-se, alargou-se, sendo que as indecorosamente tímidas investidas da esquerda mais à esquerda fazem temer o pior: o unanimismo na forma como Portugal olha e está no Mundo.

É a construção de uma sociedade em que os direitos humanos, o direito internacional e o multilateralismo estão prisioneiros do pragmático deslassar de princípios e valores universais.

Quando o bem maior equivale a vergonha mínima, resta apenas desejar: boa sorte, Portugal.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

FARSA E RESPONSABILIZAÇÃO


O código de conduta ministerial foi adotado pelo governo de Luís Montenegro (Resolução do Conselho de Ministros n.º 64/2024, de 24 de abril publicada no Diário da República).

Os 15 artigos do instrumento de auto-regulação não foram suficientes para evitar os actuais constrangimentos do XXV governo constitucional.

Das duas uma: ou o código de conduta ministerial é apenas mais uma ferramenta que não serve para nada, ou o ministro da Administração Interna mentiu antes de integrar o governo.

Salvaguardada a prevenção que não funcionou, nem mereceu reparos da parte de Belém, importa saber se Luís Neves tem condições para se manter no cargo.

Os líderes partidários, mais ou menos assertivamente, consideram que não, enquanto António José Seguro se enreda num exercício estéril para nada ter de assumir e decidir.

Porém, há questões tão ou mais graves:

Luís Neves está sob escuta desde que a PGR abriu um inquérito criminal?

O ministro da Administração Interna pode colocar em perigo, por força do seu poder e influência pessoal, política e institucional, a preservação das provas?

O alarme está instalado na sociedade portuguesa?

Qualquer cidadão com bom senso sabe quais são as respostas.

A PJ exige meios e escrutínio, agora como antes, e nem é preciso lembrar Adelino Salvado (director nacional de 2002 a 2004) que garantia saber as manchetes antes de serem publicadas.

O que degrada e compromete o regular funcionamento das instituições e a credibilidade do regime democrático é o hiato grotesco entre a farsa e a responsabilização política.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MINUTO FATAL

 

Conferência de imprensa: Luís Neves.

Dia: 29 de Julho de 2026.

Hora: 18h38m

«Temos vindo a destruir muito material apreendido, praticamente, muitas vezes pro bono pelas relações que temos com as empresas que destroem sobretudo a droga, o tabaco e outros materiais face a relação que a PJ tem com estas empresas».

Foi o minuto fatal de Luís Neves, cuja declaração curiosamente não foi sublinhada pelos Media e demais analistas políticos, à excepção honrosa de Miguel Morgado na SIC Notícias.

É muito mais do que o atrelado (galera) em Barcelos, é a dúvida definitivamente instalada em Portugal: por que razão empresas privadas prestam serviços ao Estado sem cobrar?

A sinceridade do ministro da Administração Interna (lapso?) vai fazer correr rios de tinta na comissão parlamentar de inquérito, já anunciada por André Ventura.

Se não é possível concluir por um qualquer indício de potencial desvio e corrupção, tão-pouco é admissível invocar o património declarado de Luís Neves como um atestado de boas práticas.

Até agora, a imagem do passado do alto funcionário de Estado serviu como garantia para integrar o XXV governo constitucional.

Hoje, e depois das revelações, é matéria que obriga o cidadão a no mínimo mudar a forma como o encara a si e à sua actividade profissional e ministerial.

Afinal, tudo velho, pois foi assim com o ex-presidente Marcelo Rebelo de Sousa (gémeas) e com o actual PM, Luís Montenegro (SPINUMVIVA), entre outros.

Com uma diferença de monta: a sociedade acreditava que ainda havia pessoas e instituições capazes de tentar repor a verdade e a legalidade, hoje assiste com apreensão ao progressivo cair de braços generalizado.

 

 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

GRANDE INVESTIGAÇÃO


Presidentes e primeiros-ministros estrangeiros, Media e organizações de referência internacional, todos têm lançado apelos lancinantes para estancar a continuação do genocídio em Gaza e os ataques selváticos na Cisjordânia.

