segunda-feira, 29 de junho de 2026

DESCARADOS E DESMASCARADOS


O genocídio dos judeus, às mãos dos alemães, com a cumplicidade dos italianos, entre outros, nos anos 40, contou com a oposição da generalidade dos países europeus, ainda que tardia.

Actualmente, o genocídio dos palestinianos tem a União Europeia do lado de Israel, com a Alemanha e a Itália na liderança.

A monstruosidade tem ainda mais uma agravante: o rearmamento frenético dos alemães.

Na II Grande Guerra, António Oliveira Salazar afirmava uma neutralidade que, na hora da verdade, sempre favoreceu o eixo dos assassinos e fascistas.

Hoje, as grandes e eloquentes declarações dos representantes dos órgãos de soberania de Portugal têm resultado idêntico: a cumplicidade objectiva com os párias, os Estados Unidos da América e Israel.

A liderança das Nações Unidas e a eleição para o Conselho de Segurança não têm sido suficientes para travar a deriva imprudente da actual governação, aliás como das anteriores.

Uma semana depois da ONU ter oficializado o genocídio em Gaza, Luís Montenegro e António José Seguro continuam calados e descarados, irremediavelmente desmascarados, quais algozes com sangue nas mãos.

Ser radical e extremista, hoje, é abafar a ignomínia do genocídio, é fazer ouvidos de mercador em relação às palavras firmes e serenas de Leão XIV.

Resta o exemplo do povo bósnio na defesa dos palestinianos: é a empatia de quem sobreviveu a um genocídio, e se reconhece na posição de mais uma vítima de uma força militar superior e insolentemente ocupante.

Depois da matança de 8 mil homens, mulheres e crianças em Srebrenica (1995), os europeus também condenaram, enviaram ajuda humanitária e tropas de paz, mas falharam estrondosamente em evitar a limpeza étnica.

É o preço a pagar por quem está sempre disponível para virar a cara, encolhendo os ombros, sabe lá Deus a que preço.

Amanhã, talvez já seja demasiado tarde para desviar a atenção da bola, pois a matança continua.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

BYE-BYE, STARMER


Ninguém prognosticou um fim tão desastroso para o advogado de direitos humanos, responsável pelo Brexit no partido Trabalhista (Labour), que chegou ao poder no dia 5 de julho de 2024.

Após 14 anos seguidos de governos conservadores (2010–2024), e depois da substituição de Jeremy Corbyn, em Abril de 2020, entrou pela porta de 10 Downing Street, foi o primeiro primeiro-ministro trabalhista desde Gordon Brown (2010) e o primeiro a vencer uma eleição geral desde Tony Blair (2005).

O corte no Winter Fuel e a reforma do sistema de apoios sociais (2024–2026), o escândalo Mandelson (2025/2026), o fraco desempenho económico e a política de apoio a Israel traçaram o seu destino político.

Ninguém jamais poderá esquecer uma das suas declarações mais assassinas, a 11 de Outubro de 2023: «Israel does have that right to cut off water & power from Gaza».

O espectáculo das prisões de cidadãos, classificados como “terroristas”, por apenas protestarem contra a cumplicidade do Reino Unido com o genocídio em Gaza, foi o epílogo sinistro, aliás com o contributo do politicamente cínico David Lammy.

A gigantesca derrota nas eleições locais de Maio de 2026 marcou o fim anunciado.

A queda retumbante de Keir Starmer também é um rude golpe para o governo liderado por Luís Montenegro, sistemática e tragicamente alinhado com as políticas facínoras do Reino Unido que permitiram o contínuo negócio de venda de armas para Israel.

Falta ainda escrever a página mais negra de Keir Starmer: o encontro com o Tribunal Penal Internacional, a confirmar-se a promessa, a 5 de Junho de 2026, de um dos candidatos a suceder-lhe, Andy Burnham: «There has to be a full process of investigation and accountability».

segunda-feira, 15 de junho de 2026

HERÓIS DO MAR


O alheamento em relação às ocupações ilegais pela força, na Ucrânia, Palestina e Líbano, entre outras latitudes, continua a fazer o seu caminho.

As explicações são prosaicas, ainda que trágicas.

O Mundo inteiro quase esquece as guerras, agora com o início do campeonato mundial de futebol e mais um anúncio de paz.

A banalização da morte, do arbítrio, da injustiça e da lei do mais forte varre qualquer vislumbre de indignação e consciência criticas.

