segunda-feira, 1 de setembro de 2025

PALAVRAS PRESIDENCIAIS OCAS


À medida da falência da União Europeia, em termos estratégicos e militares, na actual conjuntura de guerras na Ucrânia e em Gaza, entre outras, Marcelo Rebelo de Sousa entrou novamente em cena de cabeça perdida.

Fica mais uma intervenção desastrosa: classificar Donald Trump como um activo russo.

Felizmente, externamente, tal como internamente, já ninguém leva a sério o inquilino de Belém.

Porém é útil avaliar os extremos de impunidade e dissimulação que têm caracterizado os dois mandatos presidenciais.

Por um lado, enterrado na subserviência a Israel, manobras de diversão à parte, Marcelo Rebelo de Sousa atinge novo pico de desatino político, atirando uma pedrada a quem, genuína ou dissimuladamente, ainda tenta a paz.

Por outro, o alinhamento com o Reino Unido, sem apelo nem agavo, é mais uma prova do fingimento grotesco ao nível internacional.

É bem verdade que a condução da política externa é da responsabilidade de Bruxelas, perdão, do governo da República.

Mas para quem enche a boca com os imigrantes e os direitos humanos não deixa de ser burlesco a dualidade em relação aos massacres de idosos, crianças e mulheres em directo e a cores.

Se alguns tentam justificar o injustificável com interesses de Estado, então ao menos que se calem as vozes que continuam a aviltar a dignidade dos portugueses.

Mergulhados no caos que continua a ser abafado ou camuflado, Portugal está à mercê das palavras presidenciais ocas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

MARCELO IGUAL A SI PRÓPRIO


Mais de nove anos depois da primeira eleição, a 24 Janeiro de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa mantém o padrão: a dissimulação política.

Tem valido tudo pela popularidade, mas mais de 40% dos portugueses continuam a dar-lhe nota negativa.

Tem sido assim nas mais diferentes áreas, designadamente em relação aos incêndios.

Ninguém esquece a dramática promessa, em Pedrógão, de não se recandidatar, em 2021, se o Estado voltasse a falhar na defesa das vidas humanas e houvesse nova tragédia.

Na actual conjuntura de tragédia a receita é mesma: uns palpites, muita emoção, uns velórios, uns funerais e a vida continua.

Como se não bastasse tanta vacuidade institucional e política, Marcelo Rebelo de Sousa ainda se permite dar conselhos de lisura a Volodymyr Zelensky, denunciando "pretensos medianeiros" da paz em mensagem enviada no Dia Nacional da Ucrânia.

Ao mesmo tempo que continua politicamente mute as a fish (calado como um rato) sobre Gaza, o genocídio dos palestinianos, uma matança de civis em que não escapam crianças, idosos e mulheres.

Os exemplos multiplicam-se em relação a outros desastres em curso: escola, habitação, justiça, segurança, SNS, etc.

À beira do fim do segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa, antes e depois de Belém, manteve a mesma atitude, as precipitações costumeiras, os caprichos habituais e a permanente confusão que acompanhou a sua vida política.

A factura está à vista, mas ainda está por contabilizar os prejuízos para o país e para os cidadãos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

MESMO À FRENTE DOS NOSSOS OLHOS


Mais de 400 mil israelitas em Jerusalém e outras centenas de milhares em Israel clamaram pelo fim da guerra e pela libertação dos reféns nas mãos do Hamas.

O clamor não foi suficiente para demover Benjamin Netanyahu e os restantes criminosos de guerra do governo que lidera.

É uma tragédia que pode ser comparada com o que se passa com os incêndios em Portugal: a mesma dor, o mesmo sofrimento, a mesma indignação, a mesma impunidade.

A questão é que os cidadãos da democracia israelita são informados, activos e fortes, enquanto a cidadania em Portugal é quase inexistente.

Os exemplos são vários: escola, habitação, justiça, saúde e segurança comprovam este estado de letargia incompreensível.

Ainda traumatizados pelos excessos do PREC, os portugueses tardam em despertar, convencidos que o Estado, o governo e as instituições lhes vão valer.