Em Portugal, o silêncio é tumular, juntando representantes dos órgãos de soberania, os líderes dos partidos políticos e as direcções de informação das televisões generalistas.

Do canal público (RTP) aos privados (SIC e TVI), dos partidos de esquerda à direita, as notícias sobre a matança imposta por Israel na Palestina desapareceram subitamente do horário nobre nos últimos tempos.

Até os apelos pungentes de António Guterres são ignorados, revelando uma concertação que só pode ser muito mais do que um acaso, estando mesmo em equação uma omertà criminosa.

O artigo 37º da Constituição da República Portuguesa estabelece que a liberdade de expressão e de informação não pode ser limitada por qualquer tipo ou forma de censura.

Anda assim como se chega a este sincronismo tenebroso num ambiente de alegada pluralidade de órgãos de informação e partidos políticos.

Em vigor a partir de 27 de Julho, a Lei n.º 5-A/2026 visa regular a actividade de lobby em Portugal, garantindo transparência nas interacções entre entidades privadas, nacionais ou estrangeiras, e entidades públicas.

Só com uma grande investigação será possível deslindar se estamos perante a corrupção generalizada para garantir que os portugueses fiquem alheados da realidade que tem chocado os cidadãos de todo o planeta.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

ANDY BURNHAM, HILLSBOROUGH E O CHORADINHO


O manto da opacidade é cada vez mais politicamente descarado em Portugal, com a nebulosa a engolir agora os ministros Fernando Lourenço e Luís Neves.

Neste cenário pavoroso, importa sublinhar a aprovação da “Lei Hillsborough”, no Reino Unido, uma estrondosa retratação pública 37 anos depois do desastre no estádio do Liverpool que provocou 97 mortes.

É de monta a tentativa de estancar silêncios, mentiras e meias-verdades para encobrir o Estado, mesmo à custa de tentar salvar a monstruosa cumplicidade de Keir Starmer com crimes de guerra e contra a humanidade.

É o pontapé de saída de Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, com uma lei que impõe às autoridades públicas o dever de dizer a verdade e cooperar com as investigações oficiais.

Ainda que dependendo da ratificação da Câmara dos Lordes, é um primeiro passo para garantir a justiça para as pessoas comuns.

Não admira que a RTP tenha ignorado olimpicamente esta legislação revolucionária, entre outros Media, comentadores e analistas, pois o critério está abastardado e na maioria dos casos a soldo.

Manter os cidadãos na ignorância facilita a leviandade política, hoje de Fernando Alexandre e Luís Neves, como ontem de Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa (inquéritos SPINUMVIVA e gémeas), entre outros.

A repetição do choradinho sobre o recrutamento político renova a dimensão da tragédia portuguesa, repetida e impune, condenando os cidadãos a mais escuridão, subdesenvolvimento e pobreza.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MARTINEZ, RONALDO & COMPANHIA AINDA PODEM ESCOLHER


Os jogadores de futebol são muitas vezes estigmatizados com as imagens do pobre e do analfabeto que aproveitam um dom inato para subir na vida.

Actualmente, o profissional de futebol é muito diferente, quanto às origens, instrução e ambições.

Os "heróis do mar" de Luís Montenegro e António José Seguro já ouviram falar dos genocídios da Bósnia, no final do século XX, e de Gaza, ainda em curso.

Alguns deles até podem conhecer o diário de Zlata Filipović escrito por uma menina (dos 11 aos 13 anos), durante o cerco a Sarajevo (1992-1996).

FOME!!

MISÉRIA!!!

MEDO!!!

Esta é a minha vida.

A vida de uma menina inocente de 11 anos!!

Uma aluna sem escola, sem as alegrias e a excitação da vida escolar.

Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem fruta, sem chocolate nem rebuçados — só com um pouco de leite em pó.

