A visibilidade da explosão do fluxo migratório, cujo expoente foi atingido em Ceuta, deve ser um sinal de alarme, mais um, para Portugal.
Não é o único, pois o desnorte governamental levou à apresentação da justa moção de censura do Chega que, aliás, nunca obriga a priori a eleições antecipadas.
Luís Montenegro não pode continuar a ignorar as críticas de todo o lado, indiferente ao coma político de Luís Neves, pois o país está pior, desde a saúde à justiça, enquanto cresce a insegurança.
A instabilidade em Portugal não é alheia à governação dos 27, cada vez mais enredada na guerra da Ucrânia, enquanto ignora o genocídio na Palestina e o ataque ao Líbano às mãos de Israel.
Aliás, não pode haver nada mais trágico do que a monstruosa cumplicidade dos líderes europeus em relação ao Médio Oriente, afinal a origem do aumento do custo de vida que está a esmagar os europeus.
A vitória da AdF (Alternativa para a Alemanha) na Saxónia-Anhalt é apenas mais um efeito da liderança de Friedrich Merz, o “boss” de uma união que já tem uma dívida pública de 82,9% do PIB.
Afinal, a alternância ainda é ou já não é a democracia a funcionar?
A campanha do medo já não desmobiliza nem portugueses nem europeus, fartos de corrupção e do esmagamento de direitos individuais e sociais.
Há quem, em pânico, culpe a “gritaria”, outros mais independentes alcançam que é o repúdio veemente da política do “centrão” das negociatas, da geometria variável e da lei do faroeste.
Basta uma rápida passagem pelas redes sociais para compreender o início do pesadelo dos europeus, como lhe chamou Henrique Burnay, singela e liminarmente.
Atirar ao mensageiro é apenas e sempre a solução mágica dos tiranos.

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