segunda-feira, 15 de junho de 2026

HERÓIS DO MAR


O alheamento em relação às ocupações ilegais pela força, na Ucrânia, Palestina e Líbano, entre outras latitudes, continua a fazer o seu caminho.

As explicações são prosaicas, ainda que trágicas.

O Mundo inteiro quase esquece as guerras, agora com o início do campeonato mundial de futebol e mais um anúncio de paz.

A banalização da morte, do arbítrio, da injustiça e da lei do mais forte varre qualquer vislumbre de indignação e consciência criticas.

Os Media participam na encenação gigantesca relativamente às origens que estão na base dos actuais conflitos, seja em Gaza, em Beirute e em Kiyiv.

A desfaçatez e a ignorância são de tal calibre que se chega a incensar os criminosos e os ocupantes, apontando a mira a quem resiste, mesmo debaixo da mais vil e desproporcional chacina.

Apesar das matanças sanguinárias, algumas com a cumplicidade de Portugal, os jogadores da selecção lusa de futebol ascendem ao zénite dos discursos dos representantes das instituições nacionais.

Luís  Montenegro e António José Seguro não hesitam: são os heróis do mar.

Os cidadãos que esperam e desesperam por saúde, justiça, educação, segurança, e que foram obrigados a aguentar mais uma escandalosa falha no SNS, têm de esperar por igual atenção, entusiasmo e carinho.

O arrastar dos mais indecorosos estrangulamentos, que persistem décadas a fio, podem esperar mais um mês.

As pomposas juras de respeito pelos direitos humanos e internacionais também, sem que o ridículo cubra de vergonha os seus autores.

Afinal, os discursos populistas, mentirosos e parolos não têm limites, mais bola menos bola.

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