Ontem, como hoje, agora, sem opção, esta é igualmente a vida de uma qualquer criança palestina, se houver sobrevivido às bombas, aos drones, aos soldados e aos snipers de Israel nos últimos 1000 dias.

A glória, a fama, a riqueza e as vitórias também podem estar ao serviço de quem nunca cresceu com a oportunidade de simplesmente brincar, ir à escola, jogar à bola e sonhar com um futuro justo.

A vida é sempre maior do que a lenda e o futebol, como aconteceu em Maio passado na “La Liga”, nos estádios Vallecas e Camp Nou.

Passado um mês, emigrantes portugueses seguiram os gestos de Ilias Akhomach e de Lamine Yamal, desfraldando bandeiras da Palestina e de Portugal nas ruas de Toronto, no Canadá, sinal de regozijo após o triunfo, mas também cidadania, empatia e esperança.

Afinal, Roberto Martinez, Cristiano Ronaldo e companhia, com a garantia de que não há qualquer castigo da FIFA, ainda podem escolher, mais uma vez, porque a vida é sempre maior do que o Mundial de 2026.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

DESCARADOS E DESMASCARADOS


O genocídio dos judeus, às mãos dos alemães, com a cumplicidade dos italianos, entre outros, nos anos 40, contou com a oposição da generalidade dos países europeus, ainda que tardia.

Actualmente, o genocídio dos palestinianos tem a União Europeia do lado de Israel, com a Alemanha e a Itália na liderança.

A monstruosidade tem ainda mais uma agravante: o rearmamento frenético dos alemães.

Na II Grande Guerra, António Oliveira Salazar afirmava uma neutralidade que, na hora da verdade, sempre favoreceu o eixo dos assassinos e fascistas.

Hoje, as grandes e eloquentes declarações dos representantes dos órgãos de soberania de Portugal têm resultado idêntico: a cumplicidade objectiva com os párias, os Estados Unidos da América e Israel.

A liderança das Nações Unidas e a eleição para o Conselho de Segurança não têm sido suficientes para travar a deriva imprudente da actual governação, aliás como das anteriores.

Uma semana depois da ONU ter oficializado o genocídio em Gaza, Luís Montenegro e António José Seguro continuam calados e descarados, irremediavelmente desmascarados, quais algozes com sangue nas mãos.

Ser radical e extremista, hoje, é abafar a ignomínia do genocídio, é fazer ouvidos de mercador em relação às palavras firmes e serenas de Leão XIV.

Resta o exemplo do povo bósnio na defesa dos palestinianos: é a empatia de quem sobreviveu a um genocídio, e se reconhece na posição de mais uma vítima de uma força militar superior e insolentemente ocupante.

Depois da matança de 8 mil homens, mulheres e crianças em Srebrenica (1995), os europeus também condenaram, enviaram ajuda humanitária e tropas de paz, mas falharam estrondosamente em evitar a limpeza étnica.

É o preço a pagar por quem está sempre disponível para virar a cara, encolhendo os ombros, sabe lá Deus a que preço.

Amanhã, talvez já seja demasiado tarde para desviar a atenção da bola, pois a matança continua.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

BYE-BYE, STARMER


Ninguém prognosticou um fim tão desastroso para o advogado de direitos humanos, responsável pelo Brexit no partido Trabalhista (Labour), que chegou ao poder no dia 5 de julho de 2024.

Após 14 anos seguidos de governos conservadores (2010–2024), e depois da substituição de Jeremy Corbyn, em Abril de 2020, entrou pela porta de 10 Downing Street, foi o primeiro primeiro-ministro trabalhista desde Gordon Brown (2010) e o primeiro a vencer uma eleição geral desde Tony Blair (2005).

O corte no Winter Fuel e a reforma do sistema de apoios sociais (2024–2026), o escândalo Mandelson (2025/2026), o fraco desempenho económico e a política de apoio a Israel traçaram o seu destino político.

Ninguém jamais poderá esquecer uma das suas declarações mais assassinas, a 11 de Outubro de 2023: «Israel does have that right to cut off water & power from Gaza».

