segunda-feira, 27 de abril de 2026

TRUMP AMEAÇOU PORTUGAL?


Se espanta que mais de 70% dos israelitas estejam com Benjamin Netanyahu, choca ainda mais que o 25 de abril tenha servido para abafar a incivilidade, desde o presidente da República aos partidos políticos.

A excepção coube a José Luís Carneiro, com palavras firmes e objectivas contra a guerra ilegal, honrando o legado de Mário Soares, Jorge Sampaio e do Partido Socialista.

Aliás, não é por acaso que, entre citações a rodos, de portugueses e estrangeiros, nem uma tenha sido de Leão XIV, por certamente contrariar o discurso oficial e pantanoso.

Os representantes dos órgãos de soberania e as lideranças da maioria dos partidos estão com a brutalidade das armas, obviamente com as mãos postas nas falsas juras de respeito pelo direito internacional.

Há uma interpretação benigna para as referências genéricas de António José Seguro, a do apelo à decência humanitária, mas no actual contexto de carnificina é nada ou quase nada.

O clamor estéril pela transparência também contrasta com a opacidade e até omissão da politicamente seguidista posição portuguesa.

Igualmente, não basta um par de loas sobre o combate à corrupção, o estafado slogan do 25 de Abril, urge escrutinar a razão pela qual, da esquerda à direita, tem havido tanta complacência com a ignomínia.

Portugal tem sido cúmplice de uma das maiores selvajarias da humanidade, pelo que se impõe a questão: Donald Trump ameaçou tomar a base das Lajes se houvesse oposição à passagem de armas ofensivas?

segunda-feira, 20 de abril de 2026

NAS COSTAS DOS PORTUGUESES


O debate sobre o acordo entre a União Europeia e Israel continua a marcar a actualidade.

Mais de dois anos após o início do genocídio em Gaza, e em plena matança no Líbano, a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, amanhã (21), vai ter de enfrentar o elefante na sala.

Depois de pedir a suspensão do tratado de associação, em Fevereiro de 2024, Espanha quer o rompimento do acordo, acusando Benjamin Netanyahu de violar o direito internacional e os direitos humanos.

«Aquele governo que viola o direito internacional não pode ser parceiro da União Europeia», afirma Pedro Sánchez.

Neste contexto nada se sabe sobre qual é a posição oficial de Portugal, porventura por se levantarem interesses difusos e inconfessáveis.

Os deputados já se pronunciaram há quase um ano sobre a suspensão da parceria (11 de Julho 2025), não tendo sido chamados agora a avaliar a ruptura que está em cima da mesa.

Nem Luís Montenegro nem António José Seguro informaram os portugueses sobre quais as instruções dadas a Paulo Rangel, nem uma palavra expressa de condenação, apenas o silêncio.

A mesma atitude tem sido levada a cabo em relação aos Estados Unidos da América depois do ataque ilegal ao Irão.

Não escasseia acordo entre o primeiro-ministro e o presidente da República, o que falta é respeitar Constituição da República, o direito internacional e os direitos humanos.

Portugal mantém a cumplicidade politicamente criminosa com os regimes párias de Israel e dos Estados Unidos da América nas costas dos portugueses.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

NÃO BASTA REZAR, É PRECISO AGIR

 

As intervenções do Papa Leão XIV e de representantes da cúpula da Igreja, incluindo os norte-americanos, conferem ao Vaticano a liderança mundial pela paz.

Os cardeais Robert McElroy, Pietro Parolin, Pierbattista Pizzaball e Paul Coakley (presidente da Conferência dos bispos dos Estados Unidos da América) são alguns dos exemplos mais proeminentes.

A intervenção tem sido firme, com uma assertividade pouco habitual, que traduz a gravidade da conjuntura, tendo já provocado uma reacção desesperada de Donald Trump.

A Vigília pela Paz, presidida pelo Papa Leão XIV, no passado dia 11 de Abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, representou um apelo inequívoco aos católicos.

Não basta rezar, é preciso agir, concluíram, num gesto que traduz o imperativo inalienável da dimensão humana e social.

