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segunda-feira, 20 de julho de 2026

ANDY BURNHAM, HILLSBOROUGH E O CHORADINHO


O manto da opacidade é cada vez mais politicamente descarado em Portugal, com a nebulosa a engolir agora os ministros Fernando Lourenço e Luís Neves.

Neste cenário pavoroso, importa sublinhar a aprovação da “Lei Hillsborough”, no Reino Unido, uma estrondosa retratação pública 37 anos depois do desastre no estádio do Liverpool que provocou 97 mortes.

É de monta a tentativa de estancar silêncios, mentiras e meias-verdades para encobrir o Estado, mesmo à custa de tentar salvar a monstruosa cumplicidade de Keir Starmer com crimes de guerra e contra a humanidade.

É o pontapé de saída de Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, com uma lei que impõe às autoridades públicas o dever de dizer a verdade e cooperar com as investigações oficiais.

Ainda que dependendo da ratificação da Câmara dos Lordes, é um primeiro passo para garantir a justiça para as pessoas comuns.

Não admira que a RTP tenha ignorado olimpicamente esta legislação revolucionária, entre outros Media, comentadores e analistas, pois o critério está abastardado e na maioria dos casos a soldo.

Manter os cidadãos na ignorância facilita a leviandade política, hoje de Fernando Alexandre e Luís Neves, como ontem de Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa (inquéritos SPINUMVIVA e gémeas), entre outros.

A repetição do choradinho sobre o recrutamento político renova a dimensão da tragédia portuguesa, repetida e impune, condenando os cidadãos a mais escuridão, subdesenvolvimento e pobreza.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MARTINEZ, RONALDO & COMPANHIA AINDA PODEM ESCOLHER


Os jogadores de futebol são muitas vezes estigmatizados com as imagens do pobre e do analfabeto que aproveitam um dom inato para subir na vida.

Actualmente, o profissional de futebol é muito diferente, quanto às origens, instrução e ambições.

Os "heróis do mar" de Luís Montenegro e António José Seguro já ouviram falar dos genocídios da Bósnia, no final do século XX, e de Gaza, ainda em curso.

Alguns deles até podem conhecer o diário de Zlata Filipović escrito por uma menina (dos 11 aos 13 anos), durante o cerco a Sarajevo (1992-1996).

FOME!!

MISÉRIA!!!

MEDO!!!

Esta é a minha vida.

A vida de uma menina inocente de 11 anos!!

Uma aluna sem escola, sem as alegrias e a excitação da vida escolar.

Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem fruta, sem chocolate nem rebuçados — só com um pouco de leite em pó.

Ontem, como hoje, agora, sem opção, esta é igualmente a vida de uma qualquer criança palestina, se houver sobrevivido às bombas, aos drones, aos soldados e aos snipers de Israel nos últimos 1000 dias.

A glória, a fama, a riqueza e as vitórias também podem estar ao serviço de quem nunca cresceu com a oportunidade de simplesmente brincar, ir à escola, jogar à bola e sonhar com um futuro justo.

A vida é sempre maior do que a lenda e o futebol, como aconteceu em Maio passado na “La Liga”, nos estádios Vallecas e Camp Nou.

Passado um mês, emigrantes portugueses seguiram os gestos de Ilias Akhomach e de Lamine Yamal, desfraldando bandeiras da Palestina e de Portugal nas ruas de Toronto, no Canadá, sinal de regozijo após o triunfo, mas também cidadania, empatia e esperança.

Afinal, Roberto Martinez, Cristiano Ronaldo e companhia, com a garantia de que não há qualquer castigo da FIFA, ainda podem escolher, mais uma vez, porque a vida é sempre maior do que o Mundial de 2026.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

DESCARADOS E DESMASCARADOS


O genocídio dos judeus, às mãos dos alemães, com a cumplicidade dos italianos, entre outros, nos anos 40, contou com a oposição da generalidade dos países europeus, ainda que tardia.

Actualmente, o genocídio dos palestinianos tem a União Europeia do lado de Israel, com a Alemanha e a Itália na liderança.

A monstruosidade tem ainda mais uma agravante: o rearmamento frenético dos alemães.