O espectáculo das prisões de cidadãos, classificados como “terroristas”, por apenas protestarem contra a cumplicidade do Reino Unido com o genocídio em Gaza, foi o epílogo sinistro, aliás com o contributo do politicamente cínico David Lammy.

A gigantesca derrota nas eleições locais de Maio de 2026 marcou o fim anunciado.

A queda retumbante de Keir Starmer também é um rude golpe para o governo liderado por Luís Montenegro, sistemática e tragicamente alinhado com as políticas facínoras do Reino Unido que permitiram o contínuo negócio de venda de armas para Israel.

Falta ainda escrever a página mais negra de Keir Starmer: o encontro com o Tribunal Penal Internacional, a confirmar-se a promessa, a 5 de Junho de 2026, de um dos candidatos a suceder-lhe, Andy Burnham: «There has to be a full process of investigation and accountability».

segunda-feira, 15 de junho de 2026

HERÓIS DO MAR


O alheamento em relação às ocupações ilegais pela força, na Ucrânia, Palestina e Líbano, entre outras latitudes, continua a fazer o seu caminho.

As explicações são prosaicas, ainda que trágicas.

O Mundo inteiro quase esquece as guerras, agora com o início do campeonato mundial de futebol e mais um anúncio de paz.

A banalização da morte, do arbítrio, da injustiça e da lei do mais forte varre qualquer vislumbre de indignação e consciência criticas.

Os Media participam na encenação gigantesca relativamente às origens que estão na base dos actuais conflitos, seja em Gaza, em Beirute e em Kiyiv.

A desfaçatez e a ignorância são de tal calibre que se chega a incensar os criminosos e os ocupantes, apontando a mira a quem resiste, mesmo debaixo da mais vil e desproporcional chacina.

Apesar das matanças sanguinárias, algumas com a cumplicidade de Portugal, os jogadores da selecção lusa de futebol ascendem ao zénite dos discursos dos representantes das instituições nacionais.

Luís  Montenegro e António José Seguro não hesitam: são os heróis do mar.

Os cidadãos que esperam e desesperam por saúde, justiça, educação, segurança, e que foram obrigados a aguentar mais uma escandalosa falha no SNS, têm de esperar por igual atenção, entusiasmo e carinho.

O arrastar dos mais indecorosos estrangulamentos, que persistem décadas a fio, podem esperar mais um mês.

As pomposas juras de respeito pelos direitos humanos e internacionais também, sem que o ridículo cubra de vergonha os seus autores.

Afinal, os discursos populistas, mentirosos e parolos não têm limites, mais bola menos bola.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

PARA QUE SERVE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA?


A justiça internacional está sob os holofotes mundiais por causa das investigações aos crimes na Palestina, no Líbano, na Ucrânia e demais países africanos.

Fatou Bensouda, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), não aguentou mais, tal como já o fizera Francesca Albanese, sujeita ao alarve boicote de Donald Trump.

Em entrevista à Al Jazeera, a magistrada gambiana revelou ameaças, pressões e sanções durante as investigações aos crimes de guerra e contra a humanidade nos territórios palestinos ocupados.

A jornalista Step Vaessen não disfarçou o choque com o relato da ameaça directa de Yossi Cohen, chefe da Mossad, nem com o desabafo: «Senti-me abandonada. Senti-me sem apoio».

Os magistrados dos tribunais internacionais estão sob fortíssima pressão, desde ameaças até sanções ad hominem, apesar das declarações piedosas de governantes e líderes políticos mundiais.

O que se passa nos corredores da justiça internacional também se passa na justiça portuguesa, com a diferença de monta que ainda há magistrados que não se calam nem são cúmplices.

O acordo entre a União Europeia e Israel e o silêncio face aos norte-americanos têm legitimado a selvajaria reinante que tem permitido o uso e o abuso da brutalidade militar e o genocídio em curso.

