segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MASCARADOS


Os resultados da primeira volta das presidenciais são uma enorme vitória pessoal de António José Seguro.

No dia 8 de Fevereiro, os portugueses escolhem entre duas sociedades: a do humanista que combateu o aparelho do PS, laboriosamente erguido por António Costa, e a do adepto de os mascarados de Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Polícias e civis armados que escondem a cara, em Mineápolis, em Gaza e na Cisjordânia, entre outros lugares, é a pior publicidade para o líder do Chega.

Afinal, as democracias da violência policial contra cidadãos desarmados e jornalistas, por exemplo em Londres e em Berlim, são tão abjectas quanto a repressão brutal em Moscovo, em Teerão e noutras latitudes fustigadas pela ditadura.

Desculpar uns e diabolizar outros ao mesmo tempo revela apenas uma atitude politicamente doentia.

Resta aos senhores do poder, do Bloco Central, do partidário e dos negócios e interesses, compreenderem que Portugal não pode mergulhar em tanta bestialidade, tanto desrespeito pela lei e tanta desumanidade.

Manter o país no pântano da corrupção larvar e do mais evidente desprezo pelos cidadãos tem um custo gigantesco: basta olhar para o que se passa de um lado e do outro do Atlântico.

Com a passagem à segunda volta, André Ventura também sai vitorioso?

O líder do Chega, ao avançar para a corrida presidencial, caiu na ratoeira do seu último sucesso eleitoral, pois a sua alternativa está cada vez mais colada aos momentos mais terríveis do primeiro quarto do século XXI.

António José Seguro comprovou que não basta um bárbaro e belicista, um gestor com verniz liberal, um militar de dedo esticadinho e uma estrela de televisão para enfiar uma máscara pela cabeça abaixo dos portugueses.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

COVEIROS DA CULTURA EUROPEIA



A brutal repressão da ditadura iraniana ocupa as manchetes e a informação televisiva.

Muitas condenações, mas continuam os negócios de Estado e dos oligarcas, das cores dos líderes no poder, com mais ou menos corrupção e comissões milionárias.

Donald Trump é só a face visível deste novo modo de governação, porque assume a boçalidade de uma atitude que serve friamente os seus interesses pessoais e os dos Estados Unidos da América.

Afinal, qual é a diferença entre polícias armados e mascarados (ICE) que matam norte-americanos e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que esmaga os iranianos?

O novo clamor internacional contra os ditadores iranianos contrasta com o silêncio e o abandono dos palestinianos, mais uma vez invadidos, bombardeados, ocupados, assassinados e novamente massacrados.

Os arautos da diplomacia da geometria variável, sem lei nem valores, tradicionalmente escondidos no multilateralismo, abriram a porta à ultrajante lei do mais forte.

Chegou o momento de começar a pagar a factura pesada do vazio nas relações internacionais, alimentado até à exaustão pelos burocratas da União Europeia.

Mesmo com a evidência dos cadáveres amontoados à porta dos necrotérios em Teerão, não é de admirar que a contabilização do número de mortos e feridos iranianos seja recebida pelos cidadãos com cepticismo.

A ameaça sobre a Gronelândia é o expoente deste buraco gigantesco que se está a transformar na sepultura das instituições ocidentais.

Só faltava o último desplante dos coveiros da cultura europeia: Ursula von der Leyen afirma que a «lei é mais forte do que o confronto»; António Costa adverte que «a terra pertence a quem lá vive».

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

FALA DA PAZ E FAZ A GUERRA


A invasão da Venezuela e o rapto de Nicolás Maduro não foram ilegalidades para repor a legalidade, pois os corruptos e cabecilhas do tráfico de droga que estiveram ao lado do sucessor de Hugo Chávez continuam no poder na Venezuela.

Consumado o golpe, à boa maneira do faroeste norte-americano, e materializada a decapitação pela força do regime venezuelano, afinal tudo está na mesma.

Nem uma réstia de cultura democrática foi cumprida, pois Edmundo González Urrutia e María Corina Machado já foram afastados.

O que resta?

A resposta feroz da China e da Rússia, reacções que marcam o início de 2026, um ano de todos os perigos.