Que não haja ilusões: as duas grandes prioridades dos governantes são o dinheiro (clientelas) e a força (poder).

O resto será sempre o resto, enquanto não forem obrigados a inverter as prioridades.

O mais grave é que a história nos ensina que em situações extremas de bloqueio, qualquer que seja o regime, há sempre uma guerra fabricada para garantir a união nacional.

Gaza (Palestina), Darfour (Sudão), Kiev (Ucrânia), entre outros palcos da infinita grosseria, estão mesmo à frente dos nossos olhos.




segunda-feira, 11 de agosto de 2025

HUMANISMO É A NOVA COMMODITY DO SÉCULO XXI


Os esgotamentos do colectivismo, do mercado e do modelo das democracias estão a fazer ruir um Mundo imperfeito que ainda se orgulhava de um denominador comum de valores universais. 

Cidadãos fogem das ditaduras para serem capturados por sociedades em que se ganha dinheiro com a morte, a doença, a exclusão, as armas e todo o tipo de tráficos.

Se o sonho da liberdade individual continua a falar mais alto, a actual realidade do Estado no Ocidente dá provas de uma regressão sem par.

Actualmente, o governo eleito de Israel, contra a vontade de cerca de 70% dos israelitas, pode continuar a levar a cabo impunemente o genocídio em Gaza.

Um ditador sanguinário pode invadir a Ucrânia, tendo como garantido que nada lhe pode acontecer, porque é uma potência nuclear.

No Sudão, em Darfur, a ganância divide uma sociedade em que uns e outros se matam, perante a comunidade internacional alheada.

O humanismo é a nova commodity do século XXI que se compra e vende à medida da alta corrupção, de interesses instalados e de falsas razões de Estado.

É a conjuntura mais alarmante de sempre, com a guerra também instalada noutros lugares vítimas da selvajaria humana, em que os direitos humanos passaram a ser fantasia ou mera retórica.

Na Palestina não caem anjos do céu, apenas bombas ou comida que chega a matar crianças esfaimadas.

A derradeira esperança de uma voz que alerte para o opróbrio desaparece à medida que os jornalistas e os socorristas continuam a tombar.

 

 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

ENTRE CANALHAS ASSUMIDOS E FALSOS CORDEIROS

 
No momento em que está aberta a polémica sobre a disciplina de cidadania, a questão mais premente continua a ser ignorada.

Se a educação sexual e a literacia financeira são importantes na escola, derivas ideológicas à parte, o reforço de outros valores é tão ou ainda mais decisivo.

Os exemplos atropelam-se.

O país continua a arder sem que os responsáveis assumam as consequências das suas leis.

Os doentes morrem, por falta de socorro e cuidados de saúde, sendo que os responsáveis ainda se atrevem a fazer fugas em frente para melhor escapar ao juízo da comunidade.

Em Gaza, responsáveis e cúmplices do genocídio dos palestinianos, pasme-se, indignam-se pelo não agradecimento das tardias migalhas oferecidas e até garantem mais tempo para o crime hediondo continuar.

A questão é fornecer as ferramentas indispensáveis para destrinçar aqueles que, mesmo sabendo o que são, enganam os mais jovens e vulneráveis através de falsas razões de Estado e golpes de marketing para parecerem aquilo que não são.

Os valores da cidadania ganham ainda mais importância quando o MP cava a sete pés da acção penal, em tempo útil, face ao poder executivo e administrativo, por falta de meios ou vontade para agir.

Em suma, a distinção entre canalhas assumidos e falsos cordeiros é um exercício primordial num regime democrático.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

A BARBÁRIE COMEÇOU ASSIM



António Guterres fala de crise moral por causa do genocídio em Gaza, à custa de bombas, fome e deslocação forçada de milhões de palestinianos.

A questão não é de agora, nem de hoje.

Seria fastidioso, quiçá impossível, enumerar os múltiplos massacres e atropelos ao direito internacional, mas basta recuar algumas décadas para o comprovar.

Desde logo pela história da Palestina, cuja resistência de mais de 70 anos continua a corcovar Israel.