Os Media participam na encenação gigantesca relativamente às origens que estão na base dos actuais conflitos, seja em Gaza, em Beirute e em Kiyiv.

A desfaçatez e a ignorância são de tal calibre que se chega a incensar os criminosos e os ocupantes, apontando a mira a quem resiste, mesmo debaixo da mais vil e desproporcional chacina.

Apesar das matanças sanguinárias, algumas com a cumplicidade de Portugal, os jogadores da selecção lusa de futebol ascendem ao zénite dos discursos dos representantes das instituições nacionais.

Luís  Montenegro e António José Seguro não hesitam: são os heróis do mar.

Os cidadãos que esperam e desesperam por saúde, justiça, educação, segurança, e que foram obrigados a aguentar mais uma escandalosa falha no SNS, têm de esperar por igual atenção, entusiasmo e carinho.

O arrastar dos mais indecorosos estrangulamentos, que persistem décadas a fio, podem esperar mais um mês.

As pomposas juras de respeito pelos direitos humanos e internacionais também, sem que o ridículo cubra de vergonha os seus autores.

Afinal, os discursos populistas, mentirosos e parolos não têm limites, mais bola menos bola.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

BANHO DE SANGUE PERPÉTUO


Passados 70 anos de ocupação israelita – Jordânia, Líbano (Fazendas de Shebaa), Palestina (Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Gaza) e Síria (Colinas de Golã) –, os ataques entre Irão e Israel regressaram.

Os desmandos sanguinários e genocidas dos governos de Israel, desde 1948, provocaram outra tantas reacções dos países árabes.

Actualmente, face ao iminente acordo entre os Estados Unidos da América e o Irão, Israel volta a atacar em força, minando novamente qualquer hipótese de paz.

Seja qual for o móbil, desde a sobrevivência política de Benjamin Netanyahu ou qualquer outra tropelia de Donald Trump, impõe-se a questão: até quando a loucura instalada no Médio Oriente?

A resposta é muito mais simples do que a complexidade invocada por governantes, políticos e demais comentadores politicamente cobardes.

É a tolerância com a ganância das indústrias de armamento, a impunidade dos prevaricadores que violam o direito internacional e a corrupção de Estado instalada que permitem o banho de sangue perpétuo.

As atitudes cúmplices de Friedrich Merz e de Ursula von der Leyen ficam para a história com uma das maiores monstruosidades, mais uma, depois do holocausto às mãos dos nazis.

Pelas boas razões, lado a lado com o Papa Leão XIV, também será lembrada a coragem de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, que enfrenta os fanáticos instalados no poder em Israel.

E Portugal?

Não é certamente por acaso ou acidente que a política externa pequenina acabou de ser compensada pela comunidade internacional.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

PARA QUE SERVE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA?


A justiça internacional está sob os holofotes mundiais por causa das investigações aos crimes na Palestina, no Líbano, na Ucrânia e demais países africanos.

Fatou Bensouda, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), não aguentou mais, tal como já o fizera Francesca Albanese, sujeita ao alarve boicote de Donald Trump.

Em entrevista à Al Jazeera, a magistrada gambiana revelou ameaças, pressões e sanções durante as investigações aos crimes de guerra e contra a humanidade nos territórios palestinos ocupados.

A jornalista Step Vaessen não disfarçou o choque com o relato da ameaça directa de Yossi Cohen, chefe da Mossad, nem com o desabafo: «Senti-me abandonada. Senti-me sem apoio».

Os magistrados dos tribunais internacionais estão sob fortíssima pressão, desde ameaças até sanções ad hominem, apesar das declarações piedosas de governantes e líderes políticos mundiais.

O que se passa nos corredores da justiça internacional também se passa na justiça portuguesa, com a diferença de monta que ainda há magistrados que não se calam nem são cúmplices.

O acordo entre a União Europeia e Israel e o silêncio face aos norte-americanos têm legitimado a selvajaria reinante que tem permitido o uso e o abuso da brutalidade militar e o genocídio em curso.

O presidente da República não pode ficar em silêncio face ao grotesco anúncio de Israel em cortar relações com António Guterres, secretário-geral da ONU.

António José Seguro não pode continuar refém do faz-de-conta da política externa pequenina e da política de justiça falida do governo liderado por Luís Montenegro.

Sem poder Executivo, afinal para que serve o presidente da República de Portugal?