Na II Grande Guerra, António Oliveira Salazar afirmava uma neutralidade que, na hora da verdade, sempre favoreceu o eixo dos assassinos e fascistas.

Hoje, as grandes e eloquentes declarações dos representantes dos órgãos de soberania de Portugal têm resultado idêntico: a cumplicidade objectiva com os párias, os Estados Unidos da América e Israel.

A liderança das Nações Unidas e a eleição para o Conselho de Segurança não têm sido suficientes para travar a deriva imprudente da actual governação, aliás como das anteriores.

Uma semana depois da ONU ter oficializado o genocídio em Gaza, Luís Montenegro e António José Seguro continuam calados e descarados, irremediavelmente desmascarados, quais algozes com sangue nas mãos.

Ser radical e extremista, hoje, é abafar a ignomínia do genocídio, é fazer ouvidos de mercador em relação às palavras firmes e serenas de Leão XIV.

Resta o exemplo do povo bósnio na defesa dos palestinianos: é a empatia de quem sobreviveu a um genocídio, e se reconhece na posição de mais uma vítima de uma força militar superior e insolentemente ocupante.

Depois da matança de 8 mil homens, mulheres e crianças em Srebrenica (1995), os europeus também condenaram, enviaram ajuda humanitária e tropas de paz, mas falharam estrondosamente em evitar a limpeza étnica.

É o preço a pagar por quem está sempre disponível para virar a cara, encolhendo os ombros, sabe lá Deus a que preço.

Amanhã, talvez já seja demasiado tarde para desviar a atenção da bola, pois a matança continua.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

BYE-BYE, STARMER


Ninguém prognosticou um fim tão desastroso para o advogado de direitos humanos, responsável pelo Brexit no partido Trabalhista (Labour), que chegou ao poder no dia 5 de julho de 2024.

Após 14 anos seguidos de governos conservadores (2010–2024), e depois da substituição de Jeremy Corbyn, em Abril de 2020, entrou pela porta de 10 Downing Street, foi o primeiro primeiro-ministro trabalhista desde Gordon Brown (2010) e o primeiro a vencer uma eleição geral desde Tony Blair (2005).

O corte no Winter Fuel e a reforma do sistema de apoios sociais (2024–2026), o escândalo Mandelson (2025/2026), o fraco desempenho económico e a política de apoio a Israel traçaram o seu destino político.

Ninguém jamais poderá esquecer uma das suas declarações mais assassinas, a 11 de Outubro de 2023: «Israel does have that right to cut off water & power from Gaza».

O espectáculo das prisões de cidadãos, classificados como “terroristas”, por apenas protestarem contra a cumplicidade do Reino Unido com o genocídio em Gaza, foi o epílogo sinistro, aliás com o contributo do politicamente cínico David Lammy.

A gigantesca derrota nas eleições locais de Maio de 2026 marcou o fim anunciado.

A queda retumbante de Keir Starmer também é um rude golpe para o governo liderado por Luís Montenegro, sistemática e tragicamente alinhado com as políticas facínoras do Reino Unido que permitiram o contínuo negócio de venda de armas para Israel.

Falta ainda escrever a página mais negra de Keir Starmer: o encontro com o Tribunal Penal Internacional, a confirmar-se a promessa, a 5 de Junho de 2026, de um dos candidatos a suceder-lhe, Andy Burnham: «There has to be a full process of investigation and accountability».

segunda-feira, 15 de junho de 2026

HERÓIS DO MAR


O alheamento em relação às ocupações ilegais pela força, na Ucrânia, Palestina e Líbano, entre outras latitudes, continua a fazer o seu caminho.

As explicações são prosaicas, ainda que trágicas.

O Mundo inteiro quase esquece as guerras, agora com o início do campeonato mundial de futebol e mais um anúncio de paz.

A banalização da morte, do arbítrio, da injustiça e da lei do mais forte varre qualquer vislumbre de indignação e consciência criticas.

Os Media participam na encenação gigantesca relativamente às origens que estão na base dos actuais conflitos, seja em Gaza, em Beirute e em Kiyiv.