A Igreja portuguesa continua vergada a uma política externa pequenina, rasteira e canina, mais preocupada com os seus assuntos de Estado do que estar inequivocamente ao lado da paz mundial.

À excepção de Pedro Sánchez, os líderes europeus afundam no pântano da ilegalidade, do genocídio e da matança no Médio Oriente, numa cumplicidade abjecta com Israel e os Estados Unidos da América.

A União Europeia, liderada por Ursula Von der Leyen, é um espectro assustador que não está à altura da vitória esmagadora de Péter Magyar, na Hungria.

Não há liberdade na Europa, enquanto os negócios de Estado estão objectivamente do lado das armas, dos facínoras e da guerra.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

AFRONTA AOS CATÓLICOS PORTUGUESES




«A morte e a dor causadas por estas guerras são um escândalo para toda a família humana e um grito que se eleva a Deus!».

Esta é uma das muitas declarações de Leão XIV, insistindo na paz, na dignidade e na humanidade, a propósito da devastação em Beirute, Cartum, Gaza e Teerão.

O líder do Vaticano continua a porfiar no apelo ao diálogo e na crítica aos cúmplices, sempre de mãos postas na cobardia da mentira e das meias palavras.

O presidente da República, António José Seguro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o cardeal D. Rui Valério não podem continuar a refugiar-se nas generalidades, enquanto as armas ofensivas fluem pela base das Lajes.

À beira do precipício, as posições do Estado português e da Conferência Episcopal são afrontas aos católicos portugueses.

Falta a condenação expressa de Israel, dos Estados Unidos da América e da política externa portuguesa que objectivamente serve a guerra e a desumanidade.

À medida da subida do preço dos combustíveis, entre outros efeitos devastadores da guerra, os cidadãos vão recordar quem tolerou o arbítrio e o genocídio.

O ataque ilegal e injustificado contra o Irão merece uma resposta universal, a exemplo daquela dada financeiramente pela Dinamarca ao último delírio norte-americano de invasão da Gronelândia – “Sell America”.

Só a corrupção de Estado pode continuar a adiar o vergar da 27ª economia (Israel) e do maior devedor mundial (EUA).

Afinal, o dinheiro foi sempre a única moeda de troca reconhecida entre assassinos.

segunda-feira, 30 de março de 2026

O CLAMOR DE LEÃO XIV



As últimas intervenções do Papa Leão XIV têm abalado cidadãos e chancelarias.

Não pode haver meias palavras para sentenciar quem decide a destruição e o genocídio.

Os nunca vistos termos firmes e duros do líder do Vaticano atingem em cheio governantes, independentemente da força dos seus exércitos.

Quem se esconde de inequivocamente condenar o uso arbitrário das armas para assassinar crianças, idosos, homens e mulheres, e depois critica a violação da liberdade religiosa, não merece tolerância nem respeito.

A duplicidade de critérios é tal que até os ambientalistas estão conformados com os desastres ambientais na Ucrânia, em Gaza, no Líbano, no Irão e nos países do Golfo Pérsico, cujos efeitos perdurarão durante décadas.

Nunca o líder dos católicos esteve tão perto dos mais fracos e chacinados, falando sem tibiezas, apesar de outros silêncios monstruosos.

Nunca a União Europeia esteve tão atolada na carnificina gratuita, ensaiando agora um inflamado protesto pela pena de morte depois de pactuar sistemática e indecorosamente com Israel.

Nunca um governo nacional colocou Portugal numa tal posição de infame vassalagem política, dando luz verde aos senhores da guerra.

Não há tecnicidade nem tratado bilateral que possa violar o direito internacional, como institui a Constituição (artigos 7º e 8º), de acordo com a Convenção de Viena (artigos 52º, 53º e 64º), que Portugal assinou em 1969.

A farsa está à vista: a manter-se a situação pária, está esgotado o estado de graça de António José Seguro 50 dias depois da eleição como 21º presidente da República.

segunda-feira, 23 de março de 2026

24 DIAS DEPOIS DO ATAQUE ILEGAL CONTRA O IRÃO



O tempo passa, mas as guerras ilegítimas continuam a deixar rastos de mortes e de destruição que afundam a civilização.

