O ciclo da instabilidade regressa a Portugal, com a agravante da incerteza internacional.
O padrão é evidente pouco mais de dois anos após Luís Montenegro ter assumido a liderança do governo.
De facto, o primeiro-ministro não cessa de manter situações que podem descambar em conflitos institucionais e com a oposição parlamentar.
Mais do que a governação, a resolução de problemas estruturais e estrangulamentos com décadas, a multiplicação de incidentes já não pode ser assacada aos partidos políticos da oposição parlamentar.
Nova cabala à parte, Luís Neves não tem condições para continuar no Executivo, evidência que é transversal na sociedade e na classe política, da esquerda à direita.
Por sua vez, António José Seguro tem permitido todo o tipo de especulações no mesmo sentido nos mais diferentes Media.
O resultado está à vista: o Chega, consequentemente, apresenta na Assembleia da República uma moção de censura, deixando os outros partidos numa posição dúbia e contraditória.
O golpe da Spinumviva resultou em eleições antecipadas, mesmo que não tenha existido, nem exista um esclarecimento cabal, premiando Luís Montenegro com a reeleição.
Todos os caminhos vão dar à Justiça, lenta, politizada, burocrática e descredibilizada, um problema maior que continua a ser tratado como um pormenor periférico.
O apodrecimento em curso vai conduzir à reedição de mais uma crise a curto prazo?
Afinal, «podem dizer o que quiserem», afirma Luís Montenegro, mas um dia terá que ser esclarecido a quem serve esta democracia do lamaçal.

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