A desfaçatez e a ignorância são de tal calibre que se chega a incensar os criminosos e os ocupantes, apontando a mira a quem resiste, mesmo debaixo da mais vil e desproporcional chacina.

Apesar das matanças sanguinárias, algumas com a cumplicidade de Portugal, os jogadores da selecção lusa de futebol ascendem ao zénite dos discursos dos representantes das instituições nacionais.

Luís  Montenegro e António José Seguro não hesitam: são os heróis do mar.

Os cidadãos que esperam e desesperam por saúde, justiça, educação, segurança, e que foram obrigados a aguentar mais uma escandalosa falha no SNS, têm de esperar por igual atenção, entusiasmo e carinho.

O arrastar dos mais indecorosos estrangulamentos, que persistem décadas a fio, podem esperar mais um mês.

As pomposas juras de respeito pelos direitos humanos e internacionais também, sem que o ridículo cubra de vergonha os seus autores.

Afinal, os discursos populistas, mentirosos e parolos não têm limites, mais bola menos bola.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

PARA QUE SERVE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA?


A justiça internacional está sob os holofotes mundiais por causa das investigações aos crimes na Palestina, no Líbano, na Ucrânia e demais países africanos.

Fatou Bensouda, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), não aguentou mais, tal como já o fizera Francesca Albanese, sujeita ao alarve boicote de Donald Trump.

Em entrevista à Al Jazeera, a magistrada gambiana revelou ameaças, pressões e sanções durante as investigações aos crimes de guerra e contra a humanidade nos territórios palestinos ocupados.

A jornalista Step Vaessen não disfarçou o choque com o relato da ameaça directa de Yossi Cohen, chefe da Mossad, nem com o desabafo: «Senti-me abandonada. Senti-me sem apoio».

Os magistrados dos tribunais internacionais estão sob fortíssima pressão, desde ameaças até sanções ad hominem, apesar das declarações piedosas de governantes e líderes políticos mundiais.

O que se passa nos corredores da justiça internacional também se passa na justiça portuguesa, com a diferença de monta que ainda há magistrados que não se calam nem são cúmplices.

O acordo entre a União Europeia e Israel e o silêncio face aos norte-americanos têm legitimado a selvajaria reinante que tem permitido o uso e o abuso da brutalidade militar e o genocídio em curso.

O presidente da República não pode ficar em silêncio face ao grotesco anúncio de Israel em cortar relações com António Guterres, secretário-geral da ONU.

António José Seguro não pode continuar refém do faz-de-conta da política externa pequenina e da política de justiça falida do governo liderado por Luís Montenegro.

Sem poder Executivo, afinal para que serve o presidente da República de Portugal?

segunda-feira, 25 de maio de 2026

REALIDADE DE MONTENEGRO E PRIORIDADE DE VENTURA

 

As responsabilidades sociais e de soberania do Estado são atiradas repetidamente para as calendas, porque a despesa é muito elevada.

Com Luís Montenegro não há direito à reforma digna, a habitação acessível, a assistência e cuidados de saúde, a escola equitativa, a justiça célere e a segurança no dia-a-dia.

A realidade de o primeiro-ministro implica que médicos e enfermeiros, professores, magistrados, policias, etc., paguem o preço da governação falhada e do Estado ineficaz.

Por outro lado, a prioridade de André Ventura aponta para outro país: antecipação da idade de uma reforma digna para aceitar a flexibilização laboral.

Os dados estão em cima da mesa.

Pela primeira vez, um líder partidário inverte a prioridade, ciente da impossibilidade de eternizar a injustiça gritante, em que o cidadão é esmagado com impostos sem a contrapartida dos serviços do Estado.

A factura das clientelas, da corrupção e do desperdício não podem continuar a ser pagas pelos mais pobres.

Todos aqueles que morrem à porta das urgências, que não podem comprar e arrendar uma casa, educar os filhos com qualidade e viver em paz têm de ser escutados e honrados.

A questão é simples: não pode haver verbas para projectos faraónicos, enquanto não houver dinheiro para o básico.

O debate é decisivo para o futuro: PSD, CDS/PP e PS (Bloco Central) não se podem continuar a esconder atrás do papão da sustentabilidade da segurança social para manter o status quo da iniquidade.