A brutalidade das guerras ilegais está amplamente documentada no estudo “Costs of War Project” (Watson Institute, Universidade Brown, EUA).

A última actualização estima entre 4,5 e 4,7 milhões de mortes no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Síria, Iémen, Somália e Líbia.

Só a invasão e a agressão ao Iraque, de acordo com outro estudo publicado na revista Lancet (2006), regista mais de 1 milhão de mortes (655 mil mortes em excesso entre Março de 2003 e Julho de 2006 e 601 mil por violência directa).

Os russos fazem parte da tragédia impune, com a invasão e a agressão na Ucrânia: mais de 15 mil civis ucranianos mortos e cerca de 2 milhões de baixas militares de ambos os lados, de acordo com fontes das Nações Unidas.

O auge da matança continua em curso com o genocídio em Gaza perpetrado por Israel: 75.200 mortes de palestinianos só até Janeiro de 2025 (“Gaza Mortality Survey”), de 18 de Fevereiro de 2026).

Eis o retrato pavoroso das guerras ilegais nos últimos 25 anos, sem contar com outros efeitos devastadoras de sanções económicas e as mortes e a destruição 24 dias depois do ataque injustificado contra o Irão.

As linhas vermelhas continuam a ser ultrapassadas, numa vertiginosa escalada que ninguém consegue adivinhar onde vai parar.

Portugal esteve sempre vergonhosamente do lado errado, sempre cúmplice dos maiores criminosos do último quarto do século, à excepção da Ucrânia.

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

CUMPLICIDADES CRIMINOSAS CUSTAM CARO


Pactuar com a violação dos mais elementares princípios civilizacionais tem resultado numa deriva perigosa.

Varrer para debaixo do tapete a guerra, as invasões, os danos colaterais (assassinato de civis) e a corrupção de Estado tem dado origem a abusos inomináveis.

Os exemplos sucedem-se, sendo o último o bombardeamento norte-americano à escola Minab, em Teerão, no Irão, matando 110 raparigas.

A comunidade internacional assiste, com mais ou menos declaração, apesar das sondagens nos Estados Unidos da América e na Europa revelarem a oposição dos cidadãos a nova invasão e agressão hediondas.

A vertigem é tal que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, até já faz inflexões sobre o respeito dos princípios da Carta da Nações Unidas.

De facto, a actual lei do mais forte em termos internacionais não pode ser dissociada da falência dos Media, do poder judicial e do consequente esmagamento dos direitos individuais em cada um dos países.

Portugal continua a viver momentos históricos: Luís Montenegro, PM, está sob investigação policial, agora por causa da casa de Espinho; Marcelo Rebelo de Sousa, ex-presidente, a braços com o inquérito criminal por causa do escândalo das gémeas.

Assim, não admira que a União Europeia conviva bem com António Costa, na presidência do Conselho Europeu, apesar do caso dos 75 mil dólares magistralmente recordado por Mário Crespo na CNN Portugal.

Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin, entre outros, não são frutos do acaso, mas sim produtos de anos e anos de omissões e negociatas.

Os custos devastadores das actuais cumplicidades criminosas, aliás sintetizadas no escândalo Epstein, estão mesmo à nossa frente.

segunda-feira, 9 de março de 2026

SOU LIVRE


A declaração de António José Seguro, a 12 de Novembro de 2025 – «É preciso parar de fingir e é preciso passar das palavras aos actos e encontrar soluções» – , é a bússola anunciada para o mandato do 21º presidente da República.

A coesão social, o combate à corrupção e a paz surgem como bandeiras de uma mudança tranquila, princípios com vista a estancar a desconfiança dos portugueses nos órgãos de soberania e regime democrático.

É um desafio de monta, cujo sucesso apenas depende do exclusivo exercício de funções com verdade e com transparência, mais ao serviço dos cidadãos do que a qualquer outro interesse de Estado opaco e difuso.

