segunda-feira, 27 de abril de 2026

TRUMP AMEAÇOU PORTUGAL?



Se espanta que mais de 70% dos israelitas estejam com Benjamin Netanyahu, choca ainda mais que o 25 de abril tenha servido para abafar a incivilidade, desde o presidente da República aos partidos políticos.

A excepção coube a José Luís Carneiro, com palavras firmes e objectivas contra a guerra ilegal, honrando o legado de Mário Soares, Jorge Sampaio e do Partido Socialista.

Aliás, não é por acaso que, entre citações a rodos, de portugueses e estrangeiros, nem uma tenha sido de Leão XIV, por certamente contrariar o discurso oficial e pantanoso.

Os representantes dos órgãos de soberania e as lideranças da maioria dos partidos estão com a brutalidade das armas, obviamente com as mãos postas nas falsas juras de respeito pelo direito internacional.

Há uma interpretação benigna para as referências genéricas de António José Seguro, a do apelo à decência humanitária, mas no actual contexto de carnificina é nada ou quase nada.

O clamor estéril pela transparência também contrasta com a opacidade e até omissão da politicamente seguidista posição portuguesa.

Igualmente, não basta um par de loas sobre o combate à corrupção, o estafado slogan do 25 de Abril, urge escrutinar a razão pela qual, da esquerda à direita, tem havido tanta complacência com a ignomínia.

Portugal tem sido cúmplice de uma das maiores selvajarias da humanidade, pelo que se impõe a questão: Donald Trump ameaçou tomar a base das Lajes se houvesse oposição à passagem de armas ofensivas?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

NAS COSTAS DOS PORTUGUESES


O debate sobre o acordo entre a União Europeia e Israel continua a marcar a actualidade.

Mais de dois anos após o início do genocídio em Gaza, e em plena matança no Líbano, a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, amanhã (21), vai ter de enfrentar o elefante na sala.

Depois de pedir a suspensão do tratado de associação, em Fevereiro de 2024, Espanha quer o rompimento do acordo, acusando Benjamin Netanyahu de violar o direito internacional e os direitos humanos.

«Aquele governo que viola o direito internacional não pode ser parceiro da União Europeia», afirma Pedro Sánchez.

Neste contexto nada se sabe sobre qual é a posição oficial de Portugal, porventura por se levantarem interesses difusos e inconfessáveis.

Os deputados já se pronunciaram há quase um ano sobre a suspensão da parceria (11 de Julho 2025), não tendo sido chamados agora a avaliar a ruptura que está em cima da mesa.

Nem Luís Montenegro nem António José Seguro informaram os portugueses sobre quais as instruções dadas a Paulo Rangel, nem uma palavra expressa de condenação, apenas o silêncio.

A mesma atitude tem sido levada a cabo em relação aos Estados Unidos da América depois do ataque ilegal ao Irão.

Não escasseia acordo entre o primeiro-ministro e o presidente da República, o que falta é respeitar Constituição da República, o direito internacional e os direitos humanos.

Portugal mantém a cumplicidade politicamente criminosa com os regimes párias de Israel e dos Estados Unidos da América nas costas dos portugueses.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

NÃO BASTA REZAR, É PRECISO AGIR

 

As intervenções do Papa Leão XIV e de representantes da cúpula da Igreja, incluindo os norte-americanos, conferem ao Vaticano a liderança mundial pela paz.

Os cardeais Robert McElroy, Pietro Parolin, Pierbattista Pizzaball e Paul Coakley (presidente da Conferência dos bispos dos Estados Unidos da América) são alguns dos exemplos mais proeminentes.

A intervenção tem sido firme, com uma assertividade pouco habitual, que traduz a gravidade da conjuntura, tendo já provocado uma reacção desesperada de Donald Trump.

A Vigília pela Paz, presidida pelo Papa Leão XIV, no passado dia 11 de Abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, representou um apelo inequívoco aos católicos.

Não basta rezar, é preciso agir, concluíram, num gesto que traduz o imperativo inalienável da dimensão humana e social.

A Igreja portuguesa continua vergada a uma política externa pequenina, rasteira e canina, mais preocupada com os seus assuntos de Estado do que estar inequivocamente ao lado da paz mundial.

À excepção de Pedro Sánchez, os líderes europeus afundam no pântano da ilegalidade, do genocídio e da matança no Médio Oriente, numa cumplicidade abjecta com Israel e os Estados Unidos da América.

A União Europeia, liderada por Ursula Von der Leyen, é um espectro assustador que não está à altura da vitória esmagadora de Péter Magyar, na Hungria.

Não há liberdade na Europa, enquanto os negócios de Estado estão objectivamente do lado das armas, dos facínoras e da guerra.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

AFRONTA AOS CATÓLICOS PORTUGUESES




«A morte e a dor causadas por estas guerras são um escândalo para toda a família humana e um grito que se eleva a Deus!».

Esta é uma das muitas declarações de Leão XIV, insistindo na paz, na dignidade e na humanidade, a propósito da devastação em Beirute, Cartum, Gaza e Teerão.

O líder do Vaticano continua a porfiar no apelo ao diálogo e na crítica aos cúmplices, sempre de mãos postas na cobardia da mentira e das meias palavras.

O presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o cardeal D. Rui Valério não podem continuar a refugiar-se nas generalidades, enquanto as armas ofensivas fluem pela base das Lajes.

À beira do precipício, as posições do Estado português e da Conferência Episcopal são afrontas aos católicos portugueses.

Falta a condenação expressa de Israel, dos Estados Unidos da América e da política externa portuguesa que objectivamente serve a guerra e a desumanidade.

À medida da subida do preço dos combustíveis, entre outros efeitos devastadores da guerra, os cidadãos vão recordar quem tolerou o arbítrio e o genocídio.

O ataque ilegal e injustificado contra o Irão merece uma resposta universal, a exemplo daquela dada financeiramente pela Dinamarca ao último delírio norte-americano de invasão da Gronelândia – “Sell America”.

Só a corrupção de Estado pode continuar a adiar o vergar da 27ª economia (Israel) e do maior devedor mundial (EUA).

Afinal, o dinheiro foi sempre a única moeda de troca reconhecida entre assassinos.