A tensão crescente na base de apoio de Donald Trump, com os Republicanos e o movimento MAGA cada vez mais divididos.

Finalmente, a encolhida reacção da União Europeia e o vergonhoso branqueamento de Paulo Rangel, aliás acompanhado por Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa.

As declarações críticas da esmagadora maioria dos candidatos presidenciais, incluindo Luís Marques Mendes, são esclarecedoras, e dizem tudo sobre a actual política externa rasteira de Portugal.

A cartilha do marketing político toma as rédeas da situação: se a economia está mal, então fala dos sucessos das finanças; se há um problema incontornável, fala da paz e faz a guerra.

Não admira que os analistas políticos norte-americanos estejam a denunciar mais uma manobra de diversão para abafar o escândalo Epstein.

O que se segue nos Estados Unidos da América: um atentado à bomba, mais um gigantesco incêndio, agora nas sedes do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e do FBI?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

PORTUGAL MERECE MAIS E MELHOR


O final do ano de 2025 não é de boa memória.

A tensão internacional continua a subir.

Os esforços de Donald Trump para acabar com a invasão russa na Ucrânia redundaram num fracasso.

Não surpreende a derrota do presidente dos Estados Unidos da América que mostra preocupação com o número de mortes de ucranianos e russos, enquanto faz-de-conta em relação à matança resultante da invasão israelita na Palestina.

Como se não fora suficientemente dantesco, as tropelias norte-americanas na Venezuela já mereceram igual resposta dos chineses em Taiwan.

A nível nacional também não há motivos para sorrir.

Está instalado o ambiente podre e corrupto, com mais ou menos casinos e artigo da revista “The Economist”.

Mais grave: os Media estão de rastos, dificultando o escrutínio do regime democrático.

É o regresso aos tempos do pesadelo deixado por António Costa.

O caos na saúde continua, com os demais estrangulamentos a persistirem apesar da eufórica propaganda de Luís Montenegro.

De facto, restam os exemplos do futebol, perdão, dos cúmplices com ditadores e assassinos, os quais acompanham bem a política externa rasteira de Paulo Rangel.

Mas nem tudo é mau.

A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa chega ao fim.

Resta a convicção e a esperança de que o próximo inquilino de Belém não pode fazer pior, porque já basta, Portugal merece mais e melhor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MUNDO LIDERADO POR ASSASSINOS E LADRÕES


Anda há quem fique chocado com a guerra, o genocídio, a fome, o abandono dos mais idosos e das crianças, a violência doméstica, a falta de socorro e cuidados de saúde e a desigualdade gritante.

É evidente que são uma minoria, à luz do que nos rodeia.

Em plena época natalícia, a matança continua em Gaza e noutras latitudes, sustentada pela mais cruel indiferença e vil corrupção, uma porta sempre aberta para mais e mais negócios de armas.

Não é de admirar, portanto, a percepção do Mundo liderado por assassinos e ladrões, com as mãos cobertas de sangue, que tudo fazem, ou deixam fazer, por uns tostões, perdão, milhões, de um e do outro lado do Atlântico.

Em Portugal, o número dos sem-abrigo voltou a crescer.

A 31 de dezembro de 2024 havia 14.476 pessoas em situação de sem-abrigo, o que representa um aumento de 1.348 pessoas (cerca de 10%) em relação a 2023.

A evolução histórica desfaz quaisquer dúvidas: o número triplicou em menos de uma década nesta espécie de “economia de sucesso”.

Não é de admirar, portanto, a percepção de que Portugal continua a ser liderado por um governo falhado, por políticas no papel que não passam de marketing, por governantes que não têm um pingo de consciência social e humanitária.

Luís Montenegro e os seus ministros fazem de conta sobre a realidade portuguesa, tal e qual como em relação à da Palestina, enquanto compram armas a párias e a terroristas e mantêm o silêncio em relação à perseguição soez aos juízes internacionais.

Os governantes de Portugal fazem o melhor que podem e sabem, dirão os seus apoiantes, mas não se podem admirar de serem comparados, justa ou injustamente, aos assassinos e ladrões que lideram o Mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A CULPA É SEMPRE DOS OUTROS

 

A opinião pública israelita mantém o apoio aos militares (IDF), mesmo depois de iniciada a brutal invasão e destruição de Gaza e da contínua selvajaria na Cisjordânia.

