Após a Revolução dos Cravos, a política externa passou por uma reorientação profunda: fim do império colonial, democratização e integração na comunidade internacional.
As propostas pacifistas, não-alinhadas ou ainda mais próximas dos blocos soviético e chinês inviabilizaram inicialmente um acordo maioritário que apenas chegou com a adesão à CEE, em 1985.
O consenso democrático – centrado na Europa, no Ocidente e na cooperação lusófona – foi uma construção de Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral.
Importa ainda nunca esquecer: a entrada na NATO (1949) e os acordos das Lajes (1951) vêm de António Oliveira Salazar, tendo sido abraçados pela democracia.
Passados 40 anos da adesão europeia, o que distingue as cumplicidades do governo de Luís Montenegro e dos maiores partidos políticos (PSD, Chega, PS e IL) com o genocídio em Gaza e a ocupação ilegal na Cisjordânia?
A resposta é factual: nada!
As linhas fundamentais da política externa democrática foram engolidas pelo Bloco Central, agora paradoxalmente alargado aos partidos liderados por André Ventura e Mariana Leitão.
Na realidade, o “centrão” instalou-se, alargou-se, sendo que as indecorosamente tímidas investidas da esquerda mais à esquerda fazem temer o pior: o unanimismo na forma como Portugal olha e está no Mundo.
É a construção de uma sociedade em que os direitos humanos, o direito internacional e o multilateralismo estão prisioneiros do pragmático deslassar de princípios e valores universais.
Quando o bem maior equivale a vergonha mínima, resta apenas desejar: boa sorte, Portugal.

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