Num momento em que o Mundo continua a ignorar a pobreza, a fome e a exclusão, a normalização da guerra e a desvalorização do genocídio assumem contornos aterradores.
A brutal indiferença dos Estados, em que a maioria se pauta pelo cinismo de palavras ocas, só tem razão de existir porque a cidadania continua anestesiada e alheada.
Agora, em Portugal, o embuste passou a ser sustentado com mais uma novela, alimentada por uns e outros, em que Cristiano Ronaldo volta a emergir, todos cúmplices de um quotidiano miserável.
Ao longo de milhares de horas impingidas nas TV’s e jornais ao longo da carreira do “símbolo da Portugalidade”, dizem eles, pouco ou nada resta a não ser a vergonha alheia.
Acreditar no futuro com estas estrelas até poderá vingar, mas apenas prova a perda das referências dos “homens bons” da República.
O fracasso dos regimes democráticos já estava atestado pelos sem-abrigo, pela esquerda que continua a defender a imigração a qualquer preço e por uma direita gananciosa que usa o lucro a qualquer custo.
Os candidatos presidenciais brasileiros confirmam a fatalidade, tais são as suspeitas de corrupção e a descredibilização unânime.
A caminhada para o abismo é vertiginosa, com a propaganda a tentar novamente vender que a economia será salva pela indústria das armas.
As guerras em curso, tratadas como uma simples contabilidade de apoios e de armas, ignora o colossal número de vítimas.
Entretanto, continuamos a fazer de conta, mais milhão menos milhão de mortos, desgraçadamente à espera de que a mudança caia do céu.
Em França, a luta dos estudantes é o alerta, é a esperança renovada.
Em vez da bagatela à volta de Ronaldo, a leitura de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, poderia contribuir para corrigir a forma como aceitamos a lei do mais forte e a miséria.

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