O desejo de um acordo de paz não impede que Benjamin Netanyahu alcance 53% das opiniões favoráveis – sondagem de 12 de Dezembro de 2025 –, pois é considerado o político mais adequado para o cargo de primeiro-ministro de Israel.

O genocídio em curso dos palestinianos não altera a opinião de uma sociedade doente, fundamentalista e que abraça ferverosamente o estatuto de pária e o terrorismo de Estado.

Em Portugal, há um desinteresse relativo que se traduz pelo apoio à solução de dois Estados e pelo encolher de ombros em relação à matança generalizada de civis no que ainda resta da Palestina.

Aliás, André Ventura até justifica com entusiasmo a matança de criança, idosos e mulheres por causa da cultura palestiniana esmagar alguns direitos individuais, ou seja, quem não respeita a mulher merece um balázio ou morrer à fome e ao frio.

Mais extraordinário ainda: nem a alarvidade política do líder do Chega é capaz de fazer despertar a esquerda e a direita, retirando do bolso a questão da Palestina nos debates entre candidatos presidenciais.

Não admira a falta de escrutínio da comunicação social em relação ao financiamento dos candidatos.

O jornalismo de Estado, sempre sabujo e venerando, aproveita e consolida o pacto de silêncio em relação à carnificina que enche os jornais e as televisões de referência internacionais, chorando lagrimas de crocodilo por causa da Ucrânia.

A elite portuguesa fica chocada com o apoio dos cidadãos israelitas ao criminoso de guerra que os lidera, mas pouco ou nada diz e faz para combater a situação.

À boa moda portuguesa, a culpa é sempre dos outros.

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

PERIGOSO NÃO-RETORNO


A greve geral é um momento negativo.

É a confirmação do caos generalizado no SNS, bem como o descalabro noutros sectores, da Justiça à Educação, da Habitação à Segurança.

Nada mudou, muito piorou no dia-a-dia dos portugueses.

O regresso ao ambiente carregado da governação de António Costa é uma triste evidência.

O debate parlamentar e a campanha para as presidenciais de 2026 não auguram nada de diferente e melhor.

A falta de um discurso mobilizador da parte dos candidatos presidenciais da direita é abissal.

O mais grave é que nem os candidatos à esquerda conseguem inverter o discurso gasto e bolorento dos partidos políticos do sistema.

Tal como com Marcelo Rebelo de Sousa, um desastre à beira do fim, nem Belém permite vislumbrar um futuro mais auspicioso.

Num ambiente de incertezas, do genocídio dos palestinianos e de invasões em directo, só faltava mesmo comprar mísseis a um Estado pária e terrorista e participar ao lado de Israel no concurso da Eurovisão.

A arrogância indecente de propalar que os problemas estão para ficar, amanhã e depois, constituiu uma vertigem surpreendente que nem a época natalícia permite desculpar ou justificar.

Luís Montenegro entrou na fase do perigoso não-retorno, mesmo com a promessa de Amadeu Guerra de uma prenda antes do Natal.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

FIRME, SONSO OU DESUMANO?


As imagens de dois palestinianos, de mãos no ar, ajoelhados, desarmados, a serem executados por militares israelitas (IDF), foram divulgadas pela esmagadora maioria das TV's de todo Mundo.

Académicos, deputados, jornalistas, políticos e senadores de reputação internacional, bem como as organizações internacionais, replicaram o filme de mais uma matança, sem medo de denunciar o desvario impune de Israel.

Com Gaza e a Cisjordânia vedados aos jornalistas, os vídeos colocados nas redes sociais, designadamente no X (Twitter), são uma ínfima amostra do genocídio em curso.

É serviço público sublinhar os 12 países que já anunciaram que prenderiam o indiciado criminoso de guerra Benjamin Netanyahu: Bélgica, Canadá, Espanha, Eslovénia, França, Irlanda, Itália, Lituânia, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suíça.

Também é dever de consciência denunciar os ratos que continuam calados face à crueldade criminosa em curso.

A RTP escondeu deliberadamente as imagens das execuções em Jenin que correram Mundo.

