Conferência de imprensa: Luís Neves.
Dia: 29 de Julho de 2026.
Hora: 18h38m
«Temos vindo a destruir muito material apreendido, praticamente,
muitas vezes pro bono pelas relações que temos com as empresas que destroem sobretudo
a droga, o tabaco e outros materiais face a relação que a PJ tem com estas empresas».
Foi o minuto fatal de Luís Neves, cuja declaração curiosamente
não foi sublinhada pelos Media e demais analistas políticos, à excepção honrosa
de Miguel Morgado na SIC Notícias.
É muito mais do que o atrelado (galera) em Barcelos, é a dúvida
definitivamente instalada em Portugal: por que razão empresas privadas prestam
serviços ao Estado sem cobrar?
A sinceridade do ministro da Administração Interna (lapso?)
vai fazer correr rios de tinta na comissão parlamentar de inquérito, já anunciada
por André Ventura.
Se não é possível concluir por um qualquer indício de potencial
desvio e corrupção, tão-pouco é admissível invocar o património declarado de
Luís Neves como um atestado de boas práticas.
Até agora, a imagem do passado do alto funcionário de Estado serviu
como garantia para integrar o XXV governo constitucional.
Hoje, e depois das revelações, é matéria que obriga o cidadão
a no mínimo mudar a forma como o encara a si e à sua actividade profissional e ministerial.
Afinal, tudo velho, pois foi assim com o ex-presidente
Marcelo Rebelo de Sousa (gémeas) e com o actual PM, Luís Montenegro
(SPINUMVIVA), entre outros.
Com uma diferença de monta: a sociedade acreditava que ainda havia
pessoas e instituições capazes de tentar repor a verdade e a legalidade, hoje
assiste com apreensão ao progressivo cair de braços generalizado.

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