segunda-feira, 26 de outubro de 2026

DRAMA À VISTA


Falta de empatia?

Sadismo?

As perguntas pairam no ar, quando os silêncios de Luís Montenegro e António José Seguro são questionados, antes, durante e depois das cargas policiais sobre manifestantes pacíficos.

Numa leitura mais política, a evidência impõe-se: falhanço das políticas sociais que ambos tanto apregoaram.

A crise da habitação é a ponta do iceberg de um país à deriva, governado pela lente da incompetência, da corrupção e da insensibilidade.

Não tarda, a saúde, a escola, a segurança, etc., serão novos argumentos para mais protestos e manifestações, tal é o caos em que Portugal sobrevive.

A realidade atingiu um tal ponto que António José Teixeira, ex-director da RTP, saneado politicamente pelo governo de Luís Montenegro, exclama: «O que é isto num Estado democrático?». E conclui: «É revoltante!

As cargas policiais são a prova da falência do actual Executivo, assente num sistema do Bloco Central, em que a estabilidade tem sido objectivo principal, varrendo para debaixo do tapete os problemas dos cidadãos.

Não adianta invocar o passado recente, com outro tanto desvario dos governos liderados pelo Partido Socialista, caso contrário ainda desatamos a culpar Afonso Henriques.

Qual é a alternativa?

André Ventura?

O partido Chega, em assuntos fundamentais, na prática, é mais do mesmo, seja na Habitação como nas Lajes, não tem outra receita ou solução, pelo que não admira que tenha elogiado as cargas policiais.

Eis o drama à vista.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

MILHÕES PARA ARMAS E TOSTÕES PARA PESSOAS


Os protestos contra o brutal aumento do custo de vida, designadamente da habitação, começaram a explodir na Europa.

As manifestações no Porto e em Lisboa, com tendas instaladas em zonas nobres de ambas as cidades, demonstram a indignação dos cidadãos, nomeadamente os jovens.

Como sempre, quando a cidadania demonstra descontentamento, o poder envereda pela brutalidade ou inventa desculpas para mitigar a razão de ser dos protestos, desde a influência externa ao extremismo.

É assim: os governantes, que não cumprem a Lei, exigem o cumprimento das leis.

Em boa verdade, a violência na rua é sempre sinal do desespero ignorado pelos governos de direita e de esquerda, seja em Portugal, como noutros países (Albânia, Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Itália, etc.).

A actual realidade é insustentável: milhares de milhões para as armas e tostões para acudir as pessoas.

Uma elite não-eleita, que controla a Comissão Europeia, não pode continuar a determinar os destinos dos europeus, cumprindo um rearmamento militar em troca de mais miséria.

Não há mais espaço para alimentar uma guerra, que começou por ser uma invasão da Rússia na Ucrânia, e ignorar outra, o genocídio em Gaza e a ocupação selvagem dos colonos israelitas na Cisjordânia.

Os europeus querem paz, Ucrânia e Palestina livres e soberanas e respeito pelo direito internacional, incluindo no Irão, não querem vodka russa nem laranjas e tâmaras contaminadas com o sangue palestiniano.

A mobilização dos cidadãos da União Europeia só poderá ocorrer se os 27 respeitarem e exigirem o cumprimento dos direitos humanos.

Ignorar a matriz fundacional nunca conduzirá a uma situação externa de paz, porque nunca haverá calma interna, com ou sem Friedrich Merz e Ursula von der Leyen.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

PEDRO PASSOS COELHO: “MODERADO”?

 


O ex-primeiro-ministro deixou claro ao que vem: ou Luís Montenegro arrepia caminho, ou tem de contar com ele pela frente.

O discurso cristalino foi uma lufada de ar fresco no actual ambiente pantanoso, uma repetição dos tempos de António Costa, entre outros.

A navegação à vista, ora à esquerda ora à direita, está falida, porque não se compadece com as situações de alarme e de urgência que se vivem em Portugal.

O desastre no SNS e nas escolas, a falta de habitação e os problemas que começam a emergir depois da imigração descontrolada, não se podem continuar a arrastar.

O mérito de Pedro Passos Coelho é apontar para Luís Montenegro e António José Seguro, os únicos a acreditarem que o actual caos se pode gerir, com remendos, sem sobressaltos, até ao próximo ciclo eleitoral.