É mais uma atitude editorial que alimenta duas alegações: o pacto de silêncio entre os Media e o poder; as notícias da estação pública serem alinhadas nos gabinetes do Executivo, certamente com conhecimento da Embaixada de Israel.

Mais uma vez, o problema não é de um qualquer algoritmo, mas da ordinária e habilidosa censura política, com a agravante de os contribuintes serem obrigados a pagá-la.

Na véspera da eleição presidencial, os portugueses continuam sem saber qual é o tipo de presidente da República que vão eleger: firme, sonso ou desumano com os crimes de guerra e de lesa-alma?


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A MONSTRUOSIDADE DAS SOCIEDADES


As intervenções do senador Claude Malhuret, desde 2023, sobre a invasão da Ucrânia e o genocídio em Gaza, são um brilhante repositório das contradições ocidentais.

As palavras do médico fundador dos “Médecins Sans Frontières”, político centrista à antiga, defensor implacável dos direitos humanos e da democracia liberal, são inspiradoras.

São mote para avaliar a falência norte-americana e europeia e até servir como ponto de partida para a discussão sobre a monstruosidade das sociedades que suportam a chacina de civis inocentes.

Afinal, as matanças na Ucrânia e na Palestina só são possíveis graças às cumplicidades globais que têm permitido alimentar as máquinas de guerra russa e israelita.

Da BBC à RTP, entre muitos outros, as máquinas de propaganda oficial lá continuam ao serviço (dos seus criminosos) de Estado, ora por acção, ora por omissão.

O que resta?

Assistir às imagens grotescas de morte, fome e destruição, sem um vislumbre de mobilização global que obrigue os Estados e os governos a agirem dentro da legalidade.

Os jornalistas do século XXI têm sido as próprias vítimas da guerra, documentando atrocidades que antigamente ficavam nas gavetas de governantes e chefias editoriais.

Ainda que correndo os riscos de manipulação, tal como os Media, as redes sociais têm servido para globalizar a verdade.

O impacte desta nova realidade tem permitido distinguir de uma forma vítrea os facínoras no poder que, seguramente, não estão apenas circunscritos à Rússia e a Israel.

Em época de debates entre os candidatos presidenciais, cujo escrutínio de fachada não tem acrescentado muito, não admira que, por ora, alguns temas sejam deliberadamente abafados, como por exemplo o genocídio em curso em Gaza.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

EU O ACUSO, NETANYAHU


Majdal ʿAsqalān, vila palestina do sul da Palestina histórica, é mais um exemplo de massacre e deslocação de palestinianos, que ocorreu durante a guerra de 1948 (Nakba, “catástrofe”), obrigando à fuga de 750 mil palestinianos, com a destruição de 500 vilas e cidades.

Depois de capturada a 5 de novembro de 1948 (Operação Yoav), actualmente a moderna cidade israelita de Ashkelon (אשקלון) continua a prosperar, apesar dos múltiplos protestos da comunidade internacional e sucessivas condenações na ONU.

A política assassina de Israel, nos últimos 77 anos, também foi alvo de críticas da comunidade artística, tendo dado origem ao protesto de Vanessa Redgrave, quando recebeu um Óscar em 1978, um dos momentos históricos da cerimónia de Hollywood.

Na véspera do início dos debates entre os candidatos presidenciais ninguém sabe qual será a posição do futuro presidente da República em relação à Palestina.

Portugal vai continuar a ser cúmplice activo do genocídio em Gaza e do assalto às propriedades dos palestinianos na Cisjordânia?

O silêncio dos candidatos presidenciais só é possível por causa da falta de escrutínio da generalidade dos Media portugueses, aliás um embuste editorial que não é exclusivo de Portugal, pois basta atentar à moribunda BBC.

A vertigem das superpotências e a falência do multilateralismo têm permitido a Israel a política do crime consumado, perpetuando uma realidade que resulta da maior e mais assustadora impunidade.

Tal como noutros abusos idênticos, mais ou menos facínoras, a reposição da legalidade no Médio Oriente não advirá da mediação da comunidade ocidental nem dos seus valores de fachada.

