segunda-feira, 2 de novembro de 2026

JUSTIÇA IN EXTREMIS


Um par de tendas de manifestantes incomodou mais Luís Montenegro do que os cerca de 15 mil sem-abrigo em Portugal.

Ter de montar uma tenda improvisada para abrigar do frio e da chuva incomoda menos a sociedade do que manifestações pela habitação.

Sem solidariedade não admira a falta de cultura democrática, a inversão de valores e o ataque aos direitos individuais.

Pedir ao cidadão que entenda o processo que levou Luís Neves a tutelar a Administração Interna é tão difícil quanto exigir a um polícia que esteja à altura de uma realidade social tão desesperada.

A actual conjugação de factores desagua invariavelmente no estrangulamento primordial: a Justiça.

É urgente fazer o balanço do exercício do poder de Rita Júdice, em vez de crucificar imediatamente Miguel Pinto Luz, que tutela a Habitação, porventura o melhor ministro do Executivo.

O que mudou na Justiça?

A decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, que confirmou a ilegalidade das cargas policiais da PSP, não apaga o caos, a teia de leis e a morosidade, isto para não falar da miserável condição nas prisões.

E agora: Luís Neves demite-se imediatamente ou Luís Montenegro é demitido?

André Ventura avança para mais um flique-flaque à retaguarda?

Carlos Moedas e Pedro Duarte foram implacavelmente derrotados, mas ninguém pode desvalorizar a falha do presidente da República, desde o início da crise, em assumir consequentemente o lado dos cidadãos.

As manifestações pacíficas contra a falta de habitação só desafiaram os prevaricadores, pois a soma de abusos de poder e a impunidade majestática do Bloco Central é que provocam instabilidade.

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