O país virou à direita, por duas vezes, pelo que a aliança com o Chega e a Iniciativa Liberal representa actualmente a única alternativa para levar a cabo as reformas indispensáveis.

A questão que se tem colocado – Pedro Passos Coelho também é um dos “moderados” a que o PM e o PR têm apelado? – ficou respondida.

Ser moderado não é ser cúmplice, é muito mais, é falar verdade e sem medo, é ter a coragem de colocar os cidadãos antes dos interesses instalados, é definitivamente ter ambição para além do futebol.

O tempo perdido é irrecuperável, mas o fingimento e os paninhos quentes apenas servem para agravar a factura futura, aliás basta enxergar o que se está a passar na base das Lajes, nas costas dos portugueses.

Face aos últimos 50 anos, em que as vitórias não derrubaram os estrangulamentos, Pedro Passos Coelho acredita que há outro rumo, que a bafienta estratégia do poucochinho com estabilidade ruiu com estrondo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

RONALDO OU VICTOR HUGO?



Num momento em que o Mundo continua a ignorar a pobreza, a fome e a exclusão, a normalização da guerra e a desvalorização do genocídio assumem contornos aterradores.

A brutal indiferença dos Estados, em que a maioria se pauta pelo cinismo de palavras ocas, só tem razão de existir porque a cidadania continua anestesiada e alheada.

Agora, em Portugal, o embuste passou a ser sustentado com mais uma novela, alimentada por uns e outros, em que Cristiano Ronaldo volta a emergir, todos cúmplices de um quotidiano miserável.

Ao longo de milhares de horas impingidas nas TV’s e jornais ao longo da carreira do “símbolo da Portugalidade”, dizem eles, pouco ou nada resta a não ser a vergonha alheia.

Acreditar no futuro com estas estrelas até poderá vingar, mas apenas prova a perda das referências dos “homens bons” da República.

O fracasso dos regimes democráticos já estava atestado pelos sem-abrigo, pela esquerda que continua a defender a imigração a qualquer preço e por uma direita gananciosa que usa o lucro a qualquer custo.

Os candidatos presidenciais brasileiros confirmam a fatalidade, tais são as suspeitas de corrupção e a descredibilização unânime.

A caminhada para o abismo é vertiginosa, com a propaganda a tentar novamente vender que a economia será salva pela indústria das armas.

As guerras em curso, tratadas como uma simples contabilidade de apoios e de armas, ignora o colossal número de vítimas.

Entretanto, continuamos a fazer de conta, mais milhão menos milhão de mortos, desgraçadamente à espera de que a mudança caia do céu.

Em França, a luta dos estudantes é o alerta, é a esperança renovada.

Em vez da bagatela à volta de Ronaldo, a leitura de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, poderia contribuir para corrigir a forma como aceitamos a lei do mais forte e a miséria.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MAIS UNS TROCOS


Gavin Bazunu, jogador do Stoke City e da seleção da República da Irlanda, recusou-se a jogar contra Israel na Liga das Nações.

A explicação veio em comunicado: «Matar pessoas inocentes é errado».

A restante equipa votou, tendo a maioria decidido jogar, com braçadeiras pretas, recusando cumprimentar os adversários e baixando a cabeça durante o hino de Israel.

A posição do guarda-redes, sem paralelo, tem como enquadramento outros apelos, cartas e protestos de profissionais do futebol.

Paul Pogba, Hakim Ziyech, Anwar El Ghazi, Cheick Doucouré, Adama Traoré, Sam Morsy Louise Quinn, Brian Kerr, Roberto Lopes, etc. também deixaram claro o protesto.

Nem um português, designadamente Cristiano Ronaldo, o que revela bem a triste dimensão cívica dos jogadores lusos.

Gavin Bazunu é um ET?

Lamine Yamal, que exibiu a bandeira da Palestina nas comemorações do título do FC Barcelona, contrasta liminarmente com a epopeia negra dos jogadores nacionais pela defesa dos direitos humanos.

Liderada pelo habilidoso Pedro Proença, a federação manteve a neutralidade salazarenta respaldada pela falta de posicionamento dos clubes e do cinismo do posicionamento de Estado.

O deserto de respeitabilidade nacional não surpreende no seio de instituições como a FIFA, e até mesmo a UEFA, atoladas em casos de corrupção e nos milhões do dinheiro negro.

O futebol volta a alinhar pelo diapasão dos órgãos de soberania e dos maiores partidos da oposição ajoelhados perante a selvajaria.