António José Seguro não pode ficar à margem, nem deste nem da discussão sobre o respeito do direito internacional e da dignidade humana.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

PASSE DE MÁGICA


A visita de Donald Trump à China confirmou o gigantesco equívoco das actuais lideranças mundiais, o qual explica em parte as guerras ilegais em curso.

Na 14ª visita de um presidente norte-americano, nem palavra sobre a violação dos direitos humanos, nem referência a Tiananmen ou aos esmagamentos em Hong Kong e no Tibete.

Os ditadores e os regimes autocráticos já não são a linha vermelha de outros tempos, tudo se joga na vertigem da promiscuidade às claras e da corrupção com rostos, sem crítica nem contraditório.

Num passe de mágica, o poder financeiro e económico de Xi Jinping abafa os campeões do humanismo no Ocidente.

A análise e o comentário políticos ficaram pela espuma dos dias, pelos trocos comerciais e demais salamaleques protocolares, confirmando tempos perigosos que ninguém sabe como vão acabar.

Ninguém esquece o passado português nos últimos 23 anos, quando se trata de cumprimento do direito internacional e de respeito pela dignidade humana.

A actual humilhação global de Portugal não começou com Luís Montenegro, já vem do tempo de Durão Barroso e José Sócrates.

A realidade internacional dantesca não foi iniciada com Donald Trump, basta recordar as façanhas dos seus antecessores, apenas está a ser acelerada por causa de políticos pequeninos e cúmplices.

A mais actual sabujice na base das Lajes já tem inquérito parlamentar, mas nada mudará, porque os órgãos de soberania estão escudados no alegre chafurdar dos 27 na falta de valores civilizacionais.

Dia 10 de Junho de 2026: mais um contorcionismo folclórico, à custa da soberania de Portugal, na Vila das Lajes, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

DEMOCRACIA DE ISRAEL COLAPSA



A análise do Haaretz, de 9 de Maio passado, levanta a questão: “Pode o próximo PM de Israel confrontar o 'deep state' de Netanyahu?“ (“Can Israel's Next Prime Minister Confront Netanyahu's 'Deep State'?”.

O jornal diário israelita faz uma súmula de 3 principais atropelos, entre outros, do único regime democrático do Médio Oriente, transformado numa máquina de propaganda e de guerra.

Shin Bet (serviço de segurança interna): O chefe David Zini está promovendo uma “ben-gvirização” da agência.

Polícia: O comissário Danny Levy deixou Itamar Ben-Gvir tratar a polícia como “sua”;

Supremo Tribunal: Evita decisões polémicas, tendo adiado petição para remover Ben-Gvir e a comissão de inquérito ao 7 de Outubro de 2023.

O artigo conclui que, ao contrário dos governos anteriores, o actual governo nem respeita a continuidade, nem permite a conclusão dos mandatos dos líderes das instituições.

O “deep state” (Estado oculto ou Estado dentro do Estado) é real, porque as instituições estão capturadas em benefício e favor de Benjamin Netanyahu.

A grande dúvida deixada pelos jornalistas do Haaretz é sombria, pois questionam se o sucessor do actual PM terá coragem para reverter e normalizar o funcionamento do regime democrático israelita.

Todavia, a publicação do artigo de opinião é desde logo um sinal de esperança, pois representa uma minoria de israelitas críticos que não se deixam intimidar e silenciar pelo estafado rótulo de antissemitismo.

A adesão da maioria dos israelitas à actual governação fundamentalista, selvática e pária, afinal é o reflexo ao espelho do estilo autoritário dos inimigos que elegeram e perseguem há mais de 70 anos.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

TEMPOS ESDRÚXULOS E PERIGOSOS


O abuso de confiança do poder Executivo está a atravessar os regimes democráticos.

A prisão de manifestantes por delito de opinião, a brutalidade policial, a carnificina de civis, o rapto pelas armas e a violação dos princípios civilizacionais passaram a regras travestidas de legalidade.

É assim em Israel, nos Estados Unidos da América, no Reino Unido e na República Federal da Alemanha, entre outros de igual exemplaridade grotesca.

