segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MAIS UNS TROCOS


Gavin Bazunu, jogador do Stoke City e da seleção da República da Irlanda, recusou-se a jogar contra Israel na Liga das Nações.

A explicação veio em comunicado: «Matar pessoas inocentes é errado».

A restante equipa votou, tendo a maioria decidido jogar, com braçadeiras pretas, recusando cumprimentar os adversários e baixando a cabeça durante o hino de Israel.

A posição do guarda-redes, sem paralelo, tem como enquadramento outros apelos, cartas e protestos de profissionais do futebol.

Paul Pogba, Hakim Ziyech, Anwar El Ghazi, Cheick Doucouré, Adama Traoré, Sam Morsy Louise Quinn, Brian Kerr, Roberto Lopes, etc. também deixaram claro o protesto.

Nem um português, designadamente Cristiano Ronaldo, o que revela bem a triste dimensão cívica dos jogadores lusos.

Gavin Bazunu é um ET?

Lamine Yamal, que exibiu a bandeira da Palestina nas comemorações do título do FC Barcelona, contrasta liminarmente com a epopeia negra dos jogadores nacionais pela defesa dos direitos humanos.

Liderada pelo habilidoso Pedro Proença, a federação manteve a neutralidade salazarenta respaldada pela falta de posicionamento dos clubes e do cinismo do posicionamento de Estado.

O deserto de respeitabilidade nacional não surpreende no seio de instituições como a FIFA, e até mesmo a UEFA, atoladas em casos de corrupção e nos milhões do dinheiro negro.

O futebol volta a alinhar pelo diapasão dos órgãos de soberania e dos maiores partidos da oposição ajoelhados perante a selvajaria.

Ganhar a Liga das Nações parece ser o mais importante, com a chuva de mais uns trocos, num país sem respeito próprio, saúde, escola, justiça e segurança.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

COISAS ESTRANHAS


Pedro Passos Coelho e Paulo Mota Pinto, ambos da área política do XXV governo constitucional, deram o mote, com a exigência de reformas urgentes.

O tempo escasseia, com o custo de vida (aumentos das casas, combustíveis e cabaz alimentar) que está a revolucionar o discurso político, o escrutínio da governação e a percepção dos cidadãos.

As respostas firmes e cristalinas de Luís Montenegro, ao arrepio de tudo aquilo que defendeu enquanto líder da oposição em tempos de crise, antecipam o desastre, quiçá a interrupção da legislatura.

A insensibilidade governamental em relação ao dia-a-dia dos portugueses está a ser acompanhada por uma subversão de tradições institucionais e políticas.

Com Luís Montenegro está a valer tudo, desde logo a normalização do exercício de funções ministeriais e executivas sob as mais fundamentadas suspeitas.

Não é o único: com José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República, o direito potestativo da oposição parlamentar passou a depender de tiques autocráticos e da maioria conjuntural.

São múltiplos os exemplos das coisas estranhas que se estão a passar em Portugal, desde a governação às polícias, desde a arbitragem ao mercado de capitais, entre outros.

O crescimento do autoritarismo do poder Executivo não é exclusivo de Donald Trump, é o padrão global que acompanha a subversão das mais elementares regras democráticas, ancorado em oligarcas e na corrupção desenfreada.

Com líderes eleitos e ditadores intocáveis, é o frenético regresso da santa aliança (banca, armas e petróleo), agora reforçada com os senhores do “high tech”.

Com a guerra total cada vez mais inevitável, o mais perigoso é que a vontade dos cidadãos conta menos, mesmo depois dos votos na Alemanha.


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

NAZA: SELVAJARIA DEPOIS DE ELEIÇÕES

 

Nunca a matança e a perseguição de um povo foram tão sistematicamente comprovadas: filmes e documentários dos ataques de Israel na Palestina estão organizados há mais de 50 anos.

“NAZA”, de Yuval Abraham e Rachel Szor (os mesmos de “No Other Land”), com estreia em Veneza, é um documentário que reúne depoimentos de 24 soldados e oficiais das secretas israelitas.

É o retrato do uso de Inteligência Artificial para selecionar alvos, bombardeios noturnos a casas, com cálculo prévio de baixas civis (“NAZA” é o jargão militar para danos colaterais esperados).

O ciclo de guerra, ódio, resistência, agora exponenciado pelo genocídio em Gaza, prossegue há mais de 70 anos no Médio Oriente, alimentado as indústrias de defesa, as petrolíferas e os facínoras sem Lei.

Afinal, “NAZA” também é a selvajaria depois de eleições, umas livres, outras manipuladas.

O conflito com o Irão prova que os ocidentais não aprenderam nada, designadamente os 27 liderados por Friedrich Merz e acantonados na sua geometria variável miserável.

A indiferença mundial de cidadãos e de alguns Media (destaque para o Telejornal da RTP) traduz a monstruosidade das relações internacionais, ainda antes de Donald Trump chegar ao poder.

O actual presidente norte-americano não tem feito diferente dos seus antecessores, apenas tem deixado mais escarrapachado aquilo que se mantinha abafado nos bastidores da alta política e das chefias editoriais.

A verborreia feroz pode ser o contributo de Donald Trump para a tomada de consciência, e o consequente afastamento de líderes democraticamente eleitos que não se distinguem dos ditadores sanguinários.

Actualmente, não há um único cidadão em todo o planeta que possa ter ilusões relativamente ao exercício do poder, tanto nas democracias como nas ditaduras.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

PESADELO DOS EUROPEUS


A visibilidade da explosão do fluxo migratório, cujo expoente foi atingido em Ceuta, deve ser um sinal de alarme, mais um, para Portugal.

Não é o único, pois o desnorte governamental levou à apresentação da justa moção de censura do Chega que, aliás, nunca obriga a priori a eleições antecipadas.

Luís Montenegro não pode continuar a ignorar as críticas de todo o lado, indiferente ao coma político de Luís Neves, pois o país está pior, desde a saúde à justiça, enquanto cresce a insegurança.

A instabilidade em Portugal não é alheia à governação dos 27, cada vez mais enredada na guerra da Ucrânia, enquanto ignora o genocídio na Palestina e o ataque ao Líbano às mãos de Israel.

Aliás, não pode haver nada mais trágico do que a monstruosa cumplicidade dos líderes europeus em relação ao Médio Oriente, afinal a origem do aumento do custo de vida que está a esmagar os europeus.

A vitória da AdF (Alternativa para a Alemanha) na Saxónia-Anhalt é apenas mais um efeito da liderança de Friedrich Merz, o “boss” de uma união que já tem uma dívida pública de 82,9% do PIB.

Afinal, a alternância ainda é ou já não é a democracia a funcionar?

A campanha do medo já não desmobiliza nem portugueses nem europeus, fartos de corrupção e do esmagamento de direitos individuais e sociais.

Há quem, em pânico, culpe a “gritaria”, outros mais independentes alcançam que é o repúdio veemente da política do “centrão” das negociatas, da geometria variável e da lei do faroeste.

Basta uma rápida passagem pelas redes sociais para compreender o início do pesadelo dos europeus, como lhe chamou Henrique Burnay, singela e liminarmente.

Atirar ao mensageiro é apenas e sempre a solução mágica dos tiranos.