Ganhar a Liga das Nações parece ser o mais importante, com a chuva de mais uns trocos, num país sem respeito próprio, saúde, escola, justiça e segurança.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

COISAS ESTRANHAS


Pedro Passos Coelho e Paulo Mota Pinto, ambos da área política do XXV governo constitucional, deram o mote, com a exigência de reformas urgentes.

O tempo escasseia, com o custo de vida (aumentos das casas, combustíveis e cabaz alimentar) que está a revolucionar o discurso político, o escrutínio da governação e a percepção dos cidadãos.

As respostas firmes e cristalinas de Luís Montenegro, ao arrepio de tudo aquilo que defendeu enquanto líder da oposição em tempos de crise, antecipam o desastre, quiçá a interrupção da legislatura.

A insensibilidade governamental em relação ao dia-a-dia dos portugueses está a ser acompanhada por uma subversão de tradições institucionais e políticas.

Com Luís Montenegro está a valer tudo, desde logo a normalização do exercício de funções ministeriais e executivas sob as mais fundamentadas suspeitas.

Não é o único: com José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República, o direito potestativo da oposição parlamentar passou a depender de tiques autocráticos e da maioria conjuntural.

São múltiplos os exemplos das coisas estranhas que se estão a passar em Portugal, desde a governação às polícias, desde a arbitragem ao mercado de capitais, entre outros.

O crescimento do autoritarismo do poder Executivo não é exclusivo de Donald Trump, é o padrão global que acompanha a subversão das mais elementares regras democráticas, ancorado em oligarcas e na corrupção desenfreada.

Com líderes eleitos e ditadores intocáveis, é o frenético regresso da santa aliança (banca, armas e petróleo), agora reforçada com os senhores do “high tech”.

Com a guerra total cada vez mais inevitável, o mais perigoso é que a vontade dos cidadãos conta menos, mesmo depois dos votos na Alemanha.


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

NAZA: SELVAJARIA DEPOIS DE ELEIÇÕES

 

Nunca a matança e a perseguição de um povo foram tão sistematicamente comprovadas: filmes e documentários dos ataques de Israel na Palestina estão organizados há mais de 50 anos.

“NAZA”, de Yuval Abraham e Rachel Szor (os mesmos de “No Other Land”), com estreia em Veneza, é um documentário que reúne depoimentos de 24 soldados e oficiais das secretas israelitas.

É o retrato do uso de Inteligência Artificial para selecionar alvos, bombardeios noturnos a casas, com cálculo prévio de baixas civis (“NAZA” é o jargão militar para danos colaterais esperados).

O ciclo de guerra, ódio, resistência, agora exponenciado pelo genocídio em Gaza, prossegue há mais de 70 anos no Médio Oriente, alimentado as indústrias de defesa, as petrolíferas e os facínoras sem Lei.

Afinal, “NAZA” também é a selvajaria depois de eleições, umas livres, outras manipuladas.

O conflito com o Irão prova que os ocidentais não aprenderam nada, designadamente os 27 liderados por Friedrich Merz e acantonados na sua geometria variável miserável.

A indiferença mundial de cidadãos e de alguns Media (destaque para o Telejornal da RTP) traduz a monstruosidade das relações internacionais, ainda antes de Donald Trump chegar ao poder.

O actual presidente norte-americano não tem feito diferente dos seus antecessores, apenas tem deixado mais escarrapachado aquilo que se mantinha abafado nos bastidores da alta política e das chefias editoriais.

A verborreia feroz pode ser o contributo de Donald Trump para a tomada de consciência, e o consequente afastamento de líderes democraticamente eleitos que não se distinguem dos ditadores sanguinários.

Actualmente, não há um único cidadão em todo o planeta que possa ter ilusões relativamente ao exercício do poder, tanto nas democracias como nas ditaduras.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

PESADELO DOS EUROPEUS


A visibilidade da explosão do fluxo migratório, cujo expoente foi atingido em Ceuta, deve ser um sinal de alarme, mais um, para Portugal.

Não é o único, pois o desnorte governamental levou à apresentação da justa moção de censura do Chega que, aliás, nunca obriga a priori a eleições antecipadas.

Luís Montenegro não pode continuar a ignorar as críticas de todo o lado, indiferente ao coma político de Luís Neves, pois o país está pior, desde a saúde à justiça, enquanto cresce a insegurança.