O presidente da República não pode ficar em silêncio face ao grotesco anúncio de Israel em cortar relações com António Guterres, secretário-geral da ONU.

António José Seguro não pode continuar refém do faz-de-conta da política externa pequenina e da política de justiça falida do governo liderado por Luís Montenegro.

Sem poder Executivo, afinal para que serve o presidente da República de Portugal?

segunda-feira, 25 de maio de 2026

REALIDADE DE MONTENEGRO E PRIORIDADE DE VENTURA

 

As responsabilidades sociais e de soberania do Estado são atiradas repetidamente para as calendas, porque a despesa é muito elevada.

Com Luís Montenegro não há direito à reforma digna, a habitação acessível, a assistência e cuidados de saúde, a escola equitativa, a justiça célere e a segurança no dia-a-dia.

A realidade de o primeiro-ministro implica que médicos e enfermeiros, professores, magistrados, policias, etc., paguem o preço da governação falhada e do Estado ineficaz.

Por outro lado, a prioridade de André Ventura aponta para outro país: antecipação da idade de uma reforma digna para aceitar a flexibilização laboral.

Os dados estão em cima da mesa.

Pela primeira vez, um líder partidário inverte a prioridade, ciente da impossibilidade de eternizar a injustiça gritante, em que o cidadão é esmagado com impostos sem a contrapartida dos serviços do Estado.

A factura das clientelas, da corrupção e do desperdício não podem continuar a ser pagas pelos mais pobres.

Todos aqueles que morrem à porta das urgências, que não podem comprar e arrendar uma casa, educar os filhos com qualidade e viver em paz têm de ser escutados e honrados.

A questão é simples: não pode haver verbas para projectos faraónicos, enquanto não houver dinheiro para o básico.

O debate é decisivo para o futuro: PSD, CDS/PP e PS (Bloco Central) não se podem continuar a esconder atrás do papão da sustentabilidade da segurança social para manter o status quo da iniquidade.

António José Seguro não pode ficar à margem, nem deste nem da discussão sobre o respeito do direito internacional e da dignidade humana.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

PASSE DE MÁGICA


A visita de Donald Trump à China confirmou o gigantesco equívoco das actuais lideranças mundiais, o qual explica em parte as guerras ilegais em curso.

Na 14ª visita de um presidente norte-americano, nem palavra sobre a violação dos direitos humanos, nem referência a Tiananmen ou aos esmagamentos em Hong Kong e no Tibete.

Os ditadores e os regimes autocráticos já não são a linha vermelha de outros tempos, tudo se joga na vertigem da promiscuidade às claras e da corrupção com rostos, sem crítica nem contraditório.

Num passe de mágica, o poder financeiro e económico de Xi Jinping abafa os campeões do humanismo no Ocidente.

A análise e o comentário políticos ficaram pela espuma dos dias, pelos trocos comerciais e demais salamaleques protocolares, confirmando tempos perigosos que ninguém sabe como vão acabar.

Ninguém esquece o passado português nos últimos 23 anos, quando se trata de cumprimento do direito internacional e de respeito pela dignidade humana.

A actual humilhação global de Portugal não começou com Luís Montenegro, já vem do tempo de Durão Barroso e José Sócrates.

A realidade internacional dantesca não foi iniciada com Donald Trump, basta recordar as façanhas dos seus antecessores, apenas está a ser acelerada por causa de políticos pequeninos e cúmplices.

A mais actual sabujice na base das Lajes já tem inquérito parlamentar, mas nada mudará, porque os órgãos de soberania estão escudados no alegre chafurdar dos 27 na falta de valores civilizacionais.

Dia 10 de Junho de 2026: mais um contorcionismo folclórico, à custa da soberania de Portugal, na Vila das Lajes, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

DEMOCRACIA DE ISRAEL COLAPSA



A análise do Haaretz, de 9 de Maio passado, levanta a questão: “Pode o próximo PM de Israel confrontar o 'deep state' de Netanyahu?“ (“Can Israel's Next Prime Minister Confront Netanyahu's 'Deep State'?”.