No discurso de tomada de posse, de cerca de 23 minutos, o presidente da República, António José Seguro, afiançou: «Sou livre! A minha liberdade é a garantia da minha independência como presidente da República».

A palavra da Presidência da República precisa de passar a ter credibilidade e respeitabilidade, sem medos, omissões, abusos de poder, nódoas e exibicionismos em nome de uma proximidade apenas na forma.

segunda-feira, 2 de março de 2026

CAÍRAM AS MÁSCARAS



Os ataques ilegais ao Irão, conduzidos pelos Estados Unidos da América e Israel, permitiram uma clarificação definitiva da nova ordem internacional assente numa paz global a qualquer custo.

Caiu a mascara a Donald Trump, passado um ano e um mês da sua reeleição, tendo em conta a flagrante quebra da promessa de dar prioridade aos norte-americanos (America First).

De igual forma, o primeiro-ministro de Israel confirma a iniciativa de mais uma campanha militar brutal ao arrepio do direito internacional.

Caiu a máscara a Benjamin Netanyahu, depois de negar o genocídio em Gaza e a reinstalação do faroeste na Cisjordânia, mentiras ao serviço de um objectivo hegemónico.

Quatro dias depois do início de mais uma guerra no Médio Oriente, o desnorte dos 27 corrobora a falência política e geoestratégica da União Europeia.

Também caiu a máscara a Ursula von der Leyen, Friedrich Merz e Keir Starmer, entre outros, com a extravagância de condenarem a resposta militar do país agredido de uma forma politicamente irresponsável.

Portugal autoriza novamente o baile indecoroso de aeronaves norte-americanas na base das Lajes, indignando e envergonhando muitos portugueses por cá e em todo o Mundo, ultrapassando os demais aliados de Trump e Netanyahu.

Finalmente, caiu a máscara a Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, agora condenados a terem de assumir claramente o apoio aos agressores, depois de nos últimos meses tentarem disfarçar a cumplicidade com a matança na Palestina.

Caíram as máscaras aos líderes mundiais e demais afins, mas permanece ainda a incógnita: os actuais métodos de regulação de tensões e conflitos internacionais podem alcançar o que o multilateralismo assente na corrupção e a diplomacia bafienta não conseguiram durante décadas?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

RAPOSA OU CORDEIRO?


Reconhecido pelos seus pares, o ex-director nacional da Policia Judiciária foi um dos últimos exemplos visíveis de credibilidade nas instituições.

A transferência directa do topo da Polícia Judiciária para o Executivo mais parece uma qualquer fulgurante contratação de última hora do mundo do futebol, onde tudo se joga nos bastidores.

Na época das portas giratórias, o tempo político é agora marcado pela queda de um polícia incensado e a ascensão de um anjo governamental.

Luís Neves na Administração Interna parece um trunfo político para Luís Montenegro, até pode ser a garantia da reforma da protecção civil e, mais importante, fazer justiça nas condições salariais das polícias, mas também é mais um golpe calamitoso na separação das águas.

Seja qual for a natureza do apelo confessado por Luís Neves, já do outro lado da barricada, em nome do benefício da dúvida só o tempo dará a resposta que falta: raposa ou cordeiro?

Os ucranianos também não escapam a esta tentativa insana, sempre falhada, de misturar a água e o azeite.

Quatro anos depois da invasão russa, o falhanço europeu – de Boris Johnson a Ursula von der Leyen –, deixa ainda mais evidente o desnorte dos 27, encurralados no seu próprio labirinto de pragmatismo selvagem.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

DENTRO E FORA DAS QUATRO LINHAS


Pep Guardiola surpreendeu tudo e todos ao tomar posição sobre o genocídio dos palestinianos, comprovando que o futebol britânico é muito mais do que a bola a rolar e os milhões.

A veemência cristalina da condenação de Israel, bem como da cumplicidade da comunidade internacional, captaram a atenção de todos os Media internacionais de referência.

O treinador do Manchester City abalou as consciências do futebol europeu, vincando ainda mais a promiscuidade das autoridades da UEFA e o embaraço do próprio primeiro-ministro Keir Starmer.