A instabilidade em Portugal não é alheia à governação dos 27, cada vez mais enredada na guerra da Ucrânia, enquanto ignora o genocídio na Palestina e o ataque ao Líbano às mãos de Israel.

Aliás, não pode haver nada mais trágico do que a monstruosa cumplicidade dos líderes europeus em relação ao Médio Oriente, afinal a origem do aumento do custo de vida que está a esmagar os europeus.

A vitória da AdF (Alternativa para a Alemanha) na Saxónia-Anhalt é apenas mais um efeito da liderança de Friedrich Merz, o “boss” de uma união que já tem uma dívida pública de 82,9% do PIB.

Afinal, a alternância ainda é ou já não é a democracia a funcionar?

A campanha do medo já não desmobiliza nem portugueses nem europeus, fartos de corrupção e do esmagamento de direitos individuais e sociais.

Há quem, em pânico, culpe a “gritaria”, outros mais independentes alcançam que é o repúdio veemente da política do “centrão” das negociatas, da geometria variável e da lei do faroeste.

Basta uma rápida passagem pelas redes sociais para compreender o início do pesadelo dos europeus, como lhe chamou Henrique Burnay, singela e liminarmente.

Atirar ao mensageiro é apenas e sempre a solução mágica dos tiranos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DEMOCRACIA DO LAMAÇAL


O ciclo da instabilidade regressa a Portugal, com a agravante da incerteza internacional.

O padrão é evidente pouco mais de dois anos após Luís Montenegro ter assumido a liderança do governo.

De facto, o primeiro-ministro não cessa de manter situações que podem descambar em conflitos institucionais e com a oposição parlamentar.

Mais do que a governação, a resolução de problemas estruturais e estrangulamentos com décadas, a multiplicação de incidentes já não pode ser assacada aos partidos políticos da oposição parlamentar.

Nova cabala à parte, Luís Neves não tem condições para continuar no Executivo, evidência que é transversal na sociedade e na classe política, da esquerda à direita.

Por sua vez, António José Seguro tem permitido todo o tipo de especulações no mesmo sentido nos mais diferentes Media.

O resultado está à vista: o Chega, consequentemente, apresenta na Assembleia da República uma moção de censura, deixando os outros partidos numa posição dúbia e contraditória.

O golpe da Spinumviva resultou em eleições antecipadas, mesmo que não tenha existido, nem exista um esclarecimento cabal, premiando Luís Montenegro com a reeleição.

Todos os caminhos vão dar à Justiça, lenta, politizada, burocrática e descredibilizada, um problema maior que continua a ser tratado como um pormenor periférico.

O apodrecimento em curso vai conduzir à reedição de mais uma crise a curto prazo?

Afinal, «podem dizer o que quiserem», afirma Luís Montenegro, mas um dia terá que ser esclarecido a quem serve esta democracia do lamaçal.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

CIVIS ASSASSINADOS: OS BONS E OS MAUS



A celebração do 35º aniversário da independência da Ucrânia marca mais uma romaria de governantes europeus a Kyiv, muitos abraços e beijinhos, migalhas, infinidade de atrasos e promessas incumpridas.

Os ucranianos indefesos, sem meios para travar os mísseis balísticos russos, tombam aos milhares (525.000 a 625.000 mortos, feridos e desaparecidos).

A coligação da boa vontade continua a apostar na chacina ucraniana como a melhor defesa possível da União Europeia.

As hediondas mortes de indefesos e inocentes ucranianos têm gerado coros de críticas à bestialidade de Vladimir Putin, uma atenção que os palestinianos não têm merecido.

De igual modo, os esforços de paz de António Costa, presidente do Conselho Europeu, ficam-se pela Rússia, não chegam até Israel, nem a Benjamin Netanyahu e demais facínoras indiciados por crimes de guerra e contra a humanidade.

É o tempo dos civis assassinados, os bons e os maus, apesar da procissão de horrores ainda não ter saído do adro, num cenário mundial que assume contornos pavorosos:

· Médio Oriente à beira implosão;

· Marginais e meliantes eleitos nos continentes americano e europeu;

· Taxa de pobreza mundial (10% da população global, 826 milhões de pessoas);

· Taxa de desemprego jovem (Portugal 18,9% e União Europeia média de 15,5%), indicador cuja relação com o início da Grande Guerra é uma evidência estatística.