A lei do mais forte, que continua a vergar o poder judicial, tudo se permite, desde a guerra ilegal à corrupção com rostos, sem que a voz dos cidadãos seja escutada e respeitada.

É a vitória do cheque em branco após eleições, é a impunidade de quem é suspeito e continua no poder até o trânsito em julgado, é a via verde para as negociatas de Estado.

Os mecanismos de checks and balances e de regulação estão a ser devorados por facínoras e oportunistas, pelo que não é de espantar o esforço para liquidar a liberdade nas redes sociais e a matança impune de jornalistas.

Como invoca a mais recente obra de Banksy, em Londres, o cidadão comum está à beira de ser obrigado a marchar para fazer a guerra que não é dele, nem dos seus.

Continuar a engordar à frente da televisão, fazer a passeata de carro ao Domingo e viver do subsídio estão em alto risco, mas nem assim há vislumbre de sobressalto cívico.

A tentativa de impor uma revisão da legislação laboral em Portugal, sem que os seus termos tenham sido amplamente escrutinados em campanha eleitoral, é apenas mais um exemplo dos tempos esdrúxulos e perigosos.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

TRUMP AMEAÇOU PORTUGAL?



Se espanta que mais de 70% dos israelitas estejam com Benjamin Netanyahu, choca ainda mais que o 25 de abril tenha servido para abafar a incivilidade, desde o presidente da República aos partidos políticos.

A excepção coube a José Luís Carneiro, com palavras firmes e objectivas contra a guerra ilegal, honrando o legado de Mário Soares, Jorge Sampaio e do Partido Socialista.

Aliás, não é por acaso que, entre citações a rodos, de portugueses e estrangeiros, nem uma tenha sido de Leão XIV, por certamente contrariar o discurso oficial e pantanoso.

Os representantes dos órgãos de soberania e as lideranças da maioria dos partidos estão com a brutalidade das armas, obviamente com as mãos postas nas falsas juras de respeito pelo direito internacional.

Há uma interpretação benigna para as referências genéricas de António José Seguro, a do apelo à decência humanitária, mas no actual contexto de carnificina é nada ou quase nada.

O clamor estéril pela transparência também contrasta com a opacidade e até omissão da politicamente seguidista posição portuguesa.

Igualmente, não basta um par de loas sobre o combate à corrupção, o estafado slogan do 25 de Abril, urge escrutinar a razão pela qual, da esquerda à direita, tem havido tanta complacência com a ignomínia.

Portugal tem sido cúmplice de uma das maiores selvajarias da humanidade, pelo que se impõe a questão: Donald Trump ameaçou tomar a base das Lajes se houvesse oposição à passagem de armas ofensivas?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

NAS COSTAS DOS PORTUGUESES


O debate sobre o acordo entre a União Europeia e Israel continua a marcar a actualidade.

Mais de dois anos após o início do genocídio em Gaza, e em plena matança no Líbano, a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, amanhã (21), vai ter de enfrentar o elefante na sala.

Depois de pedir a suspensão do tratado de associação, em Fevereiro de 2024, Espanha quer o rompimento do acordo, acusando Benjamin Netanyahu de violar o direito internacional e os direitos humanos.

«Aquele governo que viola o direito internacional não pode ser parceiro da União Europeia», afirma Pedro Sánchez.

Neste contexto nada se sabe sobre qual é a posição oficial de Portugal, porventura por se levantarem interesses difusos e inconfessáveis.

Os deputados já se pronunciaram há quase um ano sobre a suspensão da parceria (11 de Julho 2025), não tendo sido chamados agora a avaliar a ruptura que está em cima da mesa.

Nem Luís Montenegro nem António José Seguro informaram os portugueses sobre quais as instruções dadas a Paulo Rangel, nem uma palavra expressa de condenação, apenas o silêncio.

A mesma atitude tem sido levada a cabo em relação aos Estados Unidos da América depois do ataque ilegal ao Irão.

Não escasseia acordo entre o primeiro-ministro e o presidente da República, o que falta é respeitar Constituição da República, o direito internacional e os direitos humanos.