A dimensão do futebol britânico também ficou assinalada por outras declarações desassombradas sobre a imigração de Jim Ratcliffe, o patrão do Manchester United.

Em Portugal, o debate no futebol está tragicamente cingido aos pequenos truques de André Villas-Boas, magistralmente rotulados por Joaquim Rita.

O constante panegírico de Cristiano Ronaldo, rendido aos milhões do ditador da Arábia Saudita, suspeito de mandar assassinar o jornalista Jamal Khashoggi, é a cereja em cima do bolo da pequenez dos agentes desportivos nacionais.

O pulsar da cidadania favorece a grandiosidade do desporto-rei, dentro e fora das quatro linhas, corroborando a gritante diferença entre o futebol britânico e português.

Aliás, não é certamente por acaso que Portugal mantém a prossecução de uma política externa rasteira, sob a liderança de Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, com o Ámen da União Europeia.






segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

MUDANÇA EM MARCHA



Hoje, na bica da manhã, a esperança sente-se, respira-se, confirmando as expectativas que brilham nos olhos de cada um.

Há mais de 11 anos que António José Seguro se havia afastado dos bastidores do poder e da militância activa no Partido Socialista.

O próximo presidente da República veio da sociedade civil, tendo obtido uma votação histórica.

As suas primeiras palavras, como presidente eleito, foram de exigência em relação ao Estado, a garantia de que as vítimas das últimas tempestades não estão sozinhas.

Por sua vez, André Ventura, o derrotado, com mais de 1,7 milhões de votos, lança mais um aviso de que está ainda mais perto do poder.

Um e outro, cada um à sua maneira, obtiveram o prémio de terem combatido de frente o que continua mal há décadas no país.

Os resultados das eleições presidenciais constituem o último aviso dos portugueses a uma casta que continua a exibir impunemente a indiferença em relação aos estrangulamentos do país e ao dia-a-dia de sofrimento dos cidadãos.

É a derrota de quem tem dominado nos últimos 50 anos, antecipando que a mudança está cada vez mais perto, restando apenas saber se será levada a cabo pelos moderados ou pelos radicais.

O regime democrático pode ser mais, muito mais, do que o sistema caduco, corrupto e em colapso que continua a pactuar com o caos no SNS, a balbúrdia na escola, a falta de habitação e a justiça pomposa digna do terceiro mundo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

NÃO HÁ BOA E MÁ DESINFORMAÇÃO


Cinco dias depois da passagem da depressão “Kristin”, e de muitas críticas, Luís Montenegro prometeu um pacote de apoios no valor de 2,5 mil milhões de euros para famílias, empresas e recuperação de infra-estruturas.

André Ventura reagiu: «Estes apoios do Governo são constrangedores. Para as estruturas políticas dão-se milhões, para as pessoas e para as famílias dão-se tostões. €537 de apoio por pessoa? Por amor de Deus, ganhem vergonha!».

Por sua vez, António José Seguro também clamou: «As medidas vão na direcção certa. O que é importante é que cheguem o mais rapidamente. Nós conhecemos a tradicional burocracia do Estado».

As reacções dos candidatos presidenciais vincam diferenças, mas indiciam a certeza pavorosa: os apoios registam em média atrasos nos pagamentos que variam entre 12 e 18 meses, com base nos casos “Leslie” (2018), “Elsa” (2019) e “Martinho” (2025).

As declarações em pose de Estado caracterizam uma parte da farsa bem à portuguesa que perdura há muitos anos, com a cumplicidade dos Media, sempre focados no “boneco” e indiferentes ao dia-a-dia dos cidadãos.

Resta a pedrada no charco lançada por Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP, em entrevista à SIC Notícias, a 28 de Janeiro: «Muitos prejuízos causados pela tempestade “Martinho”, no ano passado, continuam por compensar».

A dissonância entre a “bolha” mediática e a realidade vivida pelos portugueses não se cinge aos apoios depois das tempestades, basta atentar ao caos no SNS, tribunais, escolas, habitação, etc.