As piores expectativas ganham força, desde o aviso do Papa Francisco: «Actualmente, a Terceira Guerra Mundial já foi declarada» (14/06/2022).

Não faltam alertas, nem destruição, nem sangue derramado, nem miséria e fome.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

BOA SORTE, PORTUGAL


Após a Revolução dos Cravos, a política externa passou por uma reorientação profunda: fim do império colonial, democratização e integração na comunidade internacional.

As propostas pacifistas, não-alinhadas ou ainda mais próximas dos blocos soviético e chinês inviabilizaram inicialmente um acordo maioritário que apenas chegou com a adesão à CEE, em 1985.

O consenso democrático – centrado na Europa, no Ocidente e na cooperação lusófona – foi uma construção de Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral.

Importa ainda nunca esquecer: a entrada na NATO (1949) e os acordos das Lajes (1951) vêm de António Oliveira Salazar, tendo sido abraçados pela democracia.

Passados 40 anos da adesão europeia, o que distingue as cumplicidades do governo de Luís Montenegro e dos maiores partidos políticos (PSD, Chega, PS e IL) com o genocídio‌ em Gaza e a ocupação ilegal na Cisjordânia?

A resposta é factual: nada!

As linhas fundamentais da política externa democrática foram engolidas pelo Bloco Central, agora paradoxalmente alargado aos partidos liderados por André Ventura e Mariana Leitão.

Na realidade, o “centrão” instalou-se, alargou-se, sendo que as indecorosamente tímidas investidas da esquerda mais à esquerda fazem temer o pior: o unanimismo na forma como Portugal olha e está no Mundo.

É a construção de uma sociedade em que os direitos humanos, o direito internacional e o multilateralismo estão prisioneiros do pragmático deslassar de princípios e valores universais.

Quando o bem maior equivale a vergonha mínima, resta apenas desejar: boa sorte, Portugal.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

FARSA E RESPONSABILIZAÇÃO


O código de conduta ministerial foi adotado pelo governo de Luís Montenegro (Resolução do Conselho de Ministros n.º 64/2024, de 24 de abril publicada no Diário da República).

Os 15 artigos do instrumento de auto-regulação não foram suficientes para evitar os actuais constrangimentos do XXV governo constitucional.

Das duas uma: ou o código de conduta ministerial é apenas mais uma ferramenta que não serve para nada, ou o ministro da Administração Interna mentiu antes de integrar o governo.

Salvaguardada a prevenção que não funcionou, nem mereceu reparos da parte de Belém, importa saber se Luís Neves tem condições para se manter no cargo.

Os líderes partidários, mais ou menos assertivamente, consideram que não, enquanto António José Seguro se enreda num exercício estéril para nada ter de assumir e decidir.

Porém, há questões tão ou mais graves:

Luís Neves está sob escuta desde que a PGR abriu um inquérito criminal?

O ministro da Administração Interna pode colocar em perigo, por força do seu poder e influência pessoal, política e institucional, a preservação das provas?

O alarme está instalado na sociedade portuguesa?

Qualquer cidadão com bom senso sabe quais são as respostas.

A PJ exige meios e escrutínio, agora como antes, e nem é preciso lembrar Adelino Salvado (director nacional de 2002 a 2004) que garantia saber as manchetes antes de serem publicadas.

O que degrada e compromete o regular funcionamento das instituições e a credibilidade do regime democrático é o hiato grotesco entre a farsa e a responsabilização política.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MINUTO FATAL

 

Conferência de imprensa: Luís Neves.

Dia: 29 de Julho de 2026.

Hora: 18h38m

«Temos vindo a destruir muito material apreendido, praticamente, muitas vezes pro bono pelas relações que temos com as empresas que destroem sobretudo a droga, o tabaco e outros materiais face a relação que a PJ tem com estas empresas».

Foi o minuto fatal de Luís Neves, cuja declaração curiosamente não foi sublinhada pelos Media e demais analistas políticos, à excepção honrosa de Miguel Morgado na SIC Notícias.

É muito mais do que o atrelado (galera) em Barcelos, é a dúvida definitivamente instalada em Portugal: por que razão empresas privadas prestam serviços ao Estado sem cobrar?

A sinceridade do ministro da Administração Interna (lapso?) vai fazer correr rios de tinta na comissão parlamentar de inquérito, já anunciada por André Ventura.

Se não é possível concluir por um qualquer indício de potencial desvio e corrupção, tão-pouco é admissível invocar o património declarado de Luís Neves como um atestado de boas práticas.

