Os jogadores de futebol são
muitas vezes estigmatizados com as imagens do pobre e do analfabeto que
aproveitam um dom inato para subir na vida.
Actualmente, o profissional de
futebol é muito diferente, quanto às origens, instrução e ambições.
Os "heróis do mar" de
Luís Montenegro e António José Seguro já ouviram falar dos genocídios da Bósnia,
no final do século XX, e de Gaza, ainda em curso.
Alguns deles até podem conhecer
o diário de Zlata Filipović escrito por uma menina (dos 11 aos 13 anos),
durante o cerco a Sarajevo (1992-1996).
FOME!!
MISÉRIA!!!
MEDO!!!
Esta é a
minha vida.
A vida de
uma menina inocente de 11 anos!!
Uma aluna
sem escola, sem as alegrias e a excitação da vida escolar.
Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem fruta, sem chocolate nem rebuçados — só com um pouco de leite em pó.
Ontem, como hoje, agora, sem
opção, esta é igualmente a vida de uma qualquer criança palestina, se houver
sobrevivido às bombas, aos drones, aos soldados e aos snipers de Israel nos
últimos 1000 dias.
A glória, a fama, a riqueza e as
vitórias também podem estar ao serviço de quem nunca cresceu com a oportunidade
de simplesmente brincar, ir à escola, jogar à bola e sonhar com um futuro
justo.
A vida é sempre maior do que a
lenda e o futebol, como aconteceu em Maio passado na “La Liga”, nos estádios Vallecas
e Camp Nou.
Passado um mês, emigrantes
portugueses seguiram os gestos de Ilias Akhomach e de Lamine Yamal, desfraldando bandeiras da Palestina e de Portugal nas
ruas de Toronto, no Canadá, sinal de regozijo após o triunfo,
mas também cidadania, empatia e esperança.
Afinal, Roberto Martinez,
Cristiano Ronaldo e companhia, com a garantia de que não há qualquer castigo da
FIFA, ainda podem escolher, mais uma vez, porque a vida é sempre maior do que o
Mundial de 2026.

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