A ausência de escrutínio também é outra tragédia, a qual explica a falta de confiança no regime democrático e a devastadora crise nos órgãos de comunicação social tradicionais.

Não há boa e má desinformação, venha ela de onde vier.







segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PRESIDENCIAIS: DIGNIDADE E HUMANISMO

 

O governo inicia e gere o dia-a-dia da política externa (negociações, acordos, implementação), enquanto o presidente da República aprova, representa e supervisiona, garantindo os princípios constitucionais.

Os dois candidatos presidenciais não podem ficar escondidos, tal como o têm feito Paulo Rangel, Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, com a cumplicidade generalizada dos Media.

António José Seguro e André Ventura têm de dizer ao que vêm: é para manter a política externa que tem envergonhado Portugal?

Face à duplicidade de critérios em relação à tensão que está a assolar as relações internacionais – Irão, Gronelândia, Palestina e Ucrânia, entre outros –, ambos os candidatos devem ser claros.

António José Seguro não pode arriscar qualquer confusão com as posições bárbaras e belicistas já assumidas por André Ventura, pois seria um trágico convite a abstenção da esquerda e da direita que se identificam com os valores universais.

O escrutínio de cada candidato, antes de 8 de Fevereiro, é também fundamental para afastar qualquer possibilidade de ocorrer em Portugal o que se está a passar do outro lado do Atlântico.

É preciso recordar que o posicionamento musculado anunciado por Donald Trump, por exemplo na imigração, derrapou na matança levada a cabo pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) nos Estados Unidos da América.

No tempo das armas e do dinheiro, o exemplo de Espanha, mesmo aqui ao lado, pode ser inspirador para renovar o posicionamento de Portugal no Mundo.

Para miséria já chega o que se passa cá dentro – caos no SNS, alunos sem professores, justiça de terceiro mundo, etc. – não havendo interesse nacional a nível externo que justifique a perda do que ainda resta aos portugueses: dignidade e humanismo.

O próximo presidente da República não pode arriscar o mesmo vexame infligido à presidente da Comissão Europeia, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas, a 17/04/2024: “You are a criminal Ms. Von der Leyen. You should be at The Hague”.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

MASCARADOS


Os resultados da primeira volta das presidenciais são uma enorme vitória pessoal de António José Seguro.

No dia 8 de Fevereiro, os portugueses escolhem entre duas sociedades: a do humanista que combateu o aparelho do PS, laboriosamente erguido por António Costa, e a do adepto de os mascarados de Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Polícias e civis armados que escondem a cara, em Mineápolis, em Gaza e na Cisjordânia, entre outros lugares, é a pior publicidade para o líder do Chega.

Afinal, as democracias da violência policial contra cidadãos desarmados e jornalistas, por exemplo em Londres e em Berlim, são tão abjectas quanto a repressão brutal em Moscovo, em Teerão e noutras latitudes fustigadas pela ditadura.

Desculpar uns e diabolizar outros ao mesmo tempo revela apenas uma atitude politicamente doentia.

Resta aos senhores do poder, do Bloco Central, do partidário e dos negócios e interesses, compreenderem que Portugal não pode mergulhar em tanta bestialidade, tanto desrespeito pela lei e tanta desumanidade.

Manter o país no pântano da corrupção larvar e do mais evidente desprezo pelos cidadãos tem um custo gigantesco: basta olhar para o que se passa de um lado e do outro do Atlântico.

Com a passagem à segunda volta, André Ventura também sai vitorioso?

O líder do Chega, ao avançar para a corrida presidencial, caiu na ratoeira do seu último sucesso eleitoral, pois a sua alternativa está cada vez mais colada aos momentos mais terríveis do primeiro quarto do século XXI.

António José Seguro comprovou que não basta um bárbaro e belicista, um gestor com verniz liberal, um militar de dedo esticadinho e uma estrela de televisão para enfiar uma máscara pela cabeça abaixo dos portugueses.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

COVEIROS DA CULTURA EUROPEIA



A brutal repressão da ditadura iraniana ocupa as manchetes e a informação televisiva.