Portugal mantém a cumplicidade politicamente criminosa com os regimes párias de Israel e dos Estados Unidos da América nas costas dos portugueses.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

NÃO BASTA REZAR, É PRECISO AGIR

 

As intervenções do Papa Leão XIV e de representantes da cúpula da Igreja, incluindo os norte-americanos, conferem ao Vaticano a liderança mundial pela paz.

Os cardeais Robert McElroy, Pietro Parolin, Pierbattista Pizzaball e Paul Coakley (presidente da Conferência dos bispos dos Estados Unidos da América) são alguns dos exemplos mais proeminentes.

A intervenção tem sido firme, com uma assertividade pouco habitual, que traduz a gravidade da conjuntura, tendo já provocado uma reacção desesperada de Donald Trump.

A Vigília pela Paz, presidida pelo Papa Leão XIV, no passado dia 11 de Abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, representou um apelo inequívoco aos católicos.

Não basta rezar, é preciso agir, concluíram, num gesto que traduz o imperativo inalienável da dimensão humana e social.

A Igreja portuguesa continua vergada a uma política externa pequenina, rasteira e canina, mais preocupada com os seus assuntos de Estado do que estar inequivocamente ao lado da paz mundial.

À excepção de Pedro Sánchez, os líderes europeus afundam no pântano da ilegalidade, do genocídio e da matança no Médio Oriente, numa cumplicidade abjecta com Israel e os Estados Unidos da América.

A União Europeia, liderada por Ursula Von der Leyen, é um espectro assustador que não está à altura da vitória esmagadora de Péter Magyar, na Hungria.

Não há liberdade na Europa, enquanto os negócios de Estado estão objectivamente do lado das armas, dos facínoras e da guerra.

segunda-feira, 30 de março de 2026

O CLAMOR DE LEÃO XIV



As últimas intervenções do Papa Leão XIV têm abalado cidadãos e chancelarias.

Não pode haver meias palavras para sentenciar quem decide a destruição e o genocídio.

Os nunca vistos termos firmes e duros do líder do Vaticano atingem em cheio governantes, independentemente da força dos seus exércitos.

Quem se esconde de inequivocamente condenar o uso arbitrário das armas para assassinar crianças, idosos, homens e mulheres, e depois critica a violação da liberdade religiosa, não merece tolerância nem respeito.

A duplicidade de critérios é tal que até os ambientalistas estão conformados com os desastres ambientais na Ucrânia, em Gaza, no Líbano, no Irão e nos países do Golfo Pérsico, cujos efeitos perdurarão durante décadas.

Nunca o líder dos católicos esteve tão perto dos mais fracos e chacinados, falando sem tibiezas, apesar de outros silêncios monstruosos.

Nunca a União Europeia esteve tão atolada na carnificina gratuita, ensaiando agora um inflamado protesto pela pena de morte depois de pactuar sistemática e indecorosamente com Israel.

Nunca um governo nacional colocou Portugal numa tal posição de infame vassalagem política, dando luz verde aos senhores da guerra.

Não há tecnicidade nem tratado bilateral que possa violar o direito internacional, como institui a Constituição (artigos 7º e 8º), de acordo com a Convenção de Viena (artigos 52º, 53º e 64º), que Portugal assinou em 1969.

A farsa está à vista: a manter-se a situação pária, está esgotado o estado de graça de António José Seguro 50 dias depois da eleição como 21º presidente da República.

segunda-feira, 23 de março de 2026

24 DIAS DEPOIS DO ATAQUE ILEGAL CONTRA O IRÃO



O tempo passa, mas as guerras ilegítimas continuam a deixar rastos de mortes e de destruição que afundam a civilização.

A brutalidade das guerras ilegais está amplamente documentada no estudo “Costs of War Project” (Watson Institute, Universidade Brown, EUA).

A última actualização estima entre 4,5 e 4,7 milhões de mortes no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Síria, Iémen, Somália e Líbia.

Só a invasão e a agressão ao Iraque, de acordo com outro estudo publicado na revista Lancet (2006), regista mais de 1 milhão de mortes (655 mil mortes em excesso entre Março de 2003 e Julho de 2006 e 601 mil por violência directa).

