Pedro Passos Coelho e Paulo Mota Pinto, ambos da área política do XXV governo constitucional, deram o mote, com a exigência de reformas urgentes.
O tempo escasseia, com o custo de vida (aumentos das casas, combustíveis e cabaz alimentar) que está a revolucionar o discurso político, o escrutínio da governação e a percepção dos cidadãos.
As respostas firmes e cristalinas de Luís Montenegro, ao arrepio de tudo aquilo que defendeu enquanto líder da oposição em tempos de crise, antecipam o desastre, quiçá a interrupção da legislatura.
A insensibilidade governamental em relação ao dia-a-dia dos portugueses está a ser acompanhada por uma subversão de tradições institucionais e políticas.
Com Luís Montenegro está a valer tudo, desde logo a normalização do exercício de funções ministeriais e executivas sob as mais fundamentadas suspeitas.
Não é o único: com José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República, o direito potestativo da oposição parlamentar passou a depender de tiques autocráticos e da maioria conjuntural.
São múltiplos os exemplos das coisas estranhas que se estão a passar em Portugal, desde a governação às polícias, desde a arbitragem ao mercado de capitais, entre outros.
O crescimento do autoritarismo do poder Executivo não é exclusivo de Donald Trump, é o padrão global que acompanha a subversão das mais elementares regras democráticas, ancorado em oligarcas e na corrupção desenfreada.
Com líderes eleitos e ditadores intocáveis, é o frenético regresso da santa aliança (banca, armas e petróleo), agora reforçada com os senhores do “high tech”.
Com a guerra total cada vez mais inevitável, o mais perigoso é que a vontade dos cidadãos conta menos, mesmo depois dos votos na Alemanha.

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