Muitas condenações, mas continuam os negócios de Estado e dos oligarcas, das cores dos líderes no poder, com mais ou menos corrupção e comissões milionárias.

Donald Trump é só a face visível deste novo modo de governação, porque assume a boçalidade de uma atitude que serve friamente os seus interesses pessoais e os dos Estados Unidos da América.

Afinal, qual é a diferença entre polícias armados e mascarados (ICE) que matam norte-americanos e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que esmaga os iranianos?

O novo clamor internacional contra os ditadores iranianos contrasta com o silêncio e o abandono dos palestinianos, mais uma vez invadidos, bombardeados, ocupados, assassinados e novamente massacrados.

Os arautos da diplomacia da geometria variável, sem lei nem valores, tradicionalmente escondidos no multilateralismo, abriram a porta à ultrajante lei do mais forte.

Chegou o momento de começar a pagar a factura pesada do vazio nas relações internacionais, alimentado até à exaustão pelos burocratas da União Europeia.

Mesmo com a evidência dos cadáveres amontoados à porta dos necrotérios em Teerão, não é de admirar que a contabilização do número de mortos e feridos iranianos seja recebida pelos cidadãos com cepticismo.

A ameaça sobre a Gronelândia é o expoente deste buraco gigantesco que se está a transformar na sepultura das instituições ocidentais.

Só faltava o último desplante dos coveiros da cultura europeia: Ursula von der Leyen afirma que a «lei é mais forte do que o confronto»; António Costa adverte que «a terra pertence a quem lá vive».

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

FALA DA PAZ E FAZ A GUERRA


A invasão da Venezuela e o rapto de Nicolás Maduro não foram ilegalidades para repor a legalidade, pois os corruptos e cabecilhas do tráfico de droga que estiveram ao lado do sucessor de Hugo Chávez continuam no poder na Venezuela.

Consumado o golpe, à boa maneira do faroeste norte-americano, e materializada a decapitação pela força do regime venezuelano, afinal tudo está na mesma.

Nem uma réstia de cultura democrática foi cumprida, pois Edmundo González Urrutia e María Corina Machado já foram afastados.

O que resta?

A resposta feroz da China e da Rússia, reacções que marcam o início de 2026, um ano de todos os perigos.

A tensão crescente na base de apoio de Donald Trump, com os Republicanos e o movimento MAGA cada vez mais divididos.

Finalmente, a encolhida reacção da União Europeia e o vergonhoso branqueamento de Paulo Rangel, aliás acompanhado por Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa.

As declarações críticas da esmagadora maioria dos candidatos presidenciais, incluindo Luís Marques Mendes, são esclarecedoras, e dizem tudo sobre a actual política externa rasteira de Portugal.

A cartilha do marketing político toma as rédeas da situação: se a economia está mal, então fala dos sucessos das finanças; se há um problema incontornável, fala da paz e faz a guerra.

Não admira que os analistas políticos norte-americanos estejam a denunciar mais uma manobra de diversão para abafar o escândalo Epstein.

O que se segue nos Estados Unidos da América: um atentado à bomba, mais um gigantesco incêndio, agora nas sedes do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e do FBI?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

PORTUGAL MERECE MAIS E MELHOR


O final do ano de 2025 não é de boa memória.

A tensão internacional continua a subir.

Os esforços de Donald Trump para acabar com a invasão russa na Ucrânia redundaram num fracasso.

Não surpreende a derrota do presidente dos Estados Unidos da América que mostra preocupação com o número de mortes de ucranianos e russos, enquanto faz-de-conta em relação à matança resultante da invasão israelita na Palestina.

Como se não fora suficientemente dantesco, as tropelias norte-americanas na Venezuela já mereceram igual resposta dos chineses em Taiwan.

A nível nacional também não há motivos para sorrir.

Está instalado o ambiente podre e corrupto, com mais ou menos casinos e artigo da revista “The Economist”.

Mais grave: os Media estão de rastos, dificultando o escrutínio do regime democrático.

É o regresso aos tempos do pesadelo deixado por António Costa.

O caos na saúde continua, com os demais estrangulamentos a persistirem apesar da eufórica propaganda de Luís Montenegro.

