segunda-feira, 6 de julho de 2026

MARTINEZ, RONALDO & COMPANHIA AINDA PODEM ESCOLHER


Os jogadores de futebol são muitas vezes estigmatizados com as imagens do pobre e do analfabeto que aproveitam um dom inato para subir na vida.

Actualmente, o profissional de futebol é muito diferente, quanto às origens, instrução e ambições.

Os "heróis do mar" de Luís Montenegro e António José Seguro já ouviram falar dos genocídios da Bósnia, no final do século XX, e de Gaza, ainda em curso.

Alguns deles até podem conhecer o diário de Zlata Filipović escrito por uma menina (dos 11 aos 13 anos), durante o cerco a Sarajevo (1992-1996).

FOME!!

MISÉRIA!!!

MEDO!!!

Esta é a minha vida.

A vida de uma menina inocente de 11 anos!!

Uma aluna sem escola, sem as alegrias e a excitação da vida escolar.

Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem fruta, sem chocolate nem rebuçados — só com um pouco de leite em pó.

Ontem, como hoje, agora, sem opção, esta é igualmente a vida de uma qualquer criança palestina, se houver sobrevivido às bombas, aos drones, aos soldados e aos snipers de Israel nos últimos 1000 dias.

A glória, a fama, a riqueza e as vitórias também podem estar ao serviço de quem nunca cresceu com a oportunidade de simplesmente brincar, ir à escola, jogar à bola e sonhar com um futuro justo.

A vida é sempre maior do que a lenda e o futebol, como aconteceu em Maio passado na “La Liga”, nos estádios Vallecas e Camp Nou.

Passado um mês, emigrantes portugueses seguiram os gestos de Ilias Akhomach e de Lamine Yamal, desfraldando bandeiras da Palestina e de Portugal nas ruas de Toronto, no Canadá, sinal de regozijo após o triunfo, mas também cidadania, empatia e esperança.

Afinal, Roberto Martinez, Cristiano Ronaldo e companhia, com a garantia de que não há qualquer castigo da FIFA, ainda podem escolher, mais uma vez, porque a vida é sempre maior do que o Mundial de 2026.