O jornal diário israelita faz uma súmula de 3 principais atropelos, entre outros, do único regime democrático do Médio Oriente, transformado numa máquina de propaganda e de guerra.

Shin Bet (serviço de segurança interna): O chefe David Zini está promovendo uma “ben-gvirização” da agência.

Polícia: O comissário Danny Levy deixou Itamar Ben-Gvir tratar a polícia como “sua”;

Supremo Tribunal: Evita decisões polémicas, tendo adiado petição para remover Ben-Gvir e a comissão de inquérito ao 7 de Outubro de 2023.

O artigo conclui que, ao contrário dos governos anteriores, o actual governo nem respeita a continuidade, nem permite a conclusão dos mandatos dos líderes das instituições.

O “deep state” (Estado oculto ou Estado dentro do Estado) é real, porque as instituições estão capturadas em benefício e favor de Benjamin Netanyahu.

A grande dúvida deixada pelos jornalistas do Haaretz é sombria, pois questionam se o sucessor do actual PM terá coragem para reverter e normalizar o funcionamento do regime democrático israelita.

Todavia, a publicação do artigo de opinião é desde logo um sinal de esperança, pois representa uma minoria de israelitas críticos que não se deixam intimidar e silenciar pelo estafado rótulo de antissemitismo.

A adesão da maioria dos israelitas à actual governação fundamentalista, selvática e pária, afinal é o reflexo ao espelho do estilo autoritário dos inimigos que elegeram e perseguem há mais de 70 anos.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

TEMPOS ESDRÚXULOS E PERIGOSOS


O abuso de confiança do poder Executivo está a atravessar os regimes democráticos.

A prisão de manifestantes por delito de opinião, a brutalidade policial, a carnificina de civis, o rapto pelas armas e a violação dos princípios civilizacionais passaram a regras travestidas de legalidade.

É assim em Israel, nos Estados Unidos da América, no Reino Unido e na República Federal da Alemanha, entre outros de igual exemplaridade grotesca.

A lei do mais forte, que continua a vergar o poder judicial, tudo se permite, desde a guerra ilegal à corrupção com rostos, sem que a voz dos cidadãos seja escutada e respeitada.

É a vitória do cheque em branco após eleições, é a impunidade de quem é suspeito e continua no poder até o trânsito em julgado, é a via verde para as negociatas de Estado.

Os mecanismos de checks and balances e de regulação estão a ser devorados por facínoras e oportunistas, pelo que não é de espantar o esforço para liquidar a liberdade nas redes sociais e a matança impune de jornalistas.

Como invoca a mais recente obra de Banksy, em Londres, o cidadão comum está à beira de ser obrigado a marchar para fazer a guerra que não é dele, nem dos seus.

Continuar a engordar à frente da televisão, fazer a passeata de carro ao Domingo e viver do subsídio estão em alto risco, mas nem assim há vislumbre de sobressalto cívico.

A tentativa de impor uma revisão da legislação laboral em Portugal, sem que os seus termos tenham sido amplamente escrutinados em campanha eleitoral, é apenas mais um exemplo dos tempos esdrúxulos e perigosos.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

TRUMP AMEAÇOU PORTUGAL?



Se espanta que mais de 70% dos israelitas estejam com Benjamin Netanyahu, choca ainda mais que o 25 de abril tenha servido para abafar a incivilidade, desde o presidente da República aos partidos políticos.

A excepção coube a José Luís Carneiro, com palavras firmes e objectivas contra a guerra ilegal, honrando o legado de Mário Soares, Jorge Sampaio e do Partido Socialista.

Aliás, não é por acaso que, entre citações a rodos, de portugueses e estrangeiros, nem uma tenha sido de Leão XIV, por certamente contrariar o discurso oficial e pantanoso.