Os russos fazem parte da tragédia impune, com a invasão e a agressão na Ucrânia: mais de 15 mil civis ucranianos mortos e cerca de 2 milhões de baixas militares de ambos os lados, de acordo com fontes das Nações Unidas.

O auge da matança continua em curso com o genocídio em Gaza perpetrado por Israel: 75.200 mortes de palestinianos só até Janeiro de 2025 (“Gaza Mortality Survey”), de 18 de Fevereiro de 2026).

Eis o retrato pavoroso das guerras ilegais nos últimos 25 anos, sem contar com outros efeitos devastadoras de sanções económicas e as mortes e a destruição 24 dias depois do ataque injustificado contra o Irão.

As linhas vermelhas continuam a ser ultrapassadas, numa vertiginosa escalada que ninguém consegue adivinhar onde vai parar.

Portugal esteve sempre vergonhosamente do lado errado, sempre cúmplice dos maiores criminosos do último quarto do século, à excepção da Ucrânia.

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

CUMPLICIDADES CRIMINOSAS CUSTAM CARO


Pactuar com a violação dos mais elementares princípios civilizacionais tem resultado numa deriva perigosa.

Varrer para debaixo do tapete a guerra, as invasões, os danos colaterais (assassinato de civis) e a corrupção de Estado tem dado origem a abusos inomináveis.

Os exemplos sucedem-se, sendo o último o bombardeamento norte-americano à escola Minab, em Teerão, no Irão, matando 110 raparigas.

A comunidade internacional assiste, com mais ou menos declaração, apesar das sondagens nos Estados Unidos da América e na Europa revelarem a oposição dos cidadãos a nova invasão e agressão hediondas.

A vertigem é tal que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, até já faz inflexões sobre o respeito dos princípios da Carta da Nações Unidas.

De facto, a actual lei do mais forte em termos internacionais não pode ser dissociada da falência dos Media, do poder judicial e do consequente esmagamento dos direitos individuais em cada um dos países.

Portugal continua a viver momentos históricos: Luís Montenegro, PM, está sob investigação policial, agora por causa da casa de Espinho; Marcelo Rebelo de Sousa, ex-presidente, a braços com o inquérito criminal por causa do escândalo das gémeas.

Assim, não admira que a União Europeia conviva bem com António Costa, na presidência do Conselho Europeu, apesar do caso dos 75 mil dólares magistralmente recordado por Mário Crespo na CNN Portugal.

Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin, entre outros, não são frutos do acaso, mas sim produtos de anos e anos de omissões e negociatas.

Os custos devastadores das actuais cumplicidades criminosas, aliás sintetizadas no escândalo Epstein, estão mesmo à nossa frente.

segunda-feira, 9 de março de 2026

SOU LIVRE


A declaração de António José Seguro, a 12 de Novembro de 2025 – «É preciso parar de fingir e é preciso passar das palavras aos actos e encontrar soluções» – , é a bússola anunciada para o mandato do 21º presidente da República.

A coesão social, o combate à corrupção e a paz surgem como bandeiras de uma mudança tranquila, princípios com vista a estancar a desconfiança dos portugueses nos órgãos de soberania e regime democrático.

É um desafio de monta, cujo sucesso apenas depende do exclusivo exercício de funções com verdade e com transparência, mais ao serviço dos cidadãos do que a qualquer outro interesse de Estado opaco e difuso.

No discurso de tomada de posse, de cerca de 23 minutos, o presidente da República, António José Seguro, afiançou: «Sou livre! A minha liberdade é a garantia da minha independência como presidente da República».

A palavra da Presidência da República precisa de passar a ter credibilidade e respeitabilidade, sem medos, omissões, abusos de poder, nódoas e exibicionismos em nome de uma proximidade apenas na forma.

segunda-feira, 2 de março de 2026

CAÍRAM AS MÁSCARAS



Os ataques ilegais ao Irão, conduzidos pelos Estados Unidos da América e Israel, permitiram uma clarificação definitiva da nova ordem internacional assente numa paz global a qualquer custo.

Caiu a mascara a Donald Trump, passado um ano e um mês da sua reeleição, tendo em conta a flagrante quebra da promessa de dar prioridade aos norte-americanos (America First).

