segunda-feira, 27 de julho de 2026

GRANDE INVESTIGAÇÃO


Presidentes e primeiros-ministros estrangeiros, Media e organizações de referência internacional, todos têm lançado apelos lancinantes para estancar a continuação do genocídio em Gaza e os ataques selváticos na Cisjordânia.

Em Portugal, o silêncio é tumular, juntando representantes dos órgãos de soberania, os líderes dos partidos políticos e as direcções de informação das televisões generalistas.

Do canal público (RTP) aos privados (SIC e TVI), dos partidos de esquerda à direita, as notícias sobre a matança imposta por Israel na Palestina desapareceram subitamente do horário nobre nos últimos tempos.

Até os apelos pungentes de António Guterres são ignorados, revelando uma concertação que só pode ser muito mais do que um acaso, estando mesmo em equação uma omertà criminosa.

O artigo 37º da Constituição da República Portuguesa estabelece que a liberdade de expressão e de informação não pode ser limitada por qualquer tipo ou forma de censura.

Anda assim como se chega a este sincronismo tenebroso num ambiente de alegada pluralidade de órgãos de informação e partidos políticos.

Em vigor a partir de 27 de Julho, a Lei n.º 5-A/2026 visa regular a actividade de lobby em Portugal, garantindo transparência nas interacções entre entidades privadas, nacionais ou estrangeiras, e entidades públicas.

Só com uma grande investigação será possível deslindar se estamos perante a corrupção generalizada para garantir que os portugueses fiquem alheados da realidade que tem chocado os cidadãos de todo o planeta.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

ANDY BURNHAM, HILLSBOROUGH E O CHORADINHO


O manto da opacidade é cada vez mais politicamente descarado em Portugal, com a nebulosa a engolir agora os ministros Fernando Lourenço e Luís Neves.

Neste cenário pavoroso, importa sublinhar a aprovação da “Lei Hillsborough”, no Reino Unido, uma estrondosa retratação pública 37 anos depois do desastre no estádio do Liverpool que provocou 97 mortes.

É de monta a tentativa de estancar silêncios, mentiras e meias-verdades para encobrir o Estado, mesmo à custa de tentar salvar a monstruosa cumplicidade de Keir Starmer com crimes de guerra e contra a humanidade.

É o pontapé de saída de Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, com uma lei que impõe às autoridades públicas o dever de dizer a verdade e cooperar com as investigações oficiais.

Ainda que dependendo da ratificação da Câmara dos Lordes, é um primeiro passo para garantir a justiça para as pessoas comuns.

Não admira que a RTP tenha ignorado olimpicamente esta legislação revolucionária, entre outros Media, comentadores e analistas, pois o critério está abastardado e na maioria dos casos a soldo.

Manter os cidadãos na ignorância facilita a leviandade política, hoje de Fernando Alexandre e Luís Neves, como ontem de Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa (inquéritos SPINUMVIVA e gémeas), entre outros.

A repetição do choradinho sobre o recrutamento político renova a dimensão da tragédia portuguesa, repetida e impune, condenando os cidadãos a mais escuridão, subdesenvolvimento e pobreza.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

GOVERNO, MINISTROS E MEDIA

 

À medida que se aproxima a negociação do Orçamento do Estado para 2027, Luís Montenegro provoca a oposição com arrogâncias, medidas precipitadas e omissões inexplicáveis.

A sucessão de erros, atropelos e trapalhadas, mesmo dos ministros com melhor performance, tem sido temperada por outras decisões infantis.

O exemplo mais flagrante é a Educação, com uma reforma, mais uma, a esbarrar na incúria do ministro da tutela, lançando centenas de milhares de alunos e famílias na incerteza.

Nas Infraestruturas, é o faz-de-conta na habitação, comprometendo a imagem conquistada de acção e competência.

Por último, e para espanto geral, o incensado ministro da Administração Interna surge agora envolvido em ameaças politicamente alarves ao Chega e num caso de favorecimento de um amigo empreiteiro.

Fernando Alexandre, Miguel Pinto Luz e Luís Neves são o espelho de ministros em queda, acentuando ainda mais a parte do Executivo que se tem destacado pela ausência ou pela criminosa geometria variável.

Um ano e dois meses depois das últimas legislativas, o XXV governo constitucional surge desgastado, sem vislumbre de mobilização, nem mesmo da sua base de apoio.

Objectivamente, o critério errático de António José Seguro agrava ainda mais a tensão social e política.

Não passa pela cabeça de nenhum português a realização de eleições antecipadas, mas a corrida em direcção ao abismo, o desnorte da Comissão Europeia e a guerra à vista podem gerar uma instabilidade imprevisível.

Afinal, o alinhamento dos espaços informativos televisivos em prime time, com base em milhões alegadamente desinteressados, já não é há muito tempo o factor determinante para avaliar a governação.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MARTINEZ, RONALDO & COMPANHIA AINDA PODEM ESCOLHER


Os jogadores de futebol são muitas vezes estigmatizados com as imagens do pobre e do analfabeto que aproveitam um dom inato para subir na vida.

Actualmente, o profissional de futebol é muito diferente, quanto às origens, instrução e ambições.

Os "heróis do mar" de Luís Montenegro e António José Seguro já ouviram falar dos genocídios da Bósnia, no final do século XX, e de Gaza, ainda em curso.

Alguns deles até podem conhecer o diário de Zlata Filipović escrito por uma menina (dos 11 aos 13 anos), durante o cerco a Sarajevo (1992-1996).

FOME!!

MISÉRIA!!!

MEDO!!!

Esta é a minha vida.

A vida de uma menina inocente de 11 anos!!

Uma aluna sem escola, sem as alegrias e a excitação da vida escolar.

Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem fruta, sem chocolate nem rebuçados — só com um pouco de leite em pó.

Ontem, como hoje, agora, sem opção, esta é igualmente a vida de uma qualquer criança palestina, se houver sobrevivido às bombas, aos drones, aos soldados e aos snipers de Israel nos últimos 1000 dias.

A glória, a fama, a riqueza e as vitórias também podem estar ao serviço de quem nunca cresceu com a oportunidade de simplesmente brincar, ir à escola, jogar à bola e sonhar com um futuro justo.

A vida é sempre maior do que a lenda e o futebol, como aconteceu em Maio passado na “La Liga”, nos estádios Vallecas e Camp Nou.

Passado um mês, emigrantes portugueses seguiram os gestos de Ilias Akhomach e de Lamine Yamal, desfraldando bandeiras da Palestina e de Portugal nas ruas de Toronto, no Canadá, sinal de regozijo após o triunfo, mas também cidadania, empatia e esperança.

Afinal, Roberto Martinez, Cristiano Ronaldo e companhia, com a garantia de que não há qualquer castigo da FIFA, ainda podem escolher, mais uma vez, porque a vida é sempre maior do que o Mundial de 2026.