Até agora, a imagem do passado do alto funcionário de Estado serviu como garantia para integrar o XXV governo constitucional.

Hoje, e depois das revelações, é matéria que obriga o cidadão a no mínimo mudar a forma como o encara a si e à sua actividade profissional e ministerial.

Afinal, tudo velho, pois foi assim com o ex-presidente Marcelo Rebelo de Sousa (gémeas) e com o actual PM, Luís Montenegro (SPINUMVIVA), entre outros.

Com uma diferença de monta: a sociedade acreditava que ainda havia pessoas e instituições capazes de tentar repor a verdade e a legalidade, hoje assiste com apreensão ao progressivo cair de braços generalizado.

 

 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

GRANDE INVESTIGAÇÃO


Presidentes e primeiros-ministros estrangeiros, Media e organizações de referência internacional, todos têm lançado apelos lancinantes para estancar a continuação do genocídio em Gaza e os ataques selváticos na Cisjordânia.

Em Portugal, o silêncio é tumular, juntando representantes dos órgãos de soberania, os líderes dos partidos políticos e as direcções de informação das televisões generalistas.

Do canal público (RTP) aos privados (SIC e TVI), dos partidos de esquerda à direita, as notícias sobre a matança imposta por Israel na Palestina desapareceram subitamente do horário nobre nos últimos tempos.

Até os apelos pungentes de António Guterres são ignorados, revelando uma concertação que só pode ser muito mais do que um acaso, estando mesmo em equação uma omertà criminosa.

O artigo 37º da Constituição da República Portuguesa estabelece que a liberdade de expressão e de informação não pode ser limitada por qualquer tipo ou forma de censura.

Anda assim como se chega a este sincronismo tenebroso num ambiente de alegada pluralidade de órgãos de informação e partidos políticos.

Em vigor a partir de 27 de Julho, a Lei n.º 5-A/2026 visa regular a actividade de lobby em Portugal, garantindo transparência nas interacções entre entidades privadas, nacionais ou estrangeiras, e entidades públicas.

Só com uma grande investigação será possível deslindar se estamos perante a corrupção generalizada para garantir que os portugueses fiquem alheados da realidade que tem chocado os cidadãos de todo o planeta.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

ANDY BURNHAM, HILLSBOROUGH E O CHORADINHO


O manto da opacidade é cada vez mais politicamente descarado em Portugal, com a nebulosa a engolir agora os ministros Fernando Lourenço e Luís Neves.

Neste cenário pavoroso, importa sublinhar a aprovação da “Lei Hillsborough”, no Reino Unido, uma estrondosa retratação pública 37 anos depois do desastre no estádio do Liverpool que provocou 97 mortes.

É de monta a tentativa de estancar silêncios, mentiras e meias-verdades para encobrir o Estado, mesmo à custa de tentar salvar a monstruosa cumplicidade de Keir Starmer com crimes de guerra e contra a humanidade.

É o pontapé de saída de Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, com uma lei que impõe às autoridades públicas o dever de dizer a verdade e cooperar com as investigações oficiais.

Ainda que dependendo da ratificação da Câmara dos Lordes, é um primeiro passo para garantir a justiça para as pessoas comuns.

Não admira que a RTP tenha ignorado olimpicamente esta legislação revolucionária, entre outros Media, comentadores e analistas, pois o critério está abastardado e na maioria dos casos a soldo.

Manter os cidadãos na ignorância facilita a leviandade política, hoje de Fernando Alexandre e Luís Neves, como ontem de Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa (inquéritos SPINUMVIVA e gémeas), entre outros.

A repetição do choradinho sobre o recrutamento político renova a dimensão da tragédia portuguesa, repetida e impune, condenando os cidadãos a mais escuridão, subdesenvolvimento e pobreza.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

GOVERNO, MINISTROS E MEDIA

 

À medida que se aproxima a negociação do Orçamento do Estado para 2027, Luís Montenegro provoca a oposição com arrogâncias, medidas precipitadas e omissões inexplicáveis.

A sucessão de erros, atropelos e trapalhadas, mesmo dos ministros com melhor performance, tem sido temperada por outras decisões infantis.

O exemplo mais flagrante é a Educação, com uma reforma, mais uma, a esbarrar na incúria do ministro da tutela, lançando centenas de milhares de alunos e famílias na incerteza.