Os representantes dos órgãos de soberania e as lideranças da maioria dos partidos estão com a brutalidade das armas, obviamente com as mãos postas nas falsas juras de respeito pelo direito internacional.

Há uma interpretação benigna para as referências genéricas de António José Seguro, a do apelo à decência humanitária, mas no actual contexto de carnificina é nada ou quase nada.

O clamor estéril pela transparência também contrasta com a opacidade e até omissão da politicamente seguidista posição portuguesa.

Igualmente, não basta um par de loas sobre o combate à corrupção, o estafado slogan do 25 de Abril, urge escrutinar a razão pela qual, da esquerda à direita, tem havido tanta complacência com a ignomínia.

Portugal tem sido cúmplice de uma das maiores selvajarias da humanidade, pelo que se impõe a questão: Donald Trump ameaçou tomar a base das Lajes se houvesse oposição à passagem de armas ofensivas?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

NAS COSTAS DOS PORTUGUESES


O debate sobre o acordo entre a União Europeia e Israel continua a marcar a actualidade.

Mais de dois anos após o início do genocídio em Gaza, e em plena matança no Líbano, a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, amanhã (21), vai ter de enfrentar o elefante na sala.

Depois de pedir a suspensão do tratado de associação, em Fevereiro de 2024, Espanha quer o rompimento do acordo, acusando Benjamin Netanyahu de violar o direito internacional e os direitos humanos.

«Aquele governo que viola o direito internacional não pode ser parceiro da União Europeia», afirma Pedro Sánchez.

Neste contexto nada se sabe sobre qual é a posição oficial de Portugal, porventura por se levantarem interesses difusos e inconfessáveis.

Os deputados já se pronunciaram há quase um ano sobre a suspensão da parceria (11 de Julho 2025), não tendo sido chamados agora a avaliar a ruptura que está em cima da mesa.

Nem Luís Montenegro nem António José Seguro informaram os portugueses sobre quais as instruções dadas a Paulo Rangel, nem uma palavra expressa de condenação, apenas o silêncio.

A mesma atitude tem sido levada a cabo em relação aos Estados Unidos da América depois do ataque ilegal ao Irão.

Não escasseia acordo entre o primeiro-ministro e o presidente da República, o que falta é respeitar Constituição da República, o direito internacional e os direitos humanos.

Portugal mantém a cumplicidade politicamente criminosa com os regimes párias de Israel e dos Estados Unidos da América nas costas dos portugueses.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

NÃO BASTA REZAR, É PRECISO AGIR

 

As intervenções do Papa Leão XIV e de representantes da cúpula da Igreja, incluindo os norte-americanos, conferem ao Vaticano a liderança mundial pela paz.

Os cardeais Robert McElroy, Pietro Parolin, Pierbattista Pizzaball e Paul Coakley (presidente da Conferência dos bispos dos Estados Unidos da América) são alguns dos exemplos mais proeminentes.

A intervenção tem sido firme, com uma assertividade pouco habitual, que traduz a gravidade da conjuntura, tendo já provocado uma reacção desesperada de Donald Trump.

A Vigília pela Paz, presidida pelo Papa Leão XIV, no passado dia 11 de Abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, representou um apelo inequívoco aos católicos.

Não basta rezar, é preciso agir, concluíram, num gesto que traduz o imperativo inalienável da dimensão humana e social.

A Igreja portuguesa continua vergada a uma política externa pequenina, rasteira e canina, mais preocupada com os seus assuntos de Estado do que estar inequivocamente ao lado da paz mundial.

À excepção de Pedro Sánchez, os líderes europeus afundam no pântano da ilegalidade, do genocídio e da matança no Médio Oriente, numa cumplicidade abjecta com Israel e os Estados Unidos da América.

A União Europeia, liderada por Ursula Von der Leyen, é um espectro assustador que não está à altura da vitória esmagadora de Péter Magyar, na Hungria.

Não há liberdade na Europa, enquanto os negócios de Estado estão objectivamente do lado das armas, dos facínoras e da guerra.