De facto, restam os exemplos do futebol, perdão, dos cúmplices com ditadores e assassinos, os quais acompanham bem a política externa rasteira de Paulo Rangel.

Mas nem tudo é mau.

A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa chega ao fim.

Resta a convicção e a esperança de que o próximo inquilino de Belém não pode fazer pior, porque já basta, Portugal merece mais e melhor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MUNDO LIDERADO POR ASSASSINOS E LADRÕES


Anda há quem fique chocado com a guerra, o genocídio, a fome, o abandono dos mais idosos e das crianças, a violência doméstica, a falta de socorro e cuidados de saúde e a desigualdade gritante.

É evidente que são uma minoria, à luz do que nos rodeia.

Em plena época natalícia, a matança continua em Gaza e noutras latitudes, sustentada pela mais cruel indiferença e vil corrupção, uma porta sempre aberta para mais e mais negócios de armas.

Não é de admirar, portanto, a percepção do Mundo liderado por assassinos e ladrões, com as mãos cobertas de sangue, que tudo fazem, ou deixam fazer, por uns tostões, perdão, milhões, de um e do outro lado do Atlântico.

Em Portugal, o número dos sem-abrigo voltou a crescer.

A 31 de dezembro de 2024 havia 14.476 pessoas em situação de sem-abrigo, o que representa um aumento de 1.348 pessoas (cerca de 10%) em relação a 2023.

A evolução histórica desfaz quaisquer dúvidas: o número triplicou em menos de uma década nesta espécie de “economia de sucesso”.

Não é de admirar, portanto, a percepção de que Portugal continua a ser liderado por um governo falhado, por políticas no papel que não passam de marketing, por governantes que não têm um pingo de consciência social e humanitária.

Luís Montenegro e os seus ministros fazem de conta sobre a realidade portuguesa, tal e qual como em relação à da Palestina, enquanto compram armas a párias e a terroristas e mantêm o silêncio em relação à perseguição soez aos juízes internacionais.

Os governantes de Portugal fazem o melhor que podem e sabem, dirão os seus apoiantes, mas não se podem admirar de serem comparados, justa ou injustamente, aos assassinos e ladrões que lideram o Mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A CULPA É SEMPRE DOS OUTROS

 

A opinião pública israelita mantém o apoio aos militares (IDF), mesmo depois de iniciada a brutal invasão e destruição de Gaza e da contínua selvajaria na Cisjordânia.

O desejo de um acordo de paz não impede que Benjamin Netanyahu alcance 53% das opiniões favoráveis – sondagem de 12 de Dezembro de 2025 –, pois é considerado o político mais adequado para o cargo de primeiro-ministro de Israel.

O genocídio em curso dos palestinianos não altera a opinião de uma sociedade doente, fundamentalista e que abraça ferverosamente o estatuto de pária e o terrorismo de Estado.

Em Portugal, há um desinteresse relativo que se traduz pelo apoio à solução de dois Estados e pelo encolher de ombros em relação à matança generalizada de civis no que ainda resta da Palestina.

Aliás, André Ventura até justifica com entusiasmo a matança de criança, idosos e mulheres por causa da cultura palestiniana esmagar alguns direitos individuais, ou seja, quem não respeita a mulher merece um balázio ou morrer à fome e ao frio.

Mais extraordinário ainda: nem a alarvidade política do líder do Chega é capaz de fazer despertar a esquerda e a direita, retirando do bolso a questão da Palestina nos debates entre candidatos presidenciais.

Não admira a falta de escrutínio da comunicação social em relação ao financiamento dos candidatos.

O jornalismo de Estado, sempre sabujo e venerando, aproveita e consolida o pacto de silêncio em relação à carnificina que enche os jornais e as televisões de referência internacionais, chorando lagrimas de crocodilo por causa da Ucrânia.

A elite portuguesa fica chocada com o apoio dos cidadãos israelitas ao criminoso de guerra que os lidera, mas pouco ou nada diz e faz para combater a situação.

À boa moda portuguesa, a culpa é sempre dos outros.