Nas Infraestruturas, é o faz-de-conta na habitação, comprometendo a imagem conquistada de acção e competência.

Por último, e para espanto geral, o incensado ministro da Administração Interna surge agora envolvido em ameaças politicamente alarves ao Chega e num caso de favorecimento de um amigo empreiteiro.

Fernando Alexandre, Miguel Pinto Luz e Luís Neves são o espelho de ministros em queda, acentuando ainda mais a parte do Executivo que se tem destacado pela ausência ou pela criminosa geometria variável.

Um ano e dois meses depois das últimas legislativas, o XXV governo constitucional surge desgastado, sem vislumbre de mobilização, nem mesmo da sua base de apoio.

Objectivamente, o critério errático de António José Seguro agrava ainda mais a tensão social e política.

Não passa pela cabeça de nenhum português a realização de eleições antecipadas, mas a corrida em direcção ao abismo, o desnorte da Comissão Europeia e a guerra à vista podem gerar uma instabilidade imprevisível.

Afinal, o alinhamento dos espaços informativos televisivos em prime time, com base em milhões alegadamente desinteressados, já não é há muito tempo o factor determinante para avaliar a governação.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MARTINEZ, RONALDO & COMPANHIA AINDA PODEM ESCOLHER


Os jogadores de futebol são muitas vezes estigmatizados com as imagens do pobre e do analfabeto que aproveitam um dom inato para subir na vida.

Actualmente, o profissional de futebol é muito diferente, quanto às origens, instrução e ambições.

Os "heróis do mar" de Luís Montenegro e António José Seguro já ouviram falar dos genocídios da Bósnia, no final do século XX, e de Gaza, ainda em curso.

Alguns deles até podem conhecer o diário de Zlata Filipović escrito por uma menina (dos 11 aos 13 anos), durante o cerco a Sarajevo (1992-1996).

FOME!!

MISÉRIA!!!

MEDO!!!

Esta é a minha vida.

A vida de uma menina inocente de 11 anos!!

Uma aluna sem escola, sem as alegrias e a excitação da vida escolar.

Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem fruta, sem chocolate nem rebuçados — só com um pouco de leite em pó.

Ontem, como hoje, agora, sem opção, esta é igualmente a vida de uma qualquer criança palestina, se houver sobrevivido às bombas, aos drones, aos soldados e aos snipers de Israel nos últimos 1000 dias.

A glória, a fama, a riqueza e as vitórias também podem estar ao serviço de quem nunca cresceu com a oportunidade de simplesmente brincar, ir à escola, jogar à bola e sonhar com um futuro justo.

A vida é sempre maior do que a lenda e o futebol, como aconteceu em Maio passado na “La Liga”, nos estádios Vallecas e Camp Nou.

Passado um mês, emigrantes portugueses seguiram os gestos de Ilias Akhomach e de Lamine Yamal, desfraldando bandeiras da Palestina e de Portugal nas ruas de Toronto, no Canadá, sinal de regozijo após o triunfo, mas também cidadania, empatia e esperança.

Afinal, Roberto Martinez, Cristiano Ronaldo e companhia, com a garantia de que não há qualquer castigo da FIFA, ainda podem escolher, mais uma vez, porque a vida é sempre maior do que o Mundial de 2026.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

DESCARADOS E DESMASCARADOS


O genocídio dos judeus, às mãos dos alemães, com a cumplicidade dos italianos, entre outros, nos anos 40, contou com a oposição da generalidade dos países europeus, ainda que tardia.

Actualmente, o genocídio dos palestinianos tem a União Europeia do lado de Israel, com a Alemanha e a Itália na liderança.

A monstruosidade tem ainda mais uma agravante: o rearmamento frenético dos alemães.

Na II Grande Guerra, António Oliveira Salazar afirmava uma neutralidade que, na hora da verdade, sempre favoreceu o eixo dos assassinos e fascistas.

Hoje, as grandes e eloquentes declarações dos representantes dos órgãos de soberania de Portugal têm resultado idêntico: a cumplicidade objectiva com os párias, os Estados Unidos da América e Israel.

A liderança das Nações Unidas e a eleição para o Conselho de Segurança não têm sido suficientes para travar a deriva imprudente da actual governação, aliás como das anteriores.

Uma semana depois da ONU ter oficializado o genocídio em Gaza, Luís Montenegro e António José Seguro continuam calados e descarados, irremediavelmente desmascarados, quais algozes com sangue nas mãos.