A impunidade das super potências, e dos seus apaniguados, agravada pela globalização selvagem, não deixa quaisquer dúvidas.

Os negócios de Estado, as amarras e as cumplicidades entre democracias e ditaduras têm feito o resto.

O espectáculo é pavoroso, com o poder e o dinheiro a matarem indiscriminadamente e a fazerem a civilização recuar décadas.

As imagens da destruição na Ucrânia e da fome generalizada em Gaza, sem esquecer África, servem de alerta.

A barbárie começou assim com Adolf Hitler.

No século XXI será assim com Herzog, Jinping, Meloni, Merz, Netanyahu, Putin, Starmer, e Trump, entre outros cúmplices menos relevantes, mas também decisivos?

segunda-feira, 21 de julho de 2025

FALTAM NOVAS LUZES


Não há nada mais politicamente abjecto do que sacrificar seres humanos para atingir objectivos inconfessáveis.

No dia-a-dia, na paz como na guerra, só canalhas sem escrúpulos usam o seu poder e influência para desprezar os mais básicos direitos humanos: direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
 
Uns e outros, de um lado e do outro, vestem peles de cordeiro para disfarçar a crueldade e o sadismo, pois não há nada mais criminoso do que imolar inocentes.
 
Em Gaza morrem e são mortos mulheres, homens, idosos e crianças em nome do fundamentalismo religioso, ideológico, imperialista e expansionista.
 
A imigração é também pasto para os facínoras que, em nome da falsa solidariedade, apenas visam garantir abundante trabalho escravo, nem que seja à custa de condições infra-humanas.
 
Confortados pela máquina da propaganda, ameaçados pela liberdade das redes sociais, a chusma mente, dribla e promete descaradamente humanismo enquanto destrói sem olhar a meios.
 
Nunca o Estado teve tantos meios de controlo, repressão, intimidação e humilhação dos cidadãos que não se conformam com iniquidade.
 
Nem a lei os protege de governantes, líderes e políticos rascas sem limites de sede pelo poder.
 
O Estado de Direito, nacional e internacional, está a morrer à nossa frente, mesmo nos países que alguns insistem em chamar democracias ocidentais.
 
A selvajaria, o arbítrio, a força bruta e a ignorância fazem o seu intrépido caminho, garantindo que os tais objectivos inconfessáveis, de uns e outros, sejam atingidos à boleia dos votos ou da vontade do ditador.
 
A nossa época não é a Idade Média, é muito pior, porque se mata, condena e esmaga sem mito nem magia, apenas por domínio e dinheiro, com a aquiescência ou indiferença colectivas.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

SORRIR, SORRIR, SORRIR


A realidade insiste em superar todos os piores cenários

Os bebés morrem, os suspeitos são torturados na polícia, as vítimas de acidentes e os cidadãos esperam décadas pelos julgamentos e as mulheres continuam a ser vítimas de violência doméstica.

Estes são apenas um par de exemplos de um país de faz-de-conta em que afinal apenas a máquina fiscal mais parece ter o direito implacável de esbulho e extorsão, pois qualquer reclamação exigiria anos e anos sem fim.

O vómito constante de falsas quimeras e promessas, com a cumplicidade activa e passiva da comunicação social, fecha o ciclo infernal da existência a que uns e outros lá se vão habituando.

O resultado é um desvario ilimitado, em que o autoritarismo e a violação deliberada da lei, que estão a vir à tona, fazem parte do pacote de total impunidade.

O feitiço é de monta: a responsabilidade passou a ser a irresponsabilidade assumida travestida de uma qualquer espécie de dignidade.

Resta saber se é a vertigem da guerra que está a conduzir a sociedade ao delírio, ou se é o delírio global que nos está a empurrar para mais uma guerra mundial.

O exemplo de Gaza é apenas um sintoma do futuro que está a ser desenhado com a conivência geral.

O mais extraordinário é que os responsáveis por esta trapalhada, desde os governantes aos cidadãos que os elegem, continuam a sorrir, sorrir, sorrir, ainda que ninguém consiga descortinar qual o motivo de tanto contentamento.