De igual forma, o primeiro-ministro de Israel confirma a iniciativa de mais uma campanha militar brutal ao arrepio do direito internacional.

Caiu a máscara a Benjamin Netanyahu, depois de negar o genocídio em Gaza e a reinstalação do faroeste na Cisjordânia, mentiras ao serviço de um objectivo hegemónico.

Quatro dias depois do início de mais uma guerra no Médio Oriente, o desnorte dos 27 corrobora a falência política e geoestratégica da União Europeia.

Também caiu a máscara a Ursula von der Leyen, Friedrich Merz e Keir Starmer, entre outros, com a extravagância de condenarem a resposta militar do país agredido de uma forma politicamente irresponsável.

Portugal autoriza novamente o baile indecoroso de aeronaves norte-americanas na base das Lajes, indignando e envergonhando muitos portugueses por cá e em todo o Mundo, ultrapassando os demais aliados de Trump e Netanyahu.

Finalmente, caiu a máscara a Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, agora condenados a terem de assumir claramente o apoio aos agressores, depois de nos últimos meses tentarem disfarçar a cumplicidade com a matança na Palestina.

Caíram as máscaras aos líderes mundiais e demais afins, mas permanece ainda a incógnita: os actuais métodos de regulação de tensões e conflitos internacionais podem alcançar o que o multilateralismo assente na corrupção e a diplomacia bafienta não conseguiram durante décadas?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

RAPOSA OU CORDEIRO?


Reconhecido pelos seus pares, o ex-director nacional da Policia Judiciária foi um dos últimos exemplos visíveis de credibilidade nas instituições.

A transferência directa do topo da Polícia Judiciária para o Executivo mais parece uma qualquer fulgurante contratação de última hora do mundo do futebol, onde tudo se joga nos bastidores.

Na época das portas giratórias, o tempo político é agora marcado pela queda de um polícia incensado e a ascensão de um anjo governamental.

Luís Neves na Administração Interna parece um trunfo político para Luís Montenegro, até pode ser a garantia da reforma da protecção civil e, mais importante, fazer justiça nas condições salariais das polícias, mas também é mais um golpe calamitoso na separação das águas.

Seja qual for a natureza do apelo confessado por Luís Neves, já do outro lado da barricada, em nome do benefício da dúvida só o tempo dará a resposta que falta: raposa ou cordeiro?

Os ucranianos também não escapam a esta tentativa insana, sempre falhada, de misturar a água e o azeite.

Quatro anos depois da invasão russa, o falhanço europeu – de Boris Johnson a Ursula von der Leyen –, deixa ainda mais evidente o desnorte dos 27, encurralados no seu próprio labirinto de pragmatismo selvagem.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

DENTRO E FORA DAS QUATRO LINHAS


Pep Guardiola surpreendeu tudo e todos ao tomar posição sobre o genocídio dos palestinianos, comprovando que o futebol britânico é muito mais do que a bola a rolar e os milhões.

A veemência cristalina da condenação de Israel, bem como da cumplicidade da comunidade internacional, captaram a atenção de todos os Media internacionais de referência.

O treinador do Manchester City abalou as consciências do futebol europeu, vincando ainda mais a promiscuidade das autoridades da UEFA e o embaraço do próprio primeiro-ministro Keir Starmer.

A dimensão do futebol britânico também ficou assinalada por outras declarações desassombradas sobre a imigração de Jim Ratcliffe, o patrão do Manchester United.

Em Portugal, o debate no futebol está tragicamente cingido aos pequenos truques de André Villas-Boas, magistralmente rotulados por Joaquim Rita.

O constante panegírico de Cristiano Ronaldo, rendido aos milhões do ditador da Arábia Saudita, suspeito de mandar assassinar o jornalista Jamal Khashoggi, é a cereja em cima do bolo da pequenez dos agentes desportivos nacionais.

O pulsar da cidadania favorece a grandiosidade do desporto-rei, dentro e fora das quatro linhas, corroborando a gritante diferença entre o futebol britânico e português.

Aliás, não é certamente por acaso que Portugal mantém a prossecução de uma política externa rasteira, sob a liderança de Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, com o Ámen da União Europeia.