Ser radical e extremista, hoje, é abafar a ignomínia do genocídio, é fazer ouvidos de mercador em relação às palavras firmes e serenas de Leão XIV.

Resta o exemplo do povo bósnio na defesa dos palestinianos: é a empatia de quem sobreviveu a um genocídio, e se reconhece na posição de mais uma vítima de uma força militar superior e insolentemente ocupante.

Depois da matança de 8 mil homens, mulheres e crianças em Srebrenica (1995), os europeus também condenaram, enviaram ajuda humanitária e tropas de paz, mas falharam estrondosamente em evitar a limpeza étnica.

É o preço a pagar por quem está sempre disponível para virar a cara, encolhendo os ombros, sabe lá Deus a que preço.

Amanhã, talvez já seja demasiado tarde para desviar a atenção da bola, pois a matança continua.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

BYE-BYE, STARMER


Ninguém prognosticou um fim tão desastroso para o advogado de direitos humanos, responsável pelo Brexit no partido Trabalhista (Labour), que chegou ao poder no dia 5 de julho de 2024.

Após 14 anos seguidos de governos conservadores (2010–2024), e depois da substituição de Jeremy Corbyn, em Abril de 2020, entrou pela porta de 10 Downing Street, foi o primeiro primeiro-ministro trabalhista desde Gordon Brown (2010) e o primeiro a vencer uma eleição geral desde Tony Blair (2005).

O corte no Winter Fuel e a reforma do sistema de apoios sociais (2024–2026), o escândalo Mandelson (2025/2026), o fraco desempenho económico e a política de apoio a Israel traçaram o seu destino político.

Ninguém jamais poderá esquecer uma das suas declarações mais assassinas, a 11 de Outubro de 2023: «Israel does have that right to cut off water & power from Gaza».

O espectáculo das prisões de cidadãos, classificados como “terroristas”, por apenas protestarem contra a cumplicidade do Reino Unido com o genocídio em Gaza, foi o epílogo sinistro, aliás com o contributo do politicamente cínico David Lammy.

A gigantesca derrota nas eleições locais de Maio de 2026 marcou o fim anunciado.

A queda retumbante de Keir Starmer também é um rude golpe para o governo liderado por Luís Montenegro, sistemática e tragicamente alinhado com as políticas facínoras do Reino Unido que permitiram o contínuo negócio de venda de armas para Israel.

Falta ainda escrever a página mais negra de Keir Starmer: o encontro com o Tribunal Penal Internacional, a confirmar-se a promessa, a 5 de Junho de 2026, de um dos candidatos a suceder-lhe, Andy Burnham: «There has to be a full process of investigation and accountability».

segunda-feira, 15 de junho de 2026

HERÓIS DO MAR


O alheamento em relação às ocupações ilegais pela força, na Ucrânia, Palestina e Líbano, entre outras latitudes, continua a fazer o seu caminho.

As explicações são prosaicas, ainda que trágicas.

O Mundo inteiro quase esquece as guerras, agora com o início do campeonato mundial de futebol e mais um anúncio de paz.

A banalização da morte, do arbítrio, da injustiça e da lei do mais forte varre qualquer vislumbre de indignação e consciência criticas.

Os Media participam na encenação gigantesca relativamente às origens que estão na base dos actuais conflitos, seja em Gaza, em Beirute e em Kiyiv.

A desfaçatez e a ignorância são de tal calibre que se chega a incensar os criminosos e os ocupantes, apontando a mira a quem resiste, mesmo debaixo da mais vil e desproporcional chacina.

Apesar das matanças sanguinárias, algumas com a cumplicidade de Portugal, os jogadores da selecção lusa de futebol ascendem ao zénite dos discursos dos representantes das instituições nacionais.

Luís  Montenegro e António José Seguro não hesitam: são os heróis do mar.

Os cidadãos que esperam e desesperam por saúde, justiça, educação, segurança, e que foram obrigados a aguentar mais uma escandalosa falha no SNS, têm de esperar por igual atenção, entusiasmo e carinho.

O arrastar dos mais indecorosos estrangulamentos, que persistem décadas a fio, podem esperar mais um mês.

As pomposas juras de respeito pelos direitos humanos e internacionais também, sem que o ridículo cubra de vergonha os seus autores.

Afinal, os discursos populistas, mentirosos e parolos não têm limites, mais bola menos bola.