A barbárie só pode ser derrotada pela cidadania, como revelou a deputada Naama Lazimi no Knesset (11/11/2025): «Eu o acuso, Benjamin Netanyahu, pelos eventos do 7 de Outubro. (...) Eu o acuso de financiar o Hamas».

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

DAR DEMASIADAMENTE NAS VISTAS


A 13 de Outubro de 2025, durante uma conferência de imprensa, em Bruxelas, Gabriele Nunziati fez a pergunta mais simples e devastadora:

– A União Europeia afirma que a Rússia deve pagar pela reconstrução da Ucrânia. Israel deveria pagar pela reconstrução de Gaza?

Sem resposta, o jornalista da agência de notícias italiana “Nova” foi demitido, pouco tempo depois.

A pergunta continua a assaltar a mente mesmo daqueles, cada vez menos, que ingenuamente ainda acreditam nos valores ocidentais e europeus.

As redes sociais têm permitido muito mais do que estados de alma e teorias da conspiração, pois estão a questionar e a desconstruir os maiores embustes da humanidade que mataram milhões de pessoas.

As atrocidades de Israel em Gaza e na Cisjordânia são do conhecimento global maioritariamente graças aos telemóveis, as "armas" das vítimas do genocídio e dos pobres do século XXI.

Nada continuará a ser igual pelo que se percebe a reacção de pavor dos pequenos cúmplices e afins.

A eleição de Zohran Mandani é a primeira grande reposta dos cidadãos ao "Estado de loucos".

A cidade de Nova Iorque, com mais de 10% de judeus, ou seja um número superior ao existente na capital de Israel, foi capaz de eleger um presidente muçulmano.

O que se segue?

Mais atentados gigantescos, para confundir os cidadãos?

A invasão e esmagamento de mais e mais países?

A repetição de assassinatos políticos, como aquele de 22 de Novembro de 1963, em que John F. Kennedy foi assassinado em Dallas?

Os senhores da guerra – Netanhyau, Putin, Trump, entre outros –, estão a dar demasiadamente nas vistas, têm cada vez menos margem para operações negras (militares e secretas), pois perderam o controlo da informação global.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

FACÍNORAS AINDA MAIS EXPOSTOS


O alarme internacional foi dado a 2 de Novembro, quando Yifat Tomer-Yerushalmi foi dada como desaparecida.

Dois dias antes, a major-general do IDF, a primeira mulher a liderar o Corpo de Advogados Geral Militar de Israel, depois de alegadamente se demitir, deixava uma nota à família – "Amo-vos, cuidem-se".

Em causa a autorização para a divulgação de um vídeo comprovando a tortura e os abusos sexuais sobre detidos palestinianos suspeitos de envolvimento com o Hamas em Sde Teiman, instalação de detenção militar localizada no deserto do Negev, em Israel.

As reacções da ONU, que classificou estes actos como "tortura generalizada e sistémica", incluindo violência sexual, e de outras organizações internacionais, como a B'Tselem, assaltaram as redes sociais e os Media nacionais e internacionais.

O caso foi tão sério que os Estados cúmplices do genocídio em Gaza mantiveram um rigoroso silêncio, que se arrasta pesadamente desde a revelação das imagens transmitidas pelo Canal 12 de Israel, a 7 Agosto de 2024.

As reacções de Benjamin Netanyahu, e demais membros do governo de Israel, estiveram à altura dos mais reles facínoras ainda mais expostos, condenando a fuga de informação, mas nunca os crimes em si.

E faltava o hino à farsa do sistema judicial militar israelita: os cinco soldados israelitas acusados de abuso agravado surgiram em conferência de imprensa, a 2 de Novembro, com máscaras para ocultar as suas identidades, dificultando a investigação de crimes de guerra do TPI.

Yifat Tomer-Yerushalmi é mais um exemplo da importância da cidadania, a única acção que actualmente pode travar os assassinos impunes que lideram Israel.

Resta esperar que a militar israelita, com um curriculum ímpar, não acabe assassinada numa cela de prisão, ou tenha o mesmo fim de Eliran Mizrachi, o soldado israelita que se suicidou para não ter de regressar a Gaza.

Ou ainda que tenha de percorrer o mesmo calvário de Edward Snowden e Julian Assange, entre outros, que não